Filmes e séries

"De Menor" retrata conflitos envolvendo menores em Fórum de Santos

Gabriel Mestieri

Do UOL, em São Paulo

29/08/2013 05h00

Selecionado para a mostra Horizontes Latinos do Festival de San Sebastián, principal evento de cinema da Espanha, “De Menor”, da diretora paulistana Caru Alves de Souza, retrata o universo dos defensores públicos, promotores e menores que passam pela Vara da Infância e Juventude de Santos.

Primeiro longa de ficção da diretora, o filme acompanha a rotina da defensora Helena, interpretada por Rita Batata ("Não Por Acaso"), que além de atuar como advogada dos jovens, cuida de um deles, Caio (o estreante Giovanni Gallo). O relacionamento dos dois é abalado quando o adolescente comete um delito. O ator Caco Ciocler interpreta um juiz.

Dizendo-se radicalmente contra a redução da maioridade penal, Caru afirma que gostaria que o filme fosse um elemento no debate sobre a tema. “Quem for ver o filme esperando uma crítica ferrenha à sociedade, ao sistema penal, talvez se frustre, pois ele tem uma pegada de história pessoal muito forte. Mas gostaria que o filme servisse para se construir uma visão mais humana e menos preconceituosa sobre o adolescente”, afirmou ao UOL. “O filme toca sutilmente no tema dos adolescentes ricos e de classe média que cometem infrações. Mesmo esses não são tratados de forma igual pela sociedade. Adolescente pobre e negro que comete infração é bandido, adolescente rico e branco está confuso”, opina.

Caru conta que teve a ideia para fazer o filme ouvindo histórias de uma prima que atuava como defensora em Santos. “Me encantava muito a maneira como ela se envolvia na vida deles e como lutava muito para defendê-los”, afirma a cineasta, que mergulhou no mundo jurídico santista, acompanhando audiências e conversando com defensores, promotores e juízes.

A cineasta disse que escolheu Santos como cenário do filme porque, além de ter uma relação afetiva com a cidade – parte de sua família é de lá – queria uma localidade pequena, “onde no Fórum houvesse apenas um juiz e poucos defensores e promotores para criar uma situação de maior proximidade e amizade entre eles”.

O filme toca sutilmente no tema dos adolescentes ricos e de classe média que cometem infrações. Mesmo esses não são tratados de forma igual pela sociedade. Adolescente pobre e negro que comete infração é bandido, adolescente rico e branco está confuso

Caru Alves de Souza, cineasta

Sobre a escolha dos atores, Caru afirma que procurou intérpretes não profissionais para os papéis de adolescentes que passam pelo Fórum e profissionais para os adultos. “Encontramos alguns excelentes atores numa comunidade no centro de Santos, que fazem os papeis dos meninos que passam pelo Fórum. Já tinha trabalhado com a Rita Batata num curta e ela é uma excelente atriz. O Caco Ciocler sempre esteve na minha cabeça para interpretar o juiz e felizmente ele topou fazer o filme. Era importante ter um juiz que não fosse muito formal, que fosse mais jovem”, diz.

Caru, que ainda está levantando fundos para os últimos detalhes de finalização do filme, diz que pretende tentar exibi-lo em outros festivais antes da estreia no Brasil, prevista para 2014. “É muito importante estar num festival renomado, pois eles abrem muitas portas para o filme: durante as sessões, têm curadores de festivais do mundo inteiro, agentes de vendas e distribuidores que podem contribuir para fazer circular seu filme por todo o mundo”, diz a diretora.

Caru já tem argumentos prontos para outros dois longas, também de temática social. “sempre vou me ocupar das questões sociais e políticas, não tem jeito, elas sempre vão estar lá em qualquer coisa que eu faça. E criativamente não é diferente. Elas estão em todos os meus filmes, mesmo que sutilmente”, afirma.

“Sonhos de Rossi”, que está em fase de desenvolvimento de roteiro, pretende contar a história de um jovem que acaba de descobrir que é homossexual, não tem amigos e sofre com provocações do irmão mais velho e o descaso do pai. “Há uma preocupação sim em abordar o preconceito, o sexismo, a homofobia e os efeitos nefastos do patriarcalismo sobre as mulheres e também sobre os homens. Mas o que sempre acaba acontecendo é que as histórias ficam ‘maiores’ do que esses temas”, afirma.

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