Filmes e séries

Excesso de público causa tumulto em sessão de cinema no cemitério

Carlos Minuano

Do UOL, em São Paulo

14/09/2014 08h00

Um público acima do esperado causou tumulto na 8ª edição do Cinetério, mostra de filmes de terror que aconteceu no Cemitério da Consolação, em São Paulo, na noite deste sábado (13) e que avançou até alta madrugada. Um aguardado protesto de pessoas com familiares enterrados no local, contrários ao evento, não ocorreu. Mas o clima ficou tenso pelo excesso de gente que ficou do lado de fora.

A capacidade máxima do espaço era de 200 pessoas, e por volta de 22h30 a fila já dobrava o quarteirão, chegando até a rua Sergipe. Logo após o início da primeira sessão, já com os portões fechados, seguranças tiveram dificuldades para conter um princípio de confusão na entrada.

Mais de mil pessoas esperavam para entrar. "Tentaram invadir à força, chegaram até a queimar minha mão com um cigarro", disse uma funcionária. Rafael Medeiros, que estava com um grupo de oito pessoas, reclamou da desorganização do evento. "Não teve divulgação de que havia limite de lugares".

A assessoria da mostra de filmes afirmou ter divulgado a capacidade do espaço. Entretanto, o guia de programação distribuído no cemitério não incluía a informação. Com o objetivo de amenizar a situação, a produção improvisou um rodizio. Desta forma, pessoas que não entraram na primeira sessão, puderam entrar nas outras duas.

Já era pouco mais de 1h quando Mario Pina finalmente conseguiu entrar com um grupo de amigos. Todos em festa. Ele chegou por volta de 22h30, e esperou por três horas, mas disse que valeu a pena. “Vou realizar um sonho de infância, assistir um filme de terror dentro de um cemitério”, comemorou.

Museu a céu aberto
Apesar do sucesso de público, o evento tinha sido alvo de críticas por parte de familiares com mortos no cemitério. Além de alegar desrespeito, apontaram falhas de segurança no local e constantes violações nos túmulos. Embora tivessem anunciado um protesto para a ocasião, a reportagem do UOL não localizou nenhum representante desse grupo no local.

Lúcia Salles, superintendente do Serviço Funerário Municipal, concorda que o cemitério tem problemas. “Todas as noites, drogados pulam o muro para furtar peças de bronze”, diz. Em 2013, segundo ela, foram registrados mais de 400 furtos, além de invasões para consumo de drogas. A superintendente defende como solução a ocupação do local com atividades culturais. “O cemitério é um parque de memórias e vida, não é um lugar triste nem fúnebre, como tal deve ser integrado como um espaço de cidadania, afinal é um patrimônio de todos nós”.

Cinema no cemitério
O Cinetério existe desde 2007, no cemitério da Nova Cachoeirinha, na zona norte da cidade. Esse ano, ele integra a programação do Mês da Cultura Independente, organizado pela Cinemateca Brasileira e Galeria Olido, que reúne, até o fim do mês, atrações gratuitas de música, teatro, dança e artes visuais.

“Decidimos fazer um especial dedicado ao cinema de horror e a diretores que incursionaram por esse gênero ainda não muito conhecido”, afirma Rafael Carvalho, da equipe de curadoria da mostra. Em um telão no corredor de entrada do cemitério, foram exibidos três filmes em cópias 35mm, restaurados pela Cinemateca.

Abriu a noite o longa “As Sete Vampiras” (1986), de Ivan Cardoso, seguido de duas produções do polo cinematográfico da Boca do Lixo, reduto do cinema marginal entre as décadas de 1970 e 1980, “Ninfas Diabólicas” (1978), de John Doo e “Excitação” (1977), de Jean Garrett.

O único representante do cinema de terror brasileiro presente foi o ator, cineasta e líder satanista Toninho do Diabo, ou António Aparecido Firmino. Autodenominado "filho do capeta", ele procurou acentuar o clima de horror da noite. “O mundo do além está muito feliz hoje”, disse incorporado em seu personagem, de chapéu e capa preta.  

Parte do público nem sabia quais filmes seriam exibidos. Estavam atraídos mais pelo inusitado da experiência. “Não faço a menor ideia do que vai passar, você sabe?”, perguntou à reportagem do UOL, o músico Yago Brasil. “Vim mais pelo cemitério”, explica em seguida.

Mas gente interessada em cinema também marcou presença. Giuseppe Pieri foi para ver os filmes, e elogiou a escolha do local. “Tem o clima certo”. Pra ele, agradou também o fato da programação não incluir nenhum filme do Zé do Caixão, o cineasta José Mojica Marins. “Respeito a obra dele, mas virou uma grife de terror, é o que a maioria conhece, só que existem outras coisas”.

A combinação dos dois, cinema e o espaço improvável, foi o que atraiu Mariana Macedo. “Achei uma audácia muito grande trazer cultura para dentro do cemitério”. Ela concorda que pode parecer desrespeitoso para familiares de mortos, mas acredita que há um tabu em torno da questão. “Precisamos repensar o que é um cemitério”, diz.

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