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Comédia sobre golpista revela talento de jovem ator inglês; assista

Chico Firemann

Do UOL, em 1914*

02/02/2014 05h00

O Keystone Pictures acertou mais uma vez ao entregar a nova comédia “Making a Living”, em que seus famosos Keystone Cops perseguem um golpista que se passa por um aristocrata inglês. Mas os policiais atrapalhados, que estrelam filmes do estúdio desde que ele foi fundado, há cerca de dois anos, são apenas um dos grandes trunfos do filme. Na maior parte de seus catorze minutos de duração, “Making a Living” é uma sequência ininterrupta de ação e humor, que revela a preocupação dos criadores com o entretenimento leve e ligeiro.

Muito do mérito do filme se deve ao desempenho do ator que assumiu o papel do vigarista, um jovem inglês chamado Charles Chaplin. Aqui ele faz sua primeira aparição no cinema, mas o talento do homem promete fazer dele um astro. O performer já tem bastante experiência nos palcos britânicos e chegou a cruzar os Estados Unidos duas vezes em turnês do grupo de vaudeville de Fred Karno. O ator fazia números de comédia e parece ter trazido muitos de seus engraçadíssimos trejeitos para a tela do cinema.

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Infelizmente, embora seja uma comédia ágil e divertida, “Making a Living” não dá o merecido espaço para que o ator trabalhe todas as sutilezas que trouxe do palco, preferindo, em detrimento da performance do comediante, deixar o filme mais rápido, característica e marca do Keystone Pictures. Há relatos de que houve um certo embate entre Chaplin e o diretor Henry Lehrman, que também interpreta o fotógrafo no filme. Enquanto um queria um filme mais guiado pelo personagem, o outro preferia uma locomotiva que não desse fôlego para o espectador.

Se pensarmos que o cinema é uma arte relativamente recente, talvez, daqui a alguns anos, os “fazedores de filmes” possam encontrar um meio-termo entre ritmo e refinamento. Apesar da bela interpretação do recém-chegado Chaplin, o chefe do estúdio, Mack Sennett, segundo se comenta nos bastidores, parece não ter se convencido do talento do jovem. Senneth contratou Chaplin depois de ver suas apresentações teatrais, mas teria achado que o inglês não se adaptou ao estilo da Keystone. A estrela Mabel Normand, de olho no frescor da performance do jovem, teria intervindo e garantido emprego para ele em mais alguns filmes. Sorte nossa que vamos poder nos divertir com um homem que leva a comédia a sério.

* Este texto é uma obra de ficção que se aproveita da liberdade do cinema para fazer uma homenagem a um de seus mestres, Charlie Chaplin, que fez sua estreia no cinema há exatos 100 anos, em 2 de fevereiro de 1914, quando o curta "Making a Living", conhecido como "Carlitos Repórter", no Brasil, chegou às salas dos EUA.