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Clooney diz que obras roubadas por nazistas não deram publicidade a filme

Estefani Medeiros

Do UOL, em Berlim

08/02/2014 13h59

No ano em que o aniversário de duas grandes guerras é relembrado na Alemanha --os cem anos da Primeira Guerra e os 70 anos do Dia D--, "Caçadores de Obras-Primas", dirigido e protagonizado por George Clooney, é recebido no Festival de Berlim como um filme da "Sessão da Tarde". Com salva de palmas desencontrada e uma rápida interrupção na exibição por causa de uma emergência médica --um jornalista teria se sentido mal--, o longa foi apresentado mundialmente pela primeira vez neste sábado (8), fora da competição e como destaque no evento de cinema alemão.

O filme reconta a trajetória de um grupo de historiadores, curadores, artistas e arquitetos que se reuniu para recuperar obras de arte roubadas pelos nazistas na Segunda Guerra, quando Adolf Hitler pretendia criar seu acervo pessoal, o Führer Museum.

Apesar de ter o roteiro inspirado pela história real descrita no livro homônimo de Robert M. Edsel e Bret Witter, o longa reconta a história através de personagens fictícios, o que permite alguns excessos dramáticos, como Clooney dirigindo carros de guerra com um braço só, esbanjando seu charme com quepe e óculos aviador, e piadas e ironias relacionadas aos alemães para tentar cativar o público.

"Criamos personagens fictícios com o propósito de ajudar a audiência a simpatizar com as histórias pessoais de cada um. Não é justo pegar o nome real de um grande homem e criar algo que não aconteceu na vida real", explicou Clooney durante encontro com jornalistas.

O evento para a imprensa realizado após a exibição do filme teve entrada disputada, mas ficou marcado por elogios de jornalistas pela beleza do ator hollywoodiano, perguntas regionais sobre o apoio político dele a países africanos, liberalismo, beijos para a China e muitos assobios. Clooney aproveitou para contar que não pretende ir a Copa do Mundo no Brasil. "Adoro o Brasil, mas não sou tão fã de futebol", respondeu.

Em uma das poucas perguntas sobre o longa, Clooney explicou que "essa era uma boa história para ser contada, algo sobre devolver o que foi tomado. Obras de arte continuam sumindo em guerras, esse é um tema atual". Sobre as obras de arte roubadas pelos nazistas e encontradas em um apartamento em Munique recentemente, ele disse que "isso não trouxe nenhuma publicidade extra para o filme."

Em um ano que a Berlinale se destaca principalmente em temas políticos, como a inclusão de cada vez mais filmes sobre a cultura LGBT, documentários sobre protestos ao redor do mundo e histórias relacionadas a sobreviventes da Segunda Guerra, "Caçadores de Obras-Primas" não é um filme a ser levado a sério, mas a presença do charme e sorriso de Clooney acrescentam o glamour que os tapetes vermelhos de festivais de cinema pedem.

Trailer de "Caçadores de Obras-Primas" (em inglês)

Guerra em destaque
Durante o Festival de Berlim --que acontece até 16 de fevereiro-- ainda serão exibidos outros filmes relacionados a guerras. Entre eles está o documentário que discute a vida pessoal de Heinrich Himmler, comandante militar responsável por matar milhões de pessoas durante o holocausto.

Em "My Mother, The War and Me", a história de mãe e filha em busca da história de sua família mostra o cenário de destruição durante a passagem da guerra pela Ucrânia e Rússia. No franco-alemão "Diplomatie", o plano de Hitler para destruir os principais monumentos de Paris mexe com os princípios de um general que precisa desobedecer seu governo para favorecer seu país. Entre outros temas políticos envolvidos no festival está a exibição do documentário sobre o movimento Occupy e temas religiosos como os conflitos entre católicos e protestantes em "71".