Cinema

Com novo filme em Cannes, Allen teme que sua 1ª série seja constrangedora

Thiago Stivaletti

Do UOL, em Cannes (França)

Para um diretor que faz um filme por ano, não deve ser difícil escrever uma série, certo? Errado. Convidado pela Amazon a escrever sua primeira série, Woody Allen admitiu nesta sexta (15), no Festival de Cannes, que está numa tremenda crise criativa com o projeto.

"Estou lutando em casa para escrever, achei que ia ser fácil. Mas fazer algo de seis horas e meia... É muito difícil. Espero não desapontar a Amazon. Não costumo assistir a séries.... Estou com medo de me tornar um constrangimento cósmico", brincou.

A Amazon anunciou em janeiro a série, que terá episódios de meia-hora, mas ainda não divulgou mais detalhes do projeto.

Novo filme

Seu novo filme, "O Homem Irracional", exibido no evento francês, segue aquela vertente dos filmes de Woody dedicada ao exame da consciência humana, diretamente influenciada pelo russo Dostoiévski e seu clássico "Crime e Castigo". Está longe de ser ruim, mas não fica a altura de "Match Point" ou "Crimes e Pecados". Na sessão para a imprensa, o longa rendeu aplausos entusiasmados, mas não chegou ao mesmo nível de empolgação dos jornalistas com "Mad Max: Estrada da Fúria", aplaudido três vezes.

Um professor de filosofia em crise existencial (Joaquin Phoenix) chega a uma cidadezinha para dar aula e logo se envolve com uma colega (Parker Posey) e uma de suas alunas (Emma Stone, de "Birdman").

Mas nem o amor das duas consegue tirá-lo do tédio. Até que um dia ele escuta por acaso num café a conversa de uma mulher que está prestes a perder a guarda dos filhos pela decisão de um juiz comprado. Ele decide então matar o juiz para fazer um pouco de justiça ao mundo, e esse novo objetivo o anima como nunca. Não se pode falar mais para não estragar a surpresa, mas claro que as coisas não saem bem como planejado.

Pergunto se, depois de tantos filmes sobre assassinato, Woody já pensou em matar alguém --talvez um de seus produtores. "Claro que sim. Neste momento mesmo", disparou. "Há momentos em que você faz uma escolha irracional. Mas não é tanto assim se compararmos com as escolhas que fazemos na vida. As pessoas precisam de algo pra acreditar. Escolhem religiões, o que também é irracional. Acreditam que, se elas viverem uma vida boa, vão para o céu para o resto da vida. Isso não é menos louco do que cometer um ato desses", filosofou.

Trailer em inglês de "O Homem Irracional"

Seu pensamento niilista continua forte. "Como artista, você tem que passar ao público a ideia de que a vida tem um sentido. Mas você está trapaceando, porque não tem nenhum sentido. Qualquer coisa que você criar vai desaparecer, assim como o Sol, a Terra, Shakespeare, os Beatles. Tudo o que você pode fazer na vida é se distrair e ter alguns bons momentos, se manter ocupado. É o que farei até o dia em que eu for velho... Num futuro muito distante", ironiza.

Aquele velho convite para fazer um filme no Rio continua na geladeira. "Nunca fui ao Rio, nunca fui ao Brasil, então não tenho uma ideia para lá. Quando filmei em Paris ou Barcelona, já tinha estado nesses lugares, tinha ideias pra eles. Prometo que, se surgir uma ideia e eu pensar 'Ei, isso é perfeito para o Brasil!', vou filmar", brincou.

"O Homem Irracional" tem estreia no Brasil prevista para o dia 6 de agosto.

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