Cinema

Ousado, "Lenda do Santuário" reinventa Cavaleiros do Zodíaco para novos fãs

Claudio Prandoni

Do UOL, em São Paulo

Duas décadas atrás o anime "Cavaleiros do Zodíaco" conquistou enormes legiões de fãs no Brasil, ajudando a abrir as portas do mercado nacional para desenhos animados orientais e mangás. Hoje, o filme "A Lenda do Santuário", o primeiro longa-metragem em computação gráfica estrelado pelos heróis, busca repetir o feito e apresentar os personagens a uma nova geração de apreciadores mirins --ou nem tanto-- da cultura pop nipônica.

O resultado é competente e muito ousado, com potencial de sobra para cativar novos admiradores de Seiya, Shiryu e companhia, mas dificilmente será unanimidade entre fãs antigos. "Lenda do Santuário" reconta a Saga do Santuário, não necessariamente a melhor, mas sim a mais conhecida aventura estrelada pelos defensores de Atena.

Em ritmo de videoclipe, sem explicações muito detalhadas, os primeiros minutos despejam todas as informações necessárias: uma força maligna surge em uma espécie de reino mágico chamado Santuário e trama assassinar a reencarnação da mitológica deusa Atena, que é protegida por guerreiros poderosos que utilizam armaduras inspiradas em constelações.

Um deles é o cavaleiro do signo de Sagitário, que descobre o esquema e tenta salvar Atena, então ainda um bebê, mas ele é abatido pelos cavaleiros de Gêmeos e Capricórnio. Ao menos, a bebê é entregue a um rico empresário japonês que cria a menina e treina cinco garotos para se tornarem cavaleiros e protegerem a deusa quando ela completar 16 anos.

Para quem assistiu ao anime original, a sensação é de que tudo é contado rápido demais e que faltam detalhes. A partir do momento em que o quinteto chega ao Santuário e engata uma série de batalhas ferozes, o ritmo cede e se alonga em momentos mais importantes.

Novos rumos para velhas histórias

Uma decisão acertada da produção de "Lenda do Santuário" foi a de mudar certos trechos da história. As alterações ajudaram a sintetizar melhor a história e contá-la de forma decente em pouco menos de uma hora e meia de filme, buscando corrigir equívocos da trama original, do mangá e anime. Em contrapartida, os ajustes trazem concessões frustrantes, em especial sobre os cavaleiros Ikki de Fênix e Afrodite de Peixes, que mal participam da história.

Ousadia é bem vinda, mas nem sempre é sinônimo de alegria. Na história original, o cavaleiro de Câncer era um dos mais estranhos da turma, fato que só piorou em "Lenda do Santuário": os produtores tentaram criar um segmento musical à la Disney --concedendo, inclusive, ao cavaleiro visual e trejeitos de Jack Sparrow--, mas o resultado é lamentável, sem graça e totalmente fora de sintonia com o filme. A batalha final também gera controvérsias: não é ruim, mas foge demais não só da história original como também do estilo até então consolidado da série.

Trailer dublado de "Lenda do Santuário"

Entre tantas novidades e mudanças, o próprio visual do filme gera opiniões divergentes. "Lenda do Santuário" é incrivelmente bonito, com modelos tridimensionais bem animados e detalhados, e computação gráfica de ponta. Mas as armaduras dos heróis ganharam ares tecnológicos, com luzes que acendem e partes que se movem e se transformam, como se fossem robôs, e elmos que se fecham completamente --algo nunca visto no mangá ou no anime.

Mais polêmicas ainda são as armaduras dos 12 cavaleiros de ouro, que ganharam estilos encorpados, quando não espalhafatosos. Preste atenção, por exemplo, na armadura de Touro: precisa mesmo de todos aqueles pares de chifres? O exagero incomoda e, em alguns casos, como no próprio Touro, tira um pouco o impacto de trechos da história.

Uma lenda para o futuro?

Não dá para falar de Cavaleiros do Zodíaco sem citar a famosa e excelente dublagem brasileira do desenho animado. "Lenda do Santuário" preserva as principais vozes da trama, incluindo Hermes Baroli como Seiya de Pégaso, Leticia Quinto como Saori, e Élcio Sodré como Shiryu.

"Lenda do Santuário" traz uma proposta bastante ousada, buscando reinventar os Cavaleiros do Zodíaco e apresentá-los como algo tão divertido e empolgante para uma nova geração de fãs quanto foi 20 anos atrás para a molecada que cresceu. As mudanças e concessões feitas para isso são sentidas e certamente vão desagradar fãs mais antigos e puristas, mas o resultado está longe de ser ruim.

Encarar com mente aberta e relevar as mudanças é chave para a diversão. Ao final da sessão, é mais provável que você se empolgue para ver outra aventura dos Cavaleiros neste estilo do que torcer o nariz para a produção.

Power Up! #60: "Cavaleiros do Zodíaco" em 3D

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