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Filme sobre Sebastião Salgado agrada público ao abrir Festival de Brasília

Eduardo Knapp/Folhapress
Fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado é tema de documentário de Betse de Paula Imagem: Eduardo Knapp/Folhapress

Carlos Minuano

Do UOL, em Brasília

A ventania e a chuva que caiu na noite desta terça-feira (17) no Distrito Federal não esfriou o clima nem espantou o público que lotou a abertura da 46º edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Depois da apresentação da orquestra sinfônica local, o documentário "Revelando Sebastião Salgado", da diretora Betse de Paula abriu o evento. Apesar de ser uma sessão para convidados, faltou lugar para tanta gente na sala Villa-Lobos do Teatro Nacional.

Sem grandes pretensões e com baixo orçamento, o filme conquistou o público. “É um retrato amoroso”, define a cineasta. A amizade de longa data entre a diretora e o fotógrafo deu a ela um acesso privilegiado que resultou numa abordagem mais intimista, que revela histórias saborosas e pouco conhecidas das tantas aventuras e viagens de Sebastião Salgado pelo mundo.

Um tempero especial do documentário está nos comentários que Salgado faz sobre o próprio trabalho. O fotógrafo revela, por exemplo, como desenvolveu em suas imagens um jeito singular de lidar com a luz. “Como sou muito branquinho, não podia ficar no sol, por isso sempre observava tudo da sombra”. Ele diz que esse tipo de olhar acabou tornando se uma marca do seu trabalho.

Salgado também dá sua opinião sobre os efeitos da fotografia digital em sua vida. “Para mim, mudou tudo e ao mesmo tempo não mudou nada”. Ele se refere às centenas de rolos de filme que era obrigado a carregar em suas viagens.

Ou seja, o digital representa para ele um peso de mais ou menos 30 quilos que ele tirou das costas. “Voltei a viajar como uma pessoa normal”, brinca. Mas tirando esse detalhe, ele diz que segue trabalhando no papel. “Não consigo analisar uma imagem no computador, me perco”.

A ideia de filmar o “Revelando Sebastião Salgado” nasceu durante uma visita ao fotógrafo, em Paris, onde mora desde o final da década de 1960. “Encontrei o Sebastião engraxando as botas para a viagem que faria a Madagascar, depois enquanto conversava ele esvaziava cartões de memória e fazia um tanto de coisas sozinho, fiquei encantada com aquilo e decidi mostrá-lo assim, em sua intimidade”, conta a cineasta. O documentário é resultado de três dias de entrevista, realizadas em 2012 na casa de Salgado. “A equipe ficou com oito horas de material gravado, por três câmeras diferentes”.

O personagem do documentário recebeu elogios do secretário de Cultura do DF, Hamilton Pereira. “Salgado é um reinventor do olhar”. Antes da exibição de seu filme, Betse de Paula elogiou a cidade e arrancou aplausos da plateia que se estendiam pelos corredores, degraus e cadeiras improvisadas. “Sou uma diretora inventada em Brasília, comecei a fazer documentários aqui”, disse.

Apesar dos aplausos e da festa em torno do filme, por falta de recursos para distribuição, o documentário não deve ir para os cinemas, seguindo direto para o DVD e TV. Mas a diretora não se ressente e diz que sua obra ainda vai circular nas telonas dos festivais. Depois de levar o Prêmio Especial do Juri em Gramado e exibição hors concours  em Brasília, “Revelando Sebastião Salgado” segue em frente, com exibições previstas para Berlim, São Paulo e Havana.

TRAILER DO FILME "REVELANDO SEBASTIÃO SALGADO"

Primeiro dia do festival
Um debate com a equipe de “Revelando Sebastião Salgado” abriu o primeiro dia do Festival de Brasília na manhã desta quarta, 18. Sala cheia e muitos elogios ao retrato do homem comum que existe por trás da câmera. “Queria mostrar o cara que saiu da pequena cidade de Aimorés, no interior de Minas Gerais, para ganhar o mundo”, disse a diretora.

Apesar da amizade com Sebastião Salgado, Betse disse que teve que atender exigências do fotógrafo, além de driblar alguns entraves. “Tive até que levar minha mãe”. Piadas à parte, a cineasta explicou que todo o material em vídeo de Sebastião Salgado fotografando vai para o filme de Win Wenders sobre o “Gênesis”, trabalho mais recente do fotógrafo. “Tentei fazer o melhor possível dentro do espaço que tinha”.

Nesta quarta, 18, a mostra competitiva de documentários apresenta “Luna e Cinara”, de Clara Linhart e “Outro Sertão”, de Adriana Jacobsen e Soraia Vilela, e na categoria Ficção e Animação o curta “Deixem Diana em paz”, de Julio Cavani e “Os pobres diabos”, de Rosemberg Cariry. O festival segue até 24 de setembro.

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