Cinema

Depois de "Mad Max", animação da Pixar é filme mais aplaudido de Cannes

Thiago Stivaletti

Do UOL, em Cannes (França)

Cannes bem que tenta jogar os holofotes sobre o cinema de autor, mas até agora os dois maiores aplausos ouvidos nas sessões para a imprensa foram de grandes produções de Hollywood. Depois da ovação a "Mad Max: Estrada da Fúria", hoje foi a vez da plateia de "Divertida Mente" aplaudir a nova animação da Pixar, que estreia no Brasil no dia 18 de junho.

Dá até pena da Dreamworks de Steven Spielberg. Com a Pixar, não tem para ninguém. Depois de "Wall-E" e de "Up - Altas Aventuras", o melhor filme de abertura de Cannes nos últimos anos, "Divertida Mente" parte de uma ideia genial: a cabeça de Riley, uma garotinha de 11 anos, é governada por cinco criaturinhas que são suas principais emoções: Alegria, Tristeza, Raiva, Nojinho e Medo. Elas vão passar por um duro teste quando Riley vive o maior desafio de sua curta vida: os pais decidiram se mudar de Minnesota para San Francisco, e a menina tem que lidar com a saudade dos amigos, a adaptação na nova escola, um caminhão de mudança que nunca chega.

A Pixar vai emendando uma boa ideia atrás da outra: as memórias são pequenas bolinhas coloridas dependendo do seu tom (amarelo para as lembranças alegres, azuis para as tristes e cinza para aquelas que estão se apagando). O lance mais poético do filme: em um dado momento, a Alegria entende que precisa da Tristeza para que as coisas voltem ao normal. Entre as piadas, sobra até para o Brasil: toda vez que a mãe se aborrece com o pai, a equipe em sua mente aciona a memória de um piloto brasileiro bonitão que deu em cima dela uma vez.

Trailer dublado de "Divertida Mente"

Ideia ousada

O diretor Pete Docter (de "Up" e "Monstros S.A.") diz que a ideia surgiu observando sua própria família. "Quando minha filha fez 11 anos, ela começou a ficar mais quieta. Passei a observar o seu comportamento", conta.

"Quando Pete veio com a ideia, sabia que era muito especial, mas também difícil. Tínhamos que falar com público de todo o mundo e fazer algo que todos já pensaram alguma vez, mas nunca viram", disse o todo-poderoso John Lasseter, chefe de criação das animações da Pixar e da Disney.

"Tudo era complicado no filme, e a gente tinha que simplificar. Não para as crianças, que entendem tudo, mas para os adultos", brincou Docter.

Lasseter explicou o longo processo para chegar no resultado final. "Não temos tempo de refazer as cenas, por isso vemos o filme a cada 12 semanas, pra ter uma ideia de como está. Isso dá uns nove ou dez cortes (versões) do filme antes mesmo de começarmos a produção final".

Amy Poehler, estrela do "Saturday Night Live", fez a voz de Alegria na versão em inglês. "É maravilhoso olhar pra dentro do cérebro. Era uma chance bonita de ir a um lugar onde estamos todos os dias". Uma repórter levantou a bola para ela cortar, dizendo que o filme era tão bom que não entendia porque ele não estava na competição pela Palma de Ouro. "Mas o filme ainda pode ganhar, né? Por que não? Lembrem-se, pessoal, é o seu voto e você faz dele o que quiser", brincou, ignorando o júri do festival.

20 anos

Para o estúdio, 2015 é a celebração de um marco: há 20 anos a Pixar lançava "Toy Story", seu primeiro sucesso, o filme mais visto daquele ano nos Estados Unidos.

"Quando comecei, a animação estava quase morta, havia algumas poucas coisas na TV. A Disney fazia um longa de animação a cada quatro ou cinco anos. Havia a ideia de que a animação era pra crianças, mas não é. A Disney nunca fez seus desenhos só pra crianças", lembrou. "Cerca de 250 longas de animação foram feitos em todo o mundo depois de 'Toy Story', e isso me orgulha muito", completa Lasseter, que dirigirá um novo "Toy Story", previsto para 2017.

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