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Último filme de Wilker abre Gramado com o ator em papel de psiquiatra

Mariane Zendron

Do UOL, em São Paulo

07/08/2014 15h00

Em sua última atuação no cinema, José Wilker teve a oportunidade de interpretar um psiquiatra assertivo e amoroso, muito diferente dos papéis que vinha fazendo na época (segundo semestre de 2012), como o abusivo Coronel Jesuíno da novela "Gabriela". Apesar de pequeno, o papel, que serviu de respiro para o ator, poderá ser visto no suspense "Isolados", filme que abre a 42ª edição do Festival de Gramado, do qual Wilker era um dos curadores. "Pra mim é um orgulho", diz o diretor do longa, Tomás Portella. No dia 18 de setembro, o filme estreia em circuito nacional. 

Ao UOL, Portella contou que já havia trabalhado com Wilker como assistente de direção em "Giovanni Improtta", filme roteirizado e dirigido pelo ator, que morreu aos 69 anos, no último mês de abril, vítima de um infarto fulminante. No set de filmagens, Portella conheceu Mariana Vielmond, filha de Wilker com Renée de Vielmond. Na ocasião, a atriz apresentou um roteiro a Portella, que depois daria origem a "Isolados", protagonizado por Bruno Gagliasso e Regiane Alves.

"A ideia de fazer Wilker participar do filme surgiu bem no começo do projeto. Quando fiz o convite, ele foi fofo e receptivo, topou na hora. Foi uma boa parceria porque ele entrava nos trabalhos de cabeça e era muito focado", contou. Sempre envolvido em outros projetos na televisão, Wilker filmou apenas dois dias, mas o resultado alegrou a equipe do longa. "Na época, ele estava fazendo sempre personagens mal-humorados. Nesse filme, fez um psiquiatra calmo, assertivo, amoroso. Foi legal levar ele para fora do que vinha fazendo. Só não dá para dizer que é um papel que ele nunca tinha feito na vida, porque ele fez de tudo"

Homenagem

Antes mesmo de descobrir que seu filme abriria o Festival de Gramado, Tomás preparou uma homenagem a Wilker. No final do longa, uma frase de Wilker que fala sobre a eternidade dos filmes acompanhará um plano no qual o ator aparece, que não foi usado na produção. "É uma frase bonita, que diz que o filme que estamos vendo é de ontem, e cabe a nós levá-lo para a posteridade."

Além da homenagem a Wilker, Portella comemora o fato de poder levar a um festival de renome um gênero que não é comum no cinema brasileiro, o suspense. "Quando eu era mais novo e ia a uma videolocadora, via as prateleiras de ação, comédia, suspense e brasileiro. Brasileiro era um gênero, mas acho que podemos fazer de tudo. O público compra o suspense americano. Se for bem feito, não vejo motivo para não comprarem o brasileiro também."

Com baixo orçamento, "Isolados" conta a história do psiquiatra Lauro (Gagliasso) e de sua namorada Renata (Regiane Alves), uma insegura artista plástica, paciente da clínica onde Lauro trabalha. Com o relacionamento abalado, o casal decide alugar uma casa na serra para descansar. Só que há relatos de que pessoas que estão sendo assassinadas naquela região.

A fórmula do suspense

Ainda de acordo com Tomás, "Isolados" tem muitos elementos clássicos do suspense, que vão fazer com que os espectadores gostem do filme. No entanto, também houve a preocupação de evitar alguns clichês do gênero. "Para dar um exemplo, em filme de suspense, quando o cara ouve um barulho do lado de fora da casa, ele sai para ver o que é. Em 'Isolados', não. Ele tranca a porta e só sai de lá em caso de extrema necessidade. Quisemos evitar situações inverossímeis." 

Para o diretor, um dos maiores desafios foi aprender a provocar medo e sustos. "As cenas de susto foram na tentativa e erro. No começo, não assustavam ninguém. Levamos um tempo para entender a mecânica do susto e da tensão. É uma mecânica muito particular do suspense. Tivemos que desenvolver um pouco na raça e depois na edição."

Gramado receberá a primeira exibição pública do filme. "A expectativa é sempre muito grande, porque deu muito trabalho, mas eu tenho um feeling de que vai agradar bastante. Só não vai agradar quem não gosta de suspense." No mesmo dia, Gramado também exibe o primeiro filme da competição nacional, "A Despedida", de Marcelo Galvão. O longa mostra o amor entre um homem de 90 anos e uma mulher 50 anos mais jovem, com Nelson Xavier e Juliana Paes.