Filmes e séries

Carlitos representava a resistência à autoridade, diz filha de Chaplin

Estela Monteiro

Do UOL, em Brasília

29/08/2014 19h59

Homenageada na terceira edição do Brasília International Film Festival, que acontece até o próximo dia 6, Geraldine Chaplin mostrou que jovialidade e bom humor não têm idade. Aos 70 anos, a atriz, dona de uma mente perspicaz e inteligente, tem disposição de adolescente.

Filha de Charles Chaplin, cresceu nos sets de filmagem. Com apenas oito anos, estreou em "Luzes da Ribalta" (1952), antepenúltimo filme de uma das maiores lendas do cinema. De lá para cá, participou de mais de cem produções.

Em conversa com o UOL, Geraldine falou sobre família, carreira, fama e, claro, Charles Chaplin. "Ele queria que eu e meus irmãos seguíssemos carreiras 'decentes'. Ele desejava filhos médicos, advogados, engenheiros". Leia abaixo a entrevista.

UOL - O que representa Carlitos para você?

Geraldine Chaplin - Carlitos é o meu herói. E acho que hoje, depois de cem anos, ele ainda está vivo. Ainda é uma inspiração para todos. Ele representa uma forma de resistência à autoridade. Acho que todos precisam disso, de alguma forma. Todos precisam desafiar um pouco as estruturas. Qualquer um pode se identificar com Carlitos.

Seu pai, durante muto tempo, se opôs à sua escolha de seguir a carreira de atriz. Como você disse a ele que queria isso?

Eu nunca disse ao meu pai que queria atuar. Eu sabia exatamente qual seria a reação dele. Ele queria que eu e meus irmãos seguíssemos carreiras “decentes”. Ele desejava filhos médicos, advogados, engenheiros. Quando comecei, como bailarina, ele já não gostava. Mas, à medida que minha carreira foi se consolidando, fomos nos reconciliando e ele acabou por aceitar.

Em "O Garoto", Chaplin interpretou um pai sensacional, muito presente. Como ele era em casa?

A diferença é que meu pai tinha mais dinheiro que o pai de O garoto (risos). Meu era muito disciplinado e trabalhava em casa. Nós os víamos todos os dias. Ele trabalhava em seu estúdio, muito concentrado. Às 18h saía para jogar tênis e retornava uma hora depois. A partir daí, convivíamos como uma família comum. O garoto é um filme fascinante. É visto como uma revolução. Na época, não se podia misturar drama e comédia e meu pai disse: “eu vou fazer”. Pela primeira vez podíamos rir e chorar com o mesmo filme.

Como foi rever "Luzes da Ribalta" na abertura do festival? Você tinha apenas 8 anos naquela época.

Foi muito emocionante. O filme é basicamente um terceiro ato. Foi curioso porque eu estou no meu terceiro ato. Achei muito autobiográfico.

Você começou muito jovem e se manteve até agora em atividade. Como você lidou com a passagem de tempo e a transformação física? Você vai parar de atuar?

A passagem de tempo é um massacre. Envelhecer é desgastante, tanto física como emocionalmente. E é de repente. De um dia para o outro: “sou velha”. Não vejo nada de bonito na velhice. Envelhecer é um país sem mapa. Quanto a me aposentar, não desejo isso. Pode ser que eles me aposentem (risos), mas não é o que eu pretendo.

Nós vemos muitos artistas tendo problemas com a fama. Drogas, depressão. Você chegou a enfrentar algum problema como este?

Não. Não sei porque nunca fui muito famosa ou se porque já nasci neste meio. Nunca tive que lidar com paparazzi, flashes. Sempre tive a minha privacidade. Tive meus filhos, tirava um foto no hospital, depois ia para casa tranquila.

Como é o seu convívio com a família? Você acompanhou o crescimento dos seus filhos? Convive com netos?

Eu não convivo com netos porque eles moram longe. Mas pude ver meus filhos crescerem. Quando fui mãe, decidi que os levaria sempre comigo. Mas acabei tendo muita sorte porque coincidia que durante as filmagens, eles estavam sempre de férias.

Você costuma ir muito ao cinema? Eu li que você assistiu a Transformers.

Não muito. Eu adoro assistir a filmes em festivais. Eu era jurada em um festival onde foi exibido este filme, acho que era "The Dark Side of the Moon" ("Transformers"). Muitas pessoas começaram a sair, mas eu achei desrespeitoso. Assisti e gostei. É muita tecnologia, muito brilho.

O que você acha da tecnologia nos filmes atuais?

Eu acho que os filmes precisam de algo comercial para venderem. Meu pai não acreditava o cinema com som duraria muito tempo. Ele se enganou (risos). O cinema mudo é, sim, mais universal. Mas como seria um cinema mudo com muita violência, com muito sexo? Não sei (risos).

Como é ser sempre perguntada sobre o seu pai, carregar o sobrenome Chaplin?

Com certeza é o maior sobrenome do mundo. Sempre vivi na sombra do meu pai. Mas é uma sombra muita acolhedora, quente e maravilhosa. Eu ficaria chateada se alguém não perguntasse dele. É sempre um prazer falar sobre ele.

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