Cinema

UOL visita casa da família de paranormais que inspirou "Invocação do Mal"

Cleide Klock

Do UOL, em de Monroe (Connecticut)

Dormir depois de passar quase duas horas grudada na poltrona do cinema, com as mãos tapando os olhos com frequência, foi bem difícil. Por instinto, as luzes do quarto ficaram acesas. A televisão estava ligada. Mesmo calor, puxei a coberta para me cobrir e me enrolar, inclusive os pés --ou principalmente. Porque em "Invocação do Mal" as forças do além puxam o pé de quem está dormindo. Tem coisa pior? Tem: é um susto atrás do outro. Imagine-se andando no escuro e de repente palmas no seu ouvido. É capaz de você nem ter voz no dia seguinte: os berros são bem frequentes.

Sobrenatural, horror, terror, tudo junto. O filme é baseado em histórias reais e bem polêmicas. Edward e Lorraine Warren, interpretados por Patrick Wilson (de "Prometheus") e Vera Farmiga (de "Amor sem Escalas"), são investigadores paranormais mundialmente conhecidos. Ele é demonologista. Ela, clarividente.

Nesse recorte para a trama do filme, o casal é convocado para desvendar os mistérios que acontecem em uma fazenda isolada, em Harrisville, estado de Rhode Island, no ano de 1971. É lá que eles encararam o caso mais assustador de suas vidas, segundo depoimento dos mesmos.

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Dentro da história
O UOL visitou a residência do casal Warren, onde a viúva Lorraine ainda mora e cultiva um museu (Occult Museum) com uma variedade de artefatos usados ao redor do mundo para tudo quanto é tipo de magia. De cada lugar que Ed ia para resolver um caso, nos seus mais de 50 anos de carreira, trazia uma lembrança macabra do lugar.

Saímos de ônibus de Nova York em uma viagem de quase duas horas até a pequena e pitoresca cidade de Monroe, no estado de Connecticut. É Tony Spera, genro dos Warren, quem recebe a equipe do UOL e apresenta Lorraine. Aos 86 anos, ela é uma vovó cheia de histórias e lembranças, muitas delas de arrepiar.

"Acho que o que eu tenho é um presente que ganhei de Deus", disse ela referindo-se a mediunidade. Desde criança, contou, via luzes ao redor das pessoas e pensava que era normal. Foi punida por contar essa história para uma professora no colégio de freiras e ficou com medo de tocar novamente no assunto. Com lágrimas Lorraine relembra como conheceu Ed, aos 16 anos de idade, em um cinema, no qual ele trabalhava. Foram quase 63 anos juntos, até a morte de Ed em agosto de 2006.

Ainda hoje Lorraine visita pessoas quando é solicitada. Vai junto com o genro, Tony Spera, e com o padre Jim Anziano, que também mora na casa/museu desde que se aposentou. Católica, ela acredita na existência de demônios e possessões e confessa que na maioria dos casos uma reza e um rosário são suficientes para "neutralizar" os espíritos.

"Tentamos guiá-los em nome de Jesus Cristo, mas muitas vezes eles lutam para ficar", disse, afirmando que a passagem dessas almas na maioria dos casos foi infeliz pela Terra e não conseguem se desprender desse mundo. "Eu acho que é muito importante ter crenças. Como podemos viver sem acreditar? Tem Deus e tem o diabo, e se as pessoas não acreditarem, apenas acho que há algo errado. Será que pensam que o mundo é só isso aqui?".

Mesmo depois de tantos anos na atividade, Lorraine revela: "Até hoje dá medo. Passamos por situações assustadoras, vemos cadeiras andando sozinhas, pessoas levitando...". Quanto ao filme, ela enfatiza: "É muito preciso, muito verdadeiro, mas há um pouco de licença artística".

O museu
Na casa simples --cheia de santos, quadros e até galos como bichos de estimação-- há um porão de teto baixo tão inusitado quanto assustador. É ali que ficam as relíquias colecionadas nos cinco décadas que Ed trabalhou como "caça-fantasmas", tradução literal de como é chamado nos Estados Unidos.

Mas, antes de chegar ao museu, é preciso primeiro assistir a um vídeo de três minutos de um caso de exorcismo de um agricultor, comandado por Ed. A baixa qualidade da fita antiga em VHS traz ainda mais terror e sombras às dúvidas do que está acontecendo. O possuído cospe sangue com bile, fala em latim, talvez de traz para frente.

Na entrada do museu é uma gravação da voz de Ed que saúda os visitantes, avisando: "não toque em nada". Tony Spera, além de ser o substituto dele na resolução de casos, é também uma espécie de homem do marketing do museu e dos negócios da família. Faz a apresentação na chegada da casa, comanda uma visita guiada e, na internet, divulga o trabalho dos Warren.

"Tudo que temos aqui é o contrário de sagrado", enfatiza Tony. Ele mostra uma boneca dentro de uma caixa de vidro que até parece a Emília do Sítio do Pica-Pau Amarelo. "Essa é Annabelle. A última pessoa que a tocou morreu horas depois num acidente", ele diz e continua o passeio diante de milhares de objetos recolhidos em locais assombrados durante investigações de mais de 3.000 casos de posses, poltergeists e assombrações, atribuídos aos casal Warren.

Dentre as relíquias dos casos há caveiras, imagens de bruxas, fotos antigas, pedaços de madeira, morcegos empalhados, pinturas feitas por Ed, esqueletos, vodus, peles de animais, um espelho trazido de Nova Jersey --que, segundo o guia, "refletia espíritos"-- e um piano ("tocava sozinho"). Entre um objeto e outro estão recortes de jornais mostrando os casos resolvidos pelo casal. "Eles nunca cobraram pelos serviços. Viveram de uma forma modesta, com recursos providos principalmente da venda dos quadros de Ed", diz Tony.

No local também está Judy, a única filha dos Warren, hoje com 67 anos. Ela contou que, durante toda a infância e adolescência, sempre tinha muita vergonha de falar para os amigos qual a profissão de seus pais. "Imagine dizer que eles estudavam demônios, caçavam fantasmas, viam espíritos", diz ela que é médium mas nunca trabalhou esse lado espiritual.

Quase na saída pergunto a Lorraine se ela já esteve no Brasil. "Sim. Fui convidada para resolver alguns casos lá, na década de 1980, mas não lembro as cidades. Depois quando estávamos na Inglaterra, encontramos lá, sem querer, os mesmos brasileiros que haviam nos chamado". Questionado sobre como foi dormir depois de assistir ao filme, o padre Jim confirma: "Sim, é sempre bom deixar as luzes acesas, os espíritos preferem o escuro".

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