Filmes e séries

Foi o filme mais difícil que já fiz, diz Heitor Dhalia sobre "Serra Pelada"

Carla Neves

Do UOL, no Rio

09/10/2013 17h28

O diretor Heitor Dhalia disse nesta quarta-feira (9) que "Serra Pelada" foi o filme mais dificil que já fez. "Quando tive a da ideia do filme, pensei: ‘por que ninguém pensou em fazer esse filme antes?’ E quando estava rodando entendi o porquê. Era quase impossível de ser feito. Era muito complexo. Foi o filme mais difícil que já realizei”, contou o diretor.

A produção, que encerra o Festival do Rio 2013 na noite desta quarta (9) e estreia em todo o país no próximo dia 18, narra a saga de dois amigos: Juliano (Juliano Cazarré) e Joaquim (Julio Andrade), que deixam São Paulo em 1980 para tentar a sorte nas minas de ouro paraenses. O elenco conta ainda com Sophie Charlotte, Matheus Nachtergaele e Wagner Moura, que também é coprodutor.

Com ares de superprodução, "Serra Pelada" teve orçamento de R$ 10 milhões. Heitor conta que o filme, que seria rodado no Pará, acabou sendo feito num terreno de Paulínia, no interior de São Paulo, após a Vale e o governo do Estado amazônico negarem apoio à produção.

A produtora Tatiana Quintella confirmou que a Vale vetou a filmagem de "Serra" no Pará, mas explicou que rodar a produção ali seria inviável. “Não tínhamos orçamento para a logística e a segurança da nossa equipe. Então resolvemos rodar em São Paulo”, disse.

Dhalia diz se lembrar como se fosse hoje do dia em que, no final da década de 1970, assistiu na TV a uma matéria sobre a enorme quantidade de ouro em Serra Pelada, no sul do Pará, que atraiu mais de mil homens em cerca de um mês ao local.

“Me lembro até onde estava: num apartamento de três quartos. A TV ficava no quarto do meio. Era uma coisa do Brasil grandioso, da corrida pelo ouro. As imagens eram marcantes e aquilo ficou na minha cabeça. Quando fiquei mais velho, reencontrei essas imagens nas fotografias de Sebastião Salgado. E nunca mais tinha pensado nisso até o dia que resolvi fazer o filme”, afirmou o diretor na entrevista de lançamento do filme, no Rio.

Embora fosse criança na época, Wagner Moura conta que também lembra do “Globo Repórter” sobre Serra Pelada. “Tenho uma lembrança muito forte das imagens na minha cabeça”, disse Wagner, que no filme aparece ostentando uma careca, na pele de Lindo Rico, bandido que tenta recrutar Juliano.

O ator, que a princípio estava escalado para o papel de Cazarré, teve que cedê-lo quando a produção foi adiada, pois já estava comprometido com o filme "Fellini Black and White”. “A gente achava que tinha que ter um personagem que fosse o antagonista mais forte. E o Lindo Rico não existia até um determinado momento. Então tive contato com todos os personagens”, disse Moura.

Dhalia aproveitou a deixa para brincar com o ator. “Na verdade, o Wagner passou por todos os personagens do filme. Primeiro ele ia fazer o Joaquim, depois o Juliano. Foi uma dança das cadeiras. Ele só não pôde pegar a Tereza (Sophie Charlotte)”.

O diretor também comentou sobre a careca de Wagner e contou que a caracterização partiu do próprio ator. “Um belo dia me desce o Wagner careca, com a maquiadora branca do lado, achando que ia ser demitida. Ele disse: ‘quero ficar careca, o personagem é careca, corta aí’. E a menina cortou”, lembrou, aos risos.

  • Reprodução

    Wagner Moura em cena do trailer de "Serra Pelada"

Moura também explicou de onde veio sua inspiração. “É uma memória que tenho de infância, do sertão da Bahia. Eu conheci um sujeito, que era uma pessoa que falava baixo, falava com as pessoas com muita delicadeza. Ele era meio veado e era um matador de aluguel”, disse, rindo.

Com papel de destaque no longa, Cazarré recusa o título de ator principal e afirma que, para ele, a amizade de Juliano e Joaquim é a protagonista do filme. Ele ainda tentou defender seu personagem, que pode ser visto como vilão.

“O Juliano entra em Serra Pelada e joga o jogo do lugar. ‘Opa, é assim? Então vou jogar esse jogo’. Essa é a diferença dele para o Joaquim. ‘Se não matar, vão me matar. Então vou matar’. Ele tem uma leitura rápida do ambiente e a partir daí estabelece uma nova ética para ele, que é a lei da sobrevivência. É a lei daquele universo”, argumentou Cazarré.

Em sua estreia no cinema, Sophie Charlotte falou sobre Tereza e garantiu não ter ficado intimidada com as cenas sensuais de sua personagem. “O que fiz foi ler o roteiro. Confiei no Heitor, no roteiro e nos parceiros e não tive dúvida. Não tive medo mesmo. Fiquei com mais medo agora, perto de vocês, do que na hora (risos). Fiquei muito à vontade. Não tive nenhuma questão”, disse ela.

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