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Sem prof.ª Helena, crianças gravam filme "Carrossel" em colônia de férias

James Cimino/UOL
23.jan.2015 - Dividido em dois grupos no filme "Carrossel", elenco infantil simula enfrentamento no set de gravação do longa, na zona sul de SP Imagem: James Cimino/UOL

James Cimino

Do UOL, em São Paulo

28/01/2015 06h00

As crianças da novela "Carrossel" não param de trabalhar nem nas férias. Desde o começo de janeiro 16 delas estão passando o dia em um acampamento na zona sul de São Paulo rodando o filme inspirado na novela que deve chegar a cerca de 400 salas de cinema no próximo dia 9 de julho.

Sem a professora Helena (a atriz Rosane Mullholand está na novela global "Alto Astral"), o filme será distribuído em parceria com a Televisa, emissora mexicana criadora da novela original, para todos os países da América Latina.

"O mundo dá voltas, né? Antes a gente importava a novela deles. Agora eles importarão um filme interpretado por atores brasileiros. É muito legal. A gente tem fã-clube até na Indonésia", diz Lucas Santos, 14, que no filme interpreta o personagem Paulo Guerra.

O fato de estarem trabalhando durante o período de recesso escolar, no entanto, não é um peso para os, agora, pré-adolescentes. A locação escolhida para o filme é um acampamento de férias com 250 mil m² com diversas atividades e outras crianças, que estão ali efetivamente aproveitando suas férias.

Carrossel 1

  • James Cimino/UOL

    O mundo dá voltas, né? Antes a gente importava a novela deles. Agora eles importarão um filme interpretado por atores brasileiros. É muito legal. A gente tem fã-clube até na Indonésia.

    Lucas Santos, 14, intérprete de Paulo Guerra, sobre o filme de "Carrossel" ser distribuído para toda a América Latina

Segundo os produtores do filme, as estrelas da novela agem com naturalidade e se enturmam com as outras crianças em brincadeiras como polícia/ladrão, jogos de cartas, banhos de piscina, trilhas pela mata e, a grande atração do local: um borboletário que foi incluído na história. Em uma das cenas que a reportagem do UOL acompanhou na última sexta-feira (23), uma borboleta-coruja chegou a contracenar com o ator Gabriel Calamari.

"A gente está trabalhando, mas nos divertimos muito", diz Maísa Silva, hoje uma pré-adolescente de cabelos lisos e gestos comedidos, bem diferente da menina sem papas na língua que era apresentadora mirim nas manhãs do SBT. O tempo para a diversão, diz ela, se deve ao fato de o ritmo de gravações do filme ser muito diferente do ritmo da novela.

"Lá a gente grava até 20 cenas por dia. Aqui são duas, três. É bem diferente o ritmo. No cinema a gente tem que interpretar com mais verdade, porque os diretores falam que a tela amplia as nossas emoções. Então, estou aprendendo muita coisa nova também." Questionada se podia ser considerada uma artista completa, Maísa respondeu com humildade. "Quem sou eu pra dizer isso, né?"

Aventura e romance

Segundo os diretores do filme, Maurício Eça e Alexandre Boury, a história mostra as crianças deixando a escola em direção a uma colônia de férias de propriedade do avô de Valéria (Maísa Silva), interpretado pelo ator Orival Pessini (criador de tipos como Fofão e Patropi). No elenco, Paulo Miklos e Oscar Filho interpretam os vilões da história.

"É um filme que terá muita aventura, mas que traz as crianças para a natureza e os ensina o valor da amizade e do trabalho em grupo", diz Boury. "Como eles são donos dos personagens, a gente aprende muito com eles. Às vezes eles olham para o roteiro e dizem: 'Mas ele não faria isso.' Já colocamos coisas deles no roteiro", completa Eça.

Falando em roteiro, ele foi discutido com Íris Abravanel, mulher de Silvio Santos, que adaptou a trama mexicana para a versão do SBT e pediu que o filme mantivesse um aspecto: "A intenção principal é que essas crianças cresçam com bons valores."

Elas estão cientes da missão. Jean Paulo Campos, o Cirilo, falou da satisfação de ouvir de crianças negras que melhoraram da depressão após assistir à novela. No entanto, o que eles mais querem saber é se vai rolar o beijo entre ele e Maria Joaquina (Larissa Manoela).

Questionados se o filme trataria de forma educativa a descoberta da sexualidade, já que todos estão na pré-adolescência, Guilherme Seta, o Davi, que tem um romance com Valéria na novela e no filme, encerra o assunto com uma tirada impagável: "Aí teria que ser um filme pra maiores de 18 anos!".

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