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Obama saúda decisão da Sony de lançar filme sobre a Coreia do Norte

Do UOL, em São Paulo*

23/12/2014 21h47

O presidente americano Barack Obama saudou nesta terça-feira (23) a decisão da Sony Pictures de lançar a comédia "A Entrevista", sobre uma trama para assassinar o ditador norte-coreano Kim Jong-Un, apesar das ameaças feitas pelo regime.

"Como o presidente deixou claro, nós somos um país que acredita na liberdade de expressão e no direito à manifestação artística", disse a jornalistas o porta-voz da Casa Branca, Eric Schultz. "A decisão tomada pela Sony e por cinemas participantes permite às pessoas fazer suas próprias escolhas sobre o filme, e nós saudamos este resultado", acrescentou..

A Sony anunciou nesta terça que finalmente vai exibir o filme, com limitações, nos Estados Unidos. A comédia, prevista inicialmente para o Natal, teve o lançamento suspenso na semana passada por causa de ameaças de hackers..

"Nunca desistimos de estrear 'A Entrevista' e estamos muito contentes de que nosso filme vá ser exibido em um certo número de cinemas no dia de Natal", afirmou, em um comunicado, o presidente dos estúdios Sony Pictures, Michael Lynton. Segundo ele, o filme será lançado em outras "plataformas" e em mais cinemas no futuro.

Mais de 200 salas já estão confirmadas para exibir o filme no próximo dia 25. O cinema Plaza Atlanta, na Geórgia (sudeste), comemorou, em sua conta no Twitter, ser "um dos poucos cinemas no país que estreará o filme". O fundador do cinema Álamo, de Austin (Texas, sul), destacou que a "Sony autorizou a projeção de 'A Entrevista' no dia de Natal".

Meios de comunicação americanos já tinham anunciado que a Sony planejava lançar de forma limitada a comédia..

Em entrevista coletiva na sexta-feira, Barack Obama havia dito que a decisão de cancelar a estreia era "um erro". No mesmo dia, o FBI também acusou oficialmente a Coreia do Norte de ser responsável pelo ciberataque contra a Sony, que expôs centenas de e-mails e dados confidenciais de 47 mil pessoas..

Pyongyang negou categoricamente sua participação no ataque, embora o tenha qualificado de "ato legítimo" porque o filme é um "ato de terror sem sentido"..

As conexões de internet na Coreia do Norte sofrem interrupções desde a segunda-feira, o que gerou especulações sobre um eventual contra-ataque americano em represália ao ciberataque contra a Sony em 24 de novembro.

O que é o #SonyLeaks?

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Entenda o caso

Contando a história de dois civis que são enviados à Coreia do Norte para matar o ditador Kim Jong-un, "A Entrevista" gerou críticas do governo norte-coreano desde seu anúncio, e sua estreia foi cancelada após ameaças de ataques terroristas aos cinemas que exibissem o longa. "A Sony Pictures não tem planos futuros de lançamento para o filme", disse o porta-voz do estúdio.

A estreia da comédia também foi cancelada "até segunda ordem" no Brasil, de acordo com a assessoria de imprensa da Sony no país. O filme estava programado para estrear em circuito nacional no dia 29 de janeiro.

As ameaças partiram do mesmo grupo que realizou um ciberataque aos sistemas da Sony Pictures, expondo dados de funcionários da empresa e conversas sigilosas envolvendo grandes nomes da indústria cinematográfica de Hollywood.

Na sexta, depois do anúncio do cancelamento da estreia, os hackers fizeram novas ameaças, exigindo que o filme jamais seja "lançado, distribuído ou vazado em qualquer formato como, por exemplo, DVD ou pirataria".

Por conta do caso, a Fox divulgou também que não irá lançar em março, como previsto, o longa "Pyongyang", do diretor Gore Verbinski, estrelado por Steve Carell. Baseado na graphic novel de Guy Delisle, o suspense retrata experiências de um ocidental que trabalha na Coreia do Norte por um ano.

FBI responsabiliza Coreia do Norte por ataque

O FBI, órgão federal de investigação dos Estados Unidos, anunciou que a Coreia do Norte foi responsável pelo ataque hacker à Sony Pictures.

"Como resultado da nossa investigação e em colaboração com outros departamentos e agências do governo, o FBI agora tem informações suficientes para concluir que o governo da Coreia do Norte é responsável por essas ações", disse a agência em comunicado. "Estes atos de intimidação são um comportamento inaceitável de um Estado", acrescentou o texto.

O país asiático negou o envolvimento no caso e chegou a propor uma investigação conjunta no sábado, mas Washington manteve a posição. "Se o governo da Coreia do Norte quer ajudar, têm que admitir sua culpabilidade e compensar a Sony pelos danos que este ataque causou", indicou em declarações à Agência Efe, Mark Stroh, porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca.

Trailer legendado de "A Entrevista"

* Com informações de agências internacionais