Cinema

Para "entrar em personagem", Daniel de Oliveira foi do Rio a Belém de carro

Bia Alves / AGNews
Daniel de Oliveira estará em "Orfãos do Eldorado", adaptação cinematográfica do livro de Milton Hatoum imagem: Bia Alves / AGNews

Leonardo Rodrigues

Do UOL, em São Paulo

Três anos após seu último trabalho cinematográfico, o filme “Boca”, Daniel de Oliveira está novamente em evidência na série “Latitudes” --projeto “transmídia” do diretor Felipe Braga, com versões na internet, TV e cinema.

Em breve, o ator vai aparecer ainda mais. Ele acaba de voltar de uma temporada de dois meses em Belém (PA) e nas ilhas próximas à cidade, onde gravou “Orfãos do Eldorado”, adaptação cinematográfica da obra homônima do amazonense Milton Hatoum. Também está nos planos a série "Doce de Mãe", com direção de Jorge Furtado e Fernanda Montenegro como protagonista.

No longa de Guilherme Coelho, que também tem Dira Paes e Mariana Rios no elenco, Daniel encarnará o protagonista, o anti-herói Arminto Cordovil, um herdeiro de antigos barões da borracha que é expulso de sua cidade após viver uma relação incestuosa com a irmã.

Já em processo de edição, o filme deve estrear no final do ano que vem. Veja a entrevista concedida pelo ator ao UOL.

Como foi sair do eixo Rio-São Paulo e filmar "Órfãos do Eldorado" no Pará?
Foi maravilhoso. Para começar, eu fui de carro para lá. Do Rio até Belém. Foram seis dias de estrada, com dois amigos, passando por Bonito, Chapada dos Veadeiros, na Belém-Brasília. Muito legal. Já fui levando o personagem comigo, embuído da história. Fomos filmando e fotografando tudo. Foi uma experiência muito rica. Fizemos uma preparação para fazer um filme bonito para caramba, com participação do Milton Hatoum.

O que esse tipo de experiência acrescenta a você como ator?
Acrescentou muita coisa. Na verdade foi um filme muito louco, porque a gente não começou filmando do começo. Eu estava com uma barba enorme, e tinha que aproveitar a barba para marcar as fases do personagem, que passa por várias. Usamos todo um sistema para o envelhecimento da minha pele, de transformação física do personagem, o que influenciou no comportamento também. Acho que foi rico. O personagem do roteiro era uma coisa, e a gente viu que, na prática, havia outras nuances. Aprendi um pouco também nesse sentido.

O Arminto mistura as concepções clássicas de vilão e mocinho?
Mistura um pouco. Ele é o anti-herói mesmo. Um cara que não é previsível. É complexo para caramba. Dentro dele, ele aponta para muitos lados. Ele se transforma em muitos personagens em um só, o que traz muitas possibilidades para a atuação.

A série “Latitudes” está chegando ao fim na internet nesta semana, como surgiu a ideia?
Foi uma ideia que tivemos em conjunto, o Felipe e a Alice Braga, de mostrarmos a evolução de um relacionamento a partir de encontros em várias cidades do mundo. O casal vai resolver assim seus problemas de relacionamento, se conhecendo um pouco mais. Foi incrível. Primeiramente, a gente viajou para caramba, e isso é muito bom. E atuar com a Alice Braga foi excelente. Tinha vontade há muito tempo de contracenar com ela. Tivemos que pensar em logística, no descolamento, o que foi difícil, pois fazíamos várias funções de produção.

No ano passado, você se separou da atriz Vanessa Giácomo, depois de oito anos. Isso te fez enxergar o relacionamento do personagem de alguma outra forma?
Acho que sim. Até porque a gente vai aprendendo muito ao longo da vida, com todas as experiências. A gente aprende muito com as histórias que a gente faz como ator, e também com o que a gente vive na vida real. Somos sempre mutantes. Cada experiência ajuda a alterar nossas visões de mundo.

Até hoje você é lembrado pelo papel de Cazuza no cinema. É o seu grande trabalho?
Não sei. Já fiz outras coisas que considero bacanas também. Mas valorizo o Cazuza demais, por ter passado por uma transformação. E foi um grande sucesso, com mais de 3 milhões de pessoas no cinema. Até hoje as pessoas falam na rua: “Ah, o cara que fez o Cazuza”. Tenho vontade de ver o musical dele agora. Ele tem letras incríveis. Um poeta. E tem uma grande história de vida. E ele me trouxe uma outra história de vida também. O Cazuza, de alguma forma, mudou minha vida. As pessoas passaram a me conhecer. E passaram a me respeitar pelo meu trabalho.

Quais são os próximos projetos?
O próximo é na televisão, a série “Doce de Mãe", com direção de Jorge Furtado e com a Fernanda Montenegro como protagonista. Faremos a primeira reunião nesta terça. Era um especial do fim do ano passado, da Rede Globo. O pessoal gostou, e vai virar série. Meu papel é o de Jesus. Vai ser muito divertido. Trabalhar com o Jorge é sempre um prazer, e será bom porque vai dar para aproveitar mais intensamente.

 

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