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Sucesso de público, Leandro Hassum diz que "mentiras" da crítica incomodam

Cena do filme "Os Caras de Pau", com Marcius Melhem e Leandro Hassum - Reprodução
Cena do filme "Os Caras de Pau", com Marcius Melhem e Leandro Hassum Imagem: Reprodução

Silvana Arantes

Do UOL, em São Paulo

03/12/2014 06h00

O sucesso de público de Leandro Hassum, 41, não se repete no universo da crítica. Muitos críticos torceram o nariz para os filmes que ele protagoniza, nos quais viram poucas qualidades cinematográficas e, em alguns casos, nenhuma graça.

Este fato contrasta com outro. O comediante é o protagonista do longa-metragem brasileiro de maior bilheteria neste ano, “O Candidato Honesto”, com 2,2 milhões de ingressos vendidos --e do quinto colocado no ranking “Vestido para Casar” (1,2 milhão). No Natal, estreia o terceiro filme estrelado por Hassum nesta temporada, “Os Caras de Pau”, com a ambição de ser um arrasa-quarteirão. O lançamento deve ocupar aproximadamente 800 salas.

Tamanha ambiguidade faz com que ele questione a credibilidade dos críticos. “Eu não tenho o menor problema em ser criticado. O que me incomoda nas críticas é a falta da verdade. O cara dizer que foi numa sala de cinema para me assistir e foi constrangedor porque ninguém riu, é mentira.”

A certeza de Hassum é fruto de uma praxe. O ator diz que costuma assistir a “dez, doze” sessões de seus filmes, em diferentes regiões do Rio de Janeiro, para ver de perto a reação do público. “Assistir a meu filme e dizer que ninguém deu nenhuma risada é mentira e, aí, nenhuma palavra desse cara tem credibilidade para mim.”

O comediante estranha também o distanciamento entre a opinião da crítica e a reação do público. “Eu boto milhões de pessoas numa sala de cinema, e as famílias saem gargalhando. Será que está todo mundo errado? Será que eu ser um formador de plateia não conta? Esse ‘gosto’ ou ‘não gosto’ me incomoda profundamente. Sou totalmente avesso à crítica destrutiva.”

A fragilidade que aproxima

Hassum também tem muitos medos. “Medo de altura, de fogo, de avião, de lugar fechado, medo de morrer, de virar mendigo, de barata, de bicho grande, de rato”, enumera o comediante. “Mas uso meus medos a meu favor”, diz. Ele descobriu que expor sua fragilidade produz, aos olhos do público, o efeito de aproximá-lo, não de diminuí-lo.

“Existe uma mistificação com os artistas. Parece que somos semideuses. Acho que isso nos afasta do nosso público. E eu procuro trazer o público para perto de mim, quero que ele seja o meu cúmplice. Gosto de mostrar para o meu público que o que estou falando ali é porque a gente está igual, a gente está no mesmo barco.”

Transformar um ponto fraco num trunfo também foi a estratégia de Hassum para iniciar a carreira como ator. Aos 16 anos, ele era um aluno-problema. Relapso nos estudos, falante e indisciplinado em sala de aula, já havia sido expulso de três colégios. Mas era também o cara mais engraçado da turma e o piadista da família, aquele que divertia os parentes imitando-os.
    
“Ele faz isso para chamar atenção. O que ele quer é aparecer. Coloque-o numa aula de teatro”, foi o conselho que a psicóloga do último colégio em que Hassum estudou deu à mãe dele, uma professora primária que fizera múltiplas tentativas de ajudar o filho a se adaptar à rotina escolar. “Minha mãe já não tinha mais o que fazer comigo. Eu odiava o colégio”, lembra o ator.

No curso no Tablado veio o convite para excursionar pelo Nordeste, percorrendo um circuito de festivais de teatro amador com a peça “Aurora da Minha Vida”, de Naum Alves de Souza. Quando recebeu o sétimo prêmio de melhor ator entre oito disputados, a ficha caiu para Hassum. “Opa, eu faço isso bem. Eu me encontrei aqui.”

$escape.getH()uolbr_geraModulos('embed-citacoes','/2014/tiradas-de-hassum-1417564591112.vm')Do Tablado, ele saltou para um curso de teatro em Nova York, com uma bolsa de estudos de três meses. Acabou ficando quase dois anos nos EUA. “Eu me enrabichei com uma bailarina e fui ficando por lá”, conta. Quando o romance terminou, Hassum voltou ao Rio com o coração partido e a convicção de que sua carreira acabara antes mesmo de decolar.

Dois casamentos

Mas não foi bem assim. “Minha família me abraçou de novo no Tablado e foram aparecendo trabalhos, trabalhos, trabalhos.” Hassum seguiu com a carreira de ator e aprendeu como não colocar um ponto final numa relação. Está casado há 17 anos e diz que nunca foi dormir brigado com a mulher. Nem com o também comediante e parceiro profissional Marcius Melhem, que é seu “outro casamento.”

A parceria artística com Melhem começou em 1999 e se fortaleceu na superação de um conflito. Hassum atuava numa peça dirigida por Melhem, e os dois se desentenderam. “Tivemos uma ‘bateção de cabeça’, porque ele é muito ‘caxias’ e eu, muito emoção, com um jeito de criança”, diz Hassum. Diante da discordância, Melhem afirmou: “Adoro teu trabalho, e você gosta do meu. Ou a gente se acerta aqui, ou não vamos mais trabalhar juntos”, lembra Hassum. “Gostei tanto da sinceridade dele que falei: ‘Vamos caminhar juntos’.”

Constantemente autoirônico, Hassum habituou-se a fazer piada sobre seu peso. Quando atingiu os 145 quilos, decidiu enfrentar o medo de operação e se submeter a uma cirurgia de redução de estômago para afastar um medo maior _o de perder a saúde. “Morria de medo. Tenho uma filha de 15 anos. Tenho um casamento maravilhoso. Não posso ficar doente”, afirma.

Com 17 quilos perdidos no primeiro mês após a operação, realizada no início de novembro passado, Hassum continua fazendo piadas com seu peso. Quando estiver magro, que aspecto tomará o lugar no “gordo” em sua autoironia? “O do ex-gordo”, responde, sem pestanejar.

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