Cinema

"Debi & Lóide 2" reúne Jim e Jeff após astros terem tomado rumos diferentes

Ana Maria Bahiana

Do UOL, em São Paulo

Quando “Debi & Lóide 2” estrear nesta quinta-feira (13), vai encontrar seus astros, Jim Carrey e Jeff Daniels, em posições  bem diferentes, não apenas entre si, mas também no quadro geral da indústria cinematográfica.

Vinte anos atrás, quando o primeiro “Debi & Lóide” estreou, Jim Carrey estava no auge da fama. Depois de participações em seriados e telefilmes no Canadá (onde nasceu) e nos EUA, sua passagem pelo elenco do programa “In Living Color”, somada ao sucesso de “O Máskara”, havia catapultado Carrey para o posto de jovem estrela da comédia, aparentemente da noite para o dia. A escolha do projeto dos irmãos Peter e Bobby Farrelly foi um risco bem calculado: os dois haviam criado a reputação de roteiristas-sensação da série “Seinfeld” e tinham adoração pela comédia rasgada e surreal de outra dupla de irmãos, Davidi e Jerry Zucker, sucesso na década de 1980 com “Apertem os Cintos... o Piloto Sumiu” e “Loucademia de Polícia”. “Debi & Lóide” podia ser um projeto de estreantes, mas tinha tudo a ver com o tom alucinado, hiperativo e superfísico de Carrey.

Quem estava razoavelmente na sombra, na época, era Jeff Daniels. Sete anos mais velho, Daniels já era um ator com carreira estabelecida, sólida. Nunca tinha sido estrela, mas isso nunca foi seu objetivo –era o tipo de ator versátil com que diretores contavam para qualquer tipo de projeto, do terror (“Aracnofobia”) ao drama histórico (“Anjos Assassinos”).

Para comprovar a diferença de percepção dos dois, Jim Carrey recebeu um cachê de US$ 7 milhões por seu trabalho em “Debi & Lóide”. Já Jeff Daniels ficou com meros US$ 50 mil.

Impacto nas carreiras

O imenso sucesso de “Debi & Lóide”, em 1994 –US$ 250 milhões na bilheteria mundial– teve, na verdade, mais impacto sobre a carreira de Carrey do que de Daniels. Carrey voou pela década de 90 com uma sucessão de personagens extremos em comédias alucinado-pastelão –“Ace Ventura”, “Eu, Eu Mesmo e Irene” e “O Pentelho”. Com “O Show de Truman”,  em 1999,  e “O Mundo de Andy”, em 2000, Carrey sinalizou claramente sua tentativa de se afirmar como um ator e não mais apenas um comediante alucinado.

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Jim Carrey ao lado de Cameron Diaz, em "O Máskara" imagem: Divulgação

Mas esta é uma indústria cruel: quem faz o sucesso que Carrey fez nos anos 1990 está condenado a ter que repeti-lo. Não importa que ele tenha sido ótimo em “Cine Majestic” ou “Brilho Eterno de Uma Mente sem Lembranças”. Os últimos anos têm encurralado Carrey em versões inferiores do que ele fez nos 90, e seu último filme de alguma repercussão, ao menos na bilheteria, foi “Os Pinguins do Papai”, três anos atrás.

Enquanto isso, devagar e sempre, Daniels manteve sua velocidade de voo, trabalhando, nos últimos anos, no cult “Looper”, com George Clooney em “Boa Noite, e Boa Sorte”, com Sam Mendes em “Distante Nós Vamos”. E, é claro, sendo indicado duas vezes e ganhando um Emmy pelo papel que é o exato oposto de “Debi & Lóide”: o âncora Will McAvoy da série “The Newsroom”, de Aaron Sorkin.

Saudade dos amigos

“Foi ideia do Jim”, Daniels explica, numa tarde de sol em Beverly Hills, falando de “Debi & Lóide 2”. “Jim não gosta de continuações, e eu entendo. Queriam que ele fizesse um 'Máskara 2', pressionaram de todo jeito, e ele disse não. Ele fez uma para 'Ace Ventura' e detestou. Mas agora ele queria fazer 'Debi & Lóide' de novo e queria fazer agora, neste momento.”

“Eu não gosto mesmo de fazer continuações”, Carrey diz, alguns dias depois. “Muita gente mencionava 'Debi & Lóide' como uma possibilidade, mas eu descartava. Queria fazer outras coisas. Mas aí, cinco anos atrás, eu revi o filme e me comovi com a interação entre os dois personagens. A amizade que havia entre eles era verdadeira, tão verdadeira quanto minha amizade com Jeff. Senti saudade de Jeff, dos irmãos Farrelly, da turma toda. Queria estar com esse pessoal de novo.”

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Jeff Daniels, em cena da série "The Newsroom" imagem: Divulgação

Saudade, contudo, não passa nem de perto na lista de motivos pelos quais Jeff Daniels decidiu passar do seríssimo Will McAvoy para o mundo surreal de “Debi & Lóide”. “Eu adoro escolher papéis que confundem completamente as pessoas que tentam me colocar em categorias pré-determinadas. E eu gosto de ir buscar aspectos do meu trabalho que são completamente diferentes do que fiz antes ou do que vou fazer depois.”

Numa recente passagem pelo programa “Saturday Night Live”, como convidado especial, Jim Carrey dedicou a maioria dos seus esquetes à demolição de suas personas como Ace Ventura, o Pentelho, o Máskara e até o Charada, de “Batman Eternamente”. O programa foi excelente, bem recebido pela crítica. Mas a plateia ao vivo do “SNL” só explodiu em aplausos uma única vez: quando Jeff Daniels, como o Lóide de “Debi & Lóide”, apareceu de repente em cena no quadro “Reunião da Família Carrey”.

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Jeff Daniels, em cena da série "The Newsroom" imagem: Divulgação

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