Filmes e séries

Filmando "Trash" no Rio, Martin Sheen se encanta com otimismo brasileiro

Fabíola Ortiz

Do UOL, no Rio de Janeiro

18/09/2013 09h21

Pela primeira vez no Brasil, para as filmagens do longa "Trash", de Stephen Daldry, o ator Martin Sheen, de 73 anos, diz estar encantado com o "incrível" otimismo dos brasileiros.

No Thriller, o ator de “Apocalypse Now”, “O Espetacular Homem Aranha” e “Prenda-me se for Capaz” e pai do polêmico Charlie Sheen, interpreta um missionário Juilliard e contracena com três cariocas selecionados para os papéis de meninos que vivem em um lixão.

“Nós dois (Martin e Stephen Daldry) viemos de países cínicos de alguma forma. Aqui há uma energia, um esperança que é incrível. Os jovens são otimistas na música, nas conversas e em toda a cultura. É muito inspirador para nós”.

“Não é filme de favela”, diz roteirista

Divulgação
O roteirista Felipe Braga foi responsável por traduzir e adaptar o roteiro de Richard Curtis (“Cavalo de Guerra”, “Quatro Casamentos e Um Funeral”, “Um Lugar Chamado Notting Hill”) com os toques brasileiros. Ele brinca que trouxe o roteiro para o “carioquês” e citou casos ou situações que às vezes os estrangeiros não compreendem, como o papel das policiais. “Passei dois meses tendo que explicar o que cada uma das polícias faz, a civil, a militar e a guarda municipal”, contou. Braga diz ainda que “Trash” não é um filme de favela e garante que foge do clichê dos morros cariocas e não quer reproduzir a imagem criada por “Cidade de Deus” ou “Tropa de Elite”.

O americano conta que precisou ter umas aulas de português em Los Angeles antes de desembarcar no Rio de Janeiro há uma semana. “Se eu pudesse falar as minhas falas sem ter que fazer mais nada tudo bem, mas quando começo a juntar tudo...”, brincou.

Quase todo o filme é falado em português e, inclusive Sheen, dialoga em português com os personagens.

“Não estudei o idioma em si, só as falas das cenas que estavam descritas no roteiro. Meu pai era um galego que falava português como sua segunda língua, mas nunca compartilhou comigo”, sorriu.

Alegre, humilde e com um ar simples, Martin Sheen pode ser visto com frequência circulando pelo set de filmagens, em Jacarepaguá, na zona oeste do Rio. Ele almoça nhoque com frango assado e toma cafezinho com a equipe de produção.

Um desavisado pode se deparar com ele conversando com o preparador de elenco e a própria equipe sem muitos rodeios, de um jeito bastante informal. Sem trocar o figurino de pastor missionário, não exige luxo e faz as refeições debaixo de uma tenda de plástico próximo ao lixão cenográfico com toda a equipe.

O ator americano disse que já interpretou o papel de pastor algumas vezes no cinema, mas desta é “bem diferente”, disse.

“Já fiz pastores nos EUA e na Irlanda. Mas aqui, ele é um ativista social, está focado não em salvar vidas, mas ajudar os outros através de justiça social”.

O filme
Filmado no Brasil e quase todo falado em português, "Trash", de Stephen Daldry, aposta no tema do lixo para o produzir o thriller com Martin Sheen e Rooney Mara no elenco. A produção construiu até um lixão cenográfico no Rio de Janeiro.

Daldry, três vezes indicado ao Oscar --por "Billy Elliot", "As Horas" e "O Leitor"--, desembarcou no Brasil há seis meses para rodar a mais nova coprodução entre a inglesa Working Title, PeaPie Films e a O2 Filmes de Fernando Meirelles.
 

Teria sido muito melhor se filmássemos em um lixão verdadeiro, mas é um ambiente muito difícil para gravar, havia o risco de higiene. As situações são aterrorizantes para quem vive nesses locais e é perigoso

Stephen Daldry, diretor de "Trash
"Trash" é adaptado do livro de Andy Mulligan e roteirizado por Richard Curtis (que fez "Cavalo de Guerra", "Quatro Casamentos e Um Funeral" e "Um Lugar Chamado Notting Hill"). O longa é um thriller contemporâneo que acompanha três meninos, Raphael, Gardo e Rato, que vivem num lixão. 
 
"Escolhemos o Rio porque já temos uma relação estabelecida com Fernando Meirelles. Foram muitas razões práticas, mas também por motivos pessoais", garantiu o diretor em conversa com os jornalistas nesta terça-feira (17).
 
"Teria sido muito melhor se filmássemos em um lixão verdadeiro, mas é um ambiente muito difícil para gravar, havia o risco de higiene. As situações são aterrorizantes para quem vive nesses locais e é perigoso. Então tivemos que construir nosso próprio lixo. Para mim, parece um verdadeiro lixão", comentou Daldry que está a frente do projeto desde 2010 e que se mudou para o Rio há seis meses com sua família.
 

 

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