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"Não quero um papel como esse tão cedo", diz ator que viveu Paulo Coelho

Tiago Dias

Do UOL, em São Paulo

04/08/2014 15h54

Em entrevista coletiva nesta segunda (4) para promover o lançamento de "Não Pare na Pista - A Melhor História de Paulo Coelho", o ator Julio Andrade, que vive o escritor no longa, disse que interpretá-lo em duas fases de sua vida (durante os anos 1970 e 80 e na atual) deu muito trabalho. “Eu espero não fazer de novo um papel como esse tão cedo”, disse, rindo. O filme, que abriu a edição deste ano do Festival de Paulínia,  mostra diversas fases da vida do escritor brasileiro mais traduzido em outros países. 

Sobre o fato de interpretar no cinema artistas populares como Gonzaguinha, em "Gonzaga - De Pai pra Filho" (2012), e agora Paulo Coelho, ele diz que não é uma preferência: “A vida me levou a isso. Não tenho preferência em fazer um personagem criado ou baseado em alguém famoso. Gosto de papéis instigantes".

Segundo Andrade, a maior dificuldade que ele teve em "Não Pare na Pista" foi atuar usando uma pesada "máscara"  para dar vida ao escritor em sua fase atual. “Tive dificuldade com aquela máscara. Eram quase cinco quilos, cinco horas de maquiagem. Era difícil", diz o ator, citando a maquiagem feita pela empresa DDT, responsável também pelos efeitos em “O Labirinto do Fauno" (Guillermo del Toro, 2006) e em "Gainsbourg - O Homem que Amava as Mulheres" (Joann Sfar, 2010). "Só na terceira ou quarta diária eu saquei o processo de atuar com ela. A máscara não é idêntica ao Paulo. Tinha que ter uma mistura minha com a face do Paulo para ficar natural."

O diretor do filme, Daniel Augusto, diretor, contou que o roteiro já tinha como solução o uso outro ator, mais velho, para interpretar o Paulo Coelho atual. “Mas aí a DDT surgiu."

Contato com Paulo Coelho

A roteirista do filme, Carolina Kotscho, falou sobre como foi o contato com o escritor para escrever o roteiro. “A primeira conversa foi em 2007. Ele tinha assistido a ‘Dois Filhos de Francisco' [cujo roteiro também é de Carolina] e tinha gostado muito. Um amigo em comum disse: 'se você gostou, vou te passar o telefone da pessoa certa'. Foram dois anos para convencê-lo a fazer [o filme]. Uma vez dito sim, ele deixou na nossa mão. Ele chegou até a mentir, certa vez, dizendo que tinha adorado no roteiro. Na verdade, ele nem tinha lido."

O ator Julio Andrade foi outro que teve contato com o escritor, chegando a viajar até a casa dele, na Suíça, onde tiveram um encontro reservado. “Antes de começar o filme, passei quatro dias em Genebra. Conheci ele na intimidade e foi bem interessante", conta Andrade. 

Sobre o peso de interpretar uma personalidade viva, ao contrário do que ocorreu no papel de Gonzaguinha, morto em 1991, Andrade disse: “O Gonzaguinha discutia comigo nos sonhos. Mas, quanto ao Paulo, houve essa liberdade. Essa coisa de ele dizer 'sou como as pessoas imaginam'... Você tem que estar inteiro, vivo, na cena. O Paulo Coelho do filme é uma versão minha, do Ravel [irmão de Julio, que interpreta Paulo na adolescência], do Raul Seixas e do próprio Paulo."

Edição fragmentada

Para contar a vida do escritor, o longa utiliza uma edição fragmentada, que mistura as diversas fases de sua saga. Carolina Kotscho diz por quê: “Escolhemos o caminho mais difícil. Mas a melhor definição veio de uma pessoa simples, depois de uma sessão de teste de público, que disse que é exatamente assim que contamos uma história para alguém. Por associações, sem uma linearidade".

Ainda de acordo com a roteirista, a ideia de ter também o Paulo Coelho de hoje no filme é para mostrar "que as coisas se repetem, como um espiral". "Era um roteiro difícil,que ficou melhor com a chegada do Dani", disse ela, referindo-se ao diretor Daniel Augusto. 

Augusto, no entanto, não foi a primeira opção dos produtores para dirigir o longa. Segundo a equipe, que não cita nomes, outro cineasta chegou a ser convidado, mas não pôde assumir a direção por motivos de agenda. O mesmo aconteceu com o papel de Coelho. Andrade entrou no filme após a produtora Ione de Macedo vê-lo em "Gonzaga". “Não sei qual foi a relação que ela fez com o Paulo", brincou o ator.

Na coletiva, Andrade ainda comentou sobre ter contracenado com a atriz espanhola Paz Vega, que vive uma espécie de síntese de todas as mulheres com quem Coelho se envolveu nos anos 70. “Eu tinha uma paixão platônica pela Paz. Em parte pelo filme 'Lucia e o sexo'. Nossa senhora...", brincou. “Mas foi um encontro bem bonito."

Assista abaixo ao trailer de "Não Pare na Pista":