Filmes e séries

Mulheres conquistam espaço e transformam homens em coadjuvantes no cinema

Silvana Arantes

Do UOL, em São Paulo

12/11/2014 05h00

Os homens que se cuidem. Maioria entre o público frequentador de salas de cinema no Brasil há pelo menos dois anos, as mulheres também vêm ganhando terreno nas temáticas dos longa-metragens mais vistos no país. Seja no internacional "Malévola" ou nos nacionais "SOS Mulheres ao Mar" e "Os Homens São de Marte... e É para Lá que Eu Vou", os personagens masculinos são meros coadjuvantes das peripécias femininas.

Sucessos de bilheterias nacionais, “Os Homens São de Marte... e É para Lá que Eu Vou” e “SOS Mulheres ao Mar” têm, juntos, 22% do total de público e renda dos 89 títulos brasileiros lançados até outubro passado, segundo dados da Agência Nacional do Cinema (Ancine). Somados, os dois filmes levaram às salas 3,5 milhões de um total de 15,9 milhões de espectadores que viram alguns dos 89 filmes nacionais lançados este ano até o mês passado e ocupam, respectivamente, o segundo e o terceiro lugares entre os brasileiros mais vistos neste ano --em primeiro, está "O Candidato Honesto", de Roberto Santucci.

No cenário internacional, os números que apontam um avanço dos filmes que têm uma heroína como protagonista são ainda mais robustos. “Frozen – Uma Aventura Congelante”, que gira em torno de duas princesas, desbancou “Toy Story 3” como a animação mais bem-sucedida do cinema, ao acumular, até abril deste ano, renda de US$ 1,1 bilhão (R$ 2,8 bilhões).

Veja o trailer de "Jogos Vorazes: A Esperança - Parte 1"

Já na seara dos filmes de ação, Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence) se destaca como a protagonista da franquia “Jogos Vorazes”, que abocanhou US$ 1,5 bilhão (R$ 3,8 bilhões) com os dois primeiros filmes. Com isso, ela se tornou a heroína de filmes de ação mais rentável da história do cinema. Uma posição que deve se solidificar ainda mais com a estreia de “Jogos Vorazes: A Esperança - Parte 1”, previsto para chegar ao Brasil no próximo dia 20.

Com representantes como “Malévola” --que é líder de renda no Brasil neste ano, com R$ 73,6 milhões, e subverte os clichês do “sexo frágil”--, surge a questão: além de haver agora mais filmes centrados em mulheres, há também uma injeção no cinema do "novo feminismo", propagado por nomes da cena pop como Beyoncé e Emma Watson?

A cineasta Sandra Werneck, que prepara para o ano que vem o lançamento de “O Pequeno Dicionário Amoroso 2”, filme que, segundo ela, traça estudo sobre as relações amorosas, observa que, nos 16 anos que separam a primeira edição do “Dicionário” da segunda, “o papel da mulher mudou muito, no sentido de ela ser dona da sua própria vida, da sua própria história, de estar inserida no mercado de trabalho e ser mais capaz de fazer suas escolhas. Por isso, hoje se fala tanto da alma feminina no cinema”.

Autoafirmação x padrões de beleza

Para Sandra, no entanto, não se pode dizer que um novo feminismo entrou em cena, considerando-se a pressão social que fixa um determinado padrão de beleza como valor feminino, que é incorporada por muitas mulheres.

“Se você ficar olhando a internet, o Twitter, a mídia, parece que só mulher bonita chega lá. Essa pressão toda faz com que haja dois lados da moeda. Existe a mulher que de alguma maneira se aliena nesse mundo [das aparências] e fica por ali. E existe a outra mulher, que quer mais da vida, tanto nas relações pessoais, quanto no mercado de trabalho”, diz a cineasta.

sandra

  • Se você ficar olhando a internet, o Twitter, a mídia, parece que só mulher bonita chega lá. Essa pressão toda faz com que haja dois lados da moeda. Existe a mulher que de alguma maneira se aliena nesse mundo [das aparências] e fica por ali. E existe a outra mulher, que quer mais da vida, tanto nas relações pessoais, quanto no mercado de trabalho

    Sandra Werneck, cineasta

Um exemplo desse conflito entre autoafirmação e a busca por padrões de beleza é a personagem Fernanda (Mônica Martelli), protagonista de “Os Homens São de Marte...”. Depois de conquistar independência financeira e sucesso profissional, aos 40 anos de idade, ela desenvolve uma ansiedade crescente por não ter um marido disposto a ter filhos com ela.

Veja o trailer de "Os Homens São de Marte..."

“Fernanda é uma mulher moderna, que se dedicou ao trabalho, à carreira e, de repente, o tempo passou. Depois dos 30, sem marido e filhos, a maioria das mulheres entra em desespero. Afinal, óvulo tem prazo de validade. Esse é o ponto com que as mulheres mais se identificam, pois já passaram por isso ou conhecem alguém na situação. Mas Fernanda é uma romântica, acima de tudo. Não é feminista”, afirma Bianca Villar, produtora do filme.

Ainda segundo Bianca, "Os Homens São de Marte...", que teve origem em uma peça homônima também estrelada por Mônica Martelli, é "um filme feito para as mulheres”. E o fato de antes ter alcançado grande sucesso no teatro convenceu a produção de que o longa ia atrair o público feminino.

peregrigo

  • Pode haver uma tendência a não se produzir um filme mais voltado para esse ou aquele sexo. Todos os filmes de super-heróis têm um romance ou uma tragédia romântica. As comédias brasileiras, a maioria pelo menos, também tentam seguir esse caminho de tornar o filme mais palatável para todos os espectros. Se é bom ou ruim, não sei.

    Jorge Peregrino, presidente do Sindicato dos Distribuidores do Rio

Para o presidente do Sindicato dos Distribuidores Cinematográficos do Rio de Janeiro, Jorge Peregrino, porém, não se pode dizer que há uma tendência no mercado de cinema de visar a audiência feminina. “Pode haver uma tendência a não se produzir um filme mais voltado para esse ou aquele sexo. Todos os filmes de super-heróis têm um romance ou uma tragédia romântica. As comédias brasileiras, a maioria pelo menos, também tentam seguir esse caminho de tornar o filme mais palatável para todos os espectros. Se é bom ou ruim, não sei.”

O que está claro, para Peregrino, é que permanece em vigor uma regra não escrita do cinema no Brasil: a de que o sucesso de um filme é determinado pelo público feminino, já que, na hora de um cineminha a dois, são elas que escolhem o que ver. Ou seja, na bilheteria, o poder está do lado das mulheres.

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