! Norma Bengell deixa livro de memórias; obra será lançada em março - 10/10/2013 - UOL Entretenimento

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Norma Bengell deixa livro de memórias; obra será lançada em março

Divulgação
Capa do livro de memórias de Norma Bengell Imagem: Divulgação

Do UOL, em São Paulo

10/10/2013 17h49

A atriz Norma Bengell, que morreu na última quarta-feira (9) aos 78 anos, deixou um livro sobre de memórias pronto. Em fase de revisão, a obra será lançada em março de 2014 pela editora nVersos.

Segundo a editora, Norma escolheu a foto de capa da publicação antes de morrer.

Norma Bengell foi cremada no início da tarde desta quinta-feira (10), no Memorial do Carmo, no Caju, no Rio. Depois de um breve velório na capela nove do próprio Memorial, acompanhado por cerca de 15 pessoas, o corpo de Norma seguiu para o crematório por volta das 14h.

As memórias da atriz foram escritas na década de 80 e, na época, Norma já tinha o intuito de transformá-las em livro. Na publicação, a atriz costura seus diários de anotações feitos ao longo de sua vida e complementa com informações marcantes que recordava.

De acordo com a editora, a atriz frisava que, no livro, estariam todas as verdades sobre sua história e os seus momentos de glória no cinema mundial. "Norma contava que queria revelar a sua versão dos fatos que marcaram sua vida e deixou claro para nós que o nome real de todos os personagens deveria estar no livro", contou o assistente editorial da nVersos, Guilherme Udo.

Segundo Guilherme, Norma analisou e deu palpite em todas as fotos que iriam compor o livro. "Apesar de ser vaidosa, ela queria se mostrar como era e sempre deu preferência para fotos sem maquiagem pesada e nas quais não estivesse como personagem", disse.

Morte

Norma Aparecida Almeida Pinto Guimarães D'Áurea Bengell, conhecida como Norma Bengell, morreu por volta das 3h da madrugada de quarta, na unidade Bambina do Hospital Rio Laranjeiras. Ela tinha 78 anos.

Bengell foi diagnosticada há cerca de seis meses de câncer no pulmão direito, e estava no Centro de Tratamento Intensivo do hospital desde o último sábado.

O velório foi realizado na noite de quarta e madrugada de quinta, no cemitério São João Batista, em Botafogo, no Rio, com a presença de artistas e amigos da atriz, como Ney Latorraca, Lucy e Luiz Carlos Barreto, Carla Camurati e Silvio Tendler. Latorraca afirmou que Norma "deixa uma mensagem de liberdade".

Durante o velório, Luciene Marques, acompanhante de Norma há cinco anos, contou que ela vinha passando por dificuldades financeiras e que se sentia abandonada pelos antigos amigos.

Conheça a trajetória
Norma Bengell nasceu no Rio de Janeiro, onde começou a se apresentar como vedete do teatro de revista aos 16 anos. Também foi cantora e gravou versões de “A Lua de Mel na Lua” e “E Se Tens Coração”.

O primeiro LP, "OOOOOH! Norma", viria em 1959, no mesmo ano de sua estreia no cinema, na comédia “O Homem de Sputinik”, em que interpretava um símbolo sexual, em uma clara analogia com a atriz Brigitte Bardot.

Com o sucesso no cinema, Norma se voltou quase totalmente para a sétima arte. Em 1961, estrelou o filme "O Pagador de Promessas", de Anselmo Duarte, vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes.

  • Reprodução

    Cena de "Os Cafajestes"

Primeiro nu frontal no cinema nacional
A atriz entrou para a história ao protagonizar a primeira cena de nu frontal do cinema brasileiro, aos 26 anos. A cena, um avanço para a época, fez parte do filme “Os Cafajestes”, de 1962, dirigido por Ruy Guerra.

A exposição internacional -- e a repercussão de “Os Cafajestes” -- a levou a trabalhar no cinema europeu. Segundo a própria atriz, chegou a conhecer e namorar o ator francês Alain Delon. Fez filmes na Argentina (“Sócio de Alcova”) e na Itália (“Mafioso”, de 1962, e “Os Cruéis”, de 1967). 

Com o sucesso, engatou quase um filme por ano, participando de produções que marcaram a história do cinema nacional, como "A Casa Assassinada" (1971), de Paulo Cesar Saraceni; "A Idade da Terra" (1980) , de Glauber Rocha e "Rio Babilônia" (1982), de Neville d'Almeida. Em “Noite Vazia" (1964), de Walter Hugo Khouri, interpretou uma prostituta ao lado de Odete Lara e do ator italiano Gabriele Tinti, com quem foi casada de 1963 até 1969.

Por sempre atuar em peças e filmes alvos dos censores da ditadura militar, a atriz alegava ter sido perseguida, o que a obrigou a se exilar na França em 1971. Em 2010, a Comissão de Anistia reconheceu a atriz como anistiada política e concedeu uma reparação econômica de cerca de R$ 100 mil.

Carreira como diretora
Estreou como diretora em 1988, em “Eternamente Pagu”, sobre a escritora modernista. Ainda atrás das câmeras, adaptou o clássico "O Guarani", de José de Alencar, para o cinema, em 1997. Em 2005, voltaria a focar em histórias de grandes mulheres como “Infinitamente Guiomar Novaes”, um documentário sobre a pianista morta em 1979, e “Magda Tagliaferro - O mundo dentro de um piano”.

No teatro, subiu aos palcos em 1968, sob a direção do então estreante Emilio Di Biasi em "Cordélia Brasil", primeiro texto do escritor e dramaturgo Antônio Bivar. Em 1976, faz "Vestido de Noiva", de Nelson Rodrigues. A atriz retornaria ao texto clássico, em 2008, com a Cia. Os Satyros, sob a direção de Rodolfo García Vázquez.

Em 2007, em sua volta aos palcos, após 20 anos, teve uma crise de stress que a fez abandonar a apresentação de “O relato íntimo de Madame Shakespeare". Na época, Norma passava por um processo judicial, no qual era acusada de desviar verbas na captação de recursos para os filmes “O Guarani” e “Norma”, projeto que nunca foi concluído.

  • Reprodução

    As atrizes Eva Todor, Tônia Carrero, Eva Wilma, Leila Diniz, Odete Lara e Norma Bengell em 1968, durante a passeata dos cem mil, em protesto contra a ditadura militar no Brasil, no Rio de Janeiro

Últimos trabalhos
Na televisão, apresentou e participou de alguns programas da TV Tupi e na TV Rio, como “Noite de Gala”. Reapareceria apenas em 2008, com a personagem Dayse Coturno, no humorístico “Toma Lá, Dá Cá”, da TV Globo.

Em 2010, uma foto sua em uma das passeatas históricas da década de 1960, durante o processo de ditadura militar, foi utilizada pela então candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, causando a acusação de uso indevido de imagem e associação da atriz. Na época, Norma desmentiu qualquer mal-estar e manifestou apoio à candidata.

Seu último trabalho foi no teatro, no mesmo ano, quando protagonizou a montagem de "Dias Felizes", de Samuel Beckett, com a direção de Emílio Di Biasi. No palco, sua vida se fundiu à história de Beckett e trechos preciosos de sua trajetória eram exibidos ao fundo.

 

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