PUBLICIDADE
Topo

Espectadores contam por que choram tanto no filme "A Culpa É das Estrelas"

James Cimino

Do UOL, em São Paulo

14/06/2014 07h15

"Nossa, o povo sai chorando mesmo", adianta a moça da bilheteria de um cinema na zona oeste de São Paulo onde o filme "A Culpa É das Estrelas" está sendo exibido em três salas. O longa, baseado no livro homônimo de John Green, conta a história da adolescente Hazel Grace (Shailene Woodley), uma paciente terminal de câncer, que se apaixona por Augustus Waters (Ansel Elgort), um rapaz que se curou da doença.

Embora o filme não seja piegas e os personagens encarem seus dramas com certo otimismo, as plateias são unânimes ao dizer que é impossível não chorar durante a sessão. "A choradeira é tão grande", diz a jornalista Ariane Donegatti, 24, "que chega um momento que as pessoas começam a rir".

Mas ao ser abordada pela reportagem do UOL, quem estava com os olhos mais vermelhos era seu namorado, o biólogo Mikael Freitas, 26. "É o filme em que eu mais chorei, com toda a certeza. Mas ele só conta uma história, que por sinal é triste, e que mostra duas pessoas que sabem que o fim é inevitável, mas que veem tudo de uma perspectiva boa".

A fisioterapeuta Adriana Gianpietro Thomaz, 25, também afirma que este é o filme mais triste que já viu. "A história faz você pensar em coisas que em geral deixamos passar batido". Com ela, faz coro a atendente Geneva Fernandes, 42, que até hoje só tinha chorado tanto durante o filme "Ao Mestre com Carinho" (1967), estrelado por Sidney Poitier. Já a analista de sistemas Débora Okada, 40, disse ter chorado tanto que ficou com vontade de berrar durante a sessão. 

Mas o depoimento mais surpreendente foi do casal de enfermeiros Simone Zanardi, 27, e Leandro Buzatto, 28. Ela, especialmente, estava inconsolável. "No meu trabalho é igual. Eu não choro na frente dos pacientes, claro, mas assim que me afasto, eu deságuo".

Simone diz que sua reação, especialmente em casos de câncer, é que os pacientes muitas vezes são quem lhes passam mais força. "A gente que sabe do diagnóstico, muitas vezes sabe que não tem mais jeito, então é mais difícil para a gente, porque a gente vê a vontade de viver que eles têm".

"A gente é aculturado a aceitar melhor a morte quando se trata de uma pessoa mais idosa. E, como o filme retrata, nenhum paciente jovem joga a toalha. É isso o que mais machuca, porque nós sabemos que não tem o que fazer. E sentimos a emoção porque não somos de pedra", conta ela.

Segundo Raquel Silva, 23, havia muita gente soluçando no cinema. Para ela, o filme passa uma lição clara: "É muito difícil lidar com a perda. E não importa que já saibamos de um diagnóstico, ninguém está preparado para a morte".