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Expoente da Boca do Lixo, cineasta Chico Cavalcanti morre aos 72 anos

Do UOL, em São Paulo

01/10/2014 10h14

O cineasta Francisco de Almeida Cavalcanti, mais conhecido como Chico Cavalcanti, morreu na madrugada desta quarta-feira (1), aos 72 anos.

Um dos mais importantes realizadores do movimento Boca do Lixo em São Paulo, marcado por filmes de baixo orçamento e com forte apelo sexual nos anos 70 e 80, Cavalcanti estava internado em São Paulo, no Hospital do Servidor Público Estadual, para tratamento de um câncer no intestino. 

Atualemtne, o diretor estava ajudando o filho, Fabrício Cavalcanti, na montagem e na edição do documentário “Meu Pai a 24 Quadros”, uma homenagem a ele, e reescrevia o roteiro de "A Irmã do Demônio", um projeto seu com José Mojica Marins, criador e intérprete do personagem Zé do Caixão, que estava parado há 20 anos.

“Ele estava no processo de adaptação do roteiro, que seria a continuação de ‘A Hora do Medo’. Ele pretendia descartar 20% do material filmado há 20 anos, com produção do Mojica, porque na época ele não conseguiu lançar e não estava satisfeito com os efeitos da época”, contou Fabrício Cavalcanti, ao UOL.

Mojica, que esteve internado recentemente, era um grande amigo de Cavalcanti. “Eles se comunicavam por telefone no hospital. Nunca deixaram de se falar”, conta o filho.

Ainda não há informações sobre velório e enterro do cineasta.

Trajetória
Chico Cavalcanti nasceu na cidade de Poá, em São Paulo, e iniciou sua trajetória dirigindo filmes policiais, depois pornochanchadas, produções eróticas e finalmente sexo explícito.

Ficou conhecido por  “O Porão das Condenadas” (1979), "Aberrações de uma Prostituta" (1981), "Ivone, a Rainha do Pecado" (1984), "Os Violentadores de Meninas Virgens" (1983) e "Almas Marginais" (1984). Em muitos desses filmes, também atuava. 

Gugu Liberato (centro) contracena com Pedro de Lara (à dir.) em  "Padre Pedro e a Revolta das Crianças'", de Chico Cavalcanti - Reprodução
Gugu Liberato (centro) contracena com Pedro de Lara (à dir.) em "Padre Pedro e a Revolta das Crianças'", de Chico Cavalcanti
Imagem: Reprodução
Outro destaque de sua filmografia foi “Padre Pedro e a Revolta das Crianças” (1984). Aproveitando a popularidade de Pedro de Lara no júri do show de calouros de Silvio Santos, Cavalvanti o transformou em protagonista do, um padre que combate as forças do mal, assumidas por Zé do Caixão. 

Ambientado na fictícia cidade de Serinhaém, o filme ainda traz Gugu Liberato no papel de outro padre. Mirando o público infantil, o longa acabou agradando mais adultos fãs de cinema não-convencional.

Aproveitando sua semelhança física com Charles Bronson, Cavalcanti assumiu o papel principal e dirigiu, ao lado de Clery Cunha, "Horas Fatais - Cabeças Trocadas" (1987), uma adaptação de "Desejo de Matar", na qual incluiu cenas de sexo explícito. 

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