Filmes e séries

Dwayne Johnson se distancia de The Rock para elevar status em Hollywood

Fernanda Brambilla

Do UOL, na Cidade do México

03/09/2014 06h00

Quando Dwayne Johnson soube que um novo filme sobre Hércules estava em curso, não teve dúvidas. Foi até a casa do diretor, o cineasta Brett Ratner (de "Um Homem de Família" e da franquia "Hora do Rush"), para convencê-lo pessoalmente de que ele era o ator perfeito para o papel do herói.

"Dwayne olhou nos meus olhos e disse: 'Brett, eu nasci para ser Hércules. Você vai ter que confiar em mim'", contou o diretor ao UOL, lembrando da surpresa em ver o homenzarrão californiano de 42 anos e de 1,93m, peitoral de touro e cara de bad boy, em sua sala de estar. "Eu não o tinha em mente para o papel, sinceramente. Para mim, ele era somente The Rock, o ex-lutador, não via nada nele além de um cara extremamente musculoso e careca. E quando o vi, ali, na minha casa, não parei de pensar que jamais havia imaginado que um cara daquele tamanho pudesse ter tanto carisma, ser tão atraente e charmoso."

Há 15 anos, o ator novato Dwayne Johnson, então recém-chegado a Hollywood, já falava em Hércules, mas como um sonho de infância. "O personagem sempre teve um significado especial para mim por ser o primeiro super-herói que existiu. Ele serviu de inspiração para o Super-Homem", contou o ator ao UOL. "Mas eu não tinha contatos, dinheiro, não sabia nem como começar nessa indústria". Naquela época, ele era apenas The Rock, apelido que rende homenagem ao pai, o lutador samoano Rocky Johnson, e que o iniciou no esporte que foi sua primeira carreira.

Mas, hoje, Dwayne Johnson dispensa sutilmente o nome de guerra e se define como um empresário do showbiz. Seu discurso manso e eloquente contrasta com a imagem de brucutu, e é cheio de ambição e expectativas. "Hércules", então, é o primeiro de seus projetos pessoais e, ele adianta com sorriso aberto, serão muitos. "'Hércules' é uma transição. Eu tive a chance de trabalhar em filmes grandes, mas sempre fui parte de uma franquia. É diferente quando o seu nome vem acima do título no pôster do filme. Isso quer dizer mais chances", diz o ator.

Popularidade (e riqueza) em alta

A popularidade de Dwayne Johnson anda em alta e ele colabora. O ator gosta de manter contato direto com os 7,5 milhões de seguidores que possui no Twitter, onde anuncia projetos, publica fotos e faz até pequenos desabafos pessoais online, como quando, há dois meses, sua mãe foi vítima de um acidente de carro que a levou ao hospital. "Quero revolucionar a maneira de como se utilizam as mídias sociais", diz.

Mas a prova definitiva de seu novo patamar em Hollywood veio no ano passado, quando Johnson esteve no topo da lista de atores mais bem pagos da revista "Forbes", com um ingresso de US$ 1,3 bilhão, à frente de nomes como Robert Downey Jr. e Steve Carell. Um feito curioso para um ator que só viu a carreira decolar após uma década, quando a parceira com blockbusters o alçou ao estrelato.

Com sua entrada em "Velozes e Furiosos 5" (2011), o título lucrou US$ 600 milhões, quase o dobro do que o filme anterior. No ano seguinte, Johnson herdou de Brendan Frasier a sequência "Viagem 2: A Ilha Misteriosa", uma aventura que superou US$ 300 milhões. No ano passado, veio "G. I. Joe", ao lado do ídolo Bruce Willis, outros quase US$ 400 milhões de bilheteria. Ainda em 2013 Johnson filmaria "Velozes 6", um turbilhão de ação que beirou os US$ 800 milhões. A sétima parte da franquia que parece inesgotável, aliás, está prevista para abril de 2015.

Os ensinamentos de Hollywood

Nada mal para quem entrou na indústria cinematográfica quase por acaso. Hollywood o recebeu como a um animal exótico: a força física, o corpo tatuado com tribais e o porte avantajado o levaram facilmente a trilhar o caminho dos filmes de ação. "Quando cheguei em Hollywood, fiz 'O Retorno da Múmia' (2001). Naquela época, Arnold Schwarzenegger, Bruce Willis e Sylvester Stallone eram os maiores astros do mundo. E os três foram muito acolhedores, e me disseram: 'Você tem um futuro aqui, cara. Só precisa persistir, trabalhar duro e manter o foco'. Eu nunca esqueci esse dia".

Divulgação
Em "O Fada do Dente", Dwayne é um jogador de hóquei que só faz sucesso por causa de suas violentas faltas Imagem: Divulgação

Antes de sua recente escalada por filmes arrasa-quarteirão, porém, Johnson teve sua boa porção de escolhas equivocadas, como "O Fada do Dente" (2010). No âmbito pessoal, chegou ao fim o casamento com Dany García, seu amor de colegial e com quem tem uma filha, Simone, de 12 anos. A má fase trouxe a certeza de que ele precisava retomar o foco.

"Hércules", hoje, traz a ele uma lembrança desse período de fraqueza. "Ele [Hércules] perdeu a fé em si mesmo e eu passei por isso. Tive meu momento em que me senti preso, estagnado, sem poder me libertar", conta o ator. "Todos nós já passamos por algo assim, uma grande decepção ou depressão. Só há uma saída: Juntar forças e encarar o que estiver nos derrubando", pondera.

O novo Schwarzenegger

Na apresentação de "Hércules" na Cidade do México, o diretor Brett Ratner chama Dwayne Johnson, com um físico ainda mais impressionante, de "o novo Schwarzenegger". Johnson agradece, tímido, mas quer deixar esse tipo de comparação também para trás. "Eu me sinto lisonjeado, é claro. Mas eu quero mais dessa indústria", diz.

Depois de "Hércules" virá "San Andreas", drama sobre um terremoto que leva no título o nome da falha geológica na região da Califórnia, filmado na Austrália e previsto para 2015. Nesse mesmo ano ele estreará no universo dos quadrinhos com "Shazam", da DC Comics. Antes disso, em novembro, debuta na TV na série "Ballers", da HBO, em parceria com Mark Wahlberg. "Nesse papel não vai ter nada de força, só o meu charme e minha boa aparência", brinca.

Se Dwayne Johnson estará tranquilo desinflando músculos, ainda é cedo para dizer. Talvez seja essa a sua prova de Hércules. "Eu não sei se algum papel no futuro vai me exigir tanto e, se isso nunca mais acontecer, tudo bem. Acho que me despedi com um patamar difícil de superar".

Trailer legendado de "Hércules"

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