Filmes e séries

Atriz de Jurassic World compara 1º filme da saga com chegada do homem à Lua

Eduardo Graça

Do UOL, em Paris

10/06/2015 06h00

Se Chris Pratt tem tempo de sobra no filme "Jurassic World" para flexionar os músculos --bem cuidados desde o mega-sucesso "Guardiões da Galáxia" (2014)--, pilotar com arrojo sua moto e esbanjar carisma, é a Claire vivida por Bryce Dallas Howard quem serve de fio condutor nesta quarta encarnação da história dos fantásticos dinossauros. Os dois juntos dão o tom cômico defendido pelo diretor Colin Trevorrow como uma das âncoras neste retorno ao universo levado à tela grande pela primeira vez há 22 anos pelo agora produtor-executivo Steven Spielberg.

Filha do diretor Ron Howard, Bryce vive a cientista-chefe de uma equipe que pesquisa os animais na Ilha Nublar, onde abriga um parque temático de dinossauros em pleno funcionamento, como havia sido idealizado por seu criador, John Hammond. É ela quem ajuda a desenvolver o primeiro dinossauro híbrido geneticamente modificado. Mas algo sai errado com a descoberta, e a nova espécie sai do controle.

Em conversa com o UOL, a atriz e diretora de 34 anos atua pela primeira vez em um filme da saga, mas o tema já fazia parte de sua vida desde 1993, quando estreou o primeiro longa. "Para mim foi algo do tamanho do advento do som no cinema. Ou da chegada do homem à Lua", compara ela, recordando que burlou a censura para assistir no cinema, incentivada pelos pais. Ela ainda fala sobre como Kathleen Turner foi crucial, mesmo sem o conhecimento da veterana atriz, para que ela encontrasse a Claire de "Jurassic World", e na alegria e dureza de correr mais de duas horas de dinossauros alterados geneticamente usando sempre saltos altíssimos e um celular cuja bateria jamais acaba. Jamais.

Bryce Dallas Howard - Adorei que você notou este aspecto do celular da Claire. E logo eu, que jamais enfrento fila para comprar aparelho novo e fico esperando amigos me dizerem se vale a pena trocar meu velho aparelhinho. Agora, vamos combinar, se esta for a parte menos crível do filme, saímos todos no lucro (risos).

Divulgação
Bryce Dallas Howard em pôster do filme "Jurassic World" Imagem: Divulgação

UOL - Você se lembra de quando viu o primeiro "Jurassic Park"?
Sim, como se fosse hoje! Tinha 12 anos e fui na abertura, levada pelos meus pais, embora o filme fosse censurado para menores de 13. E foi a única vez que eles fizeram isso. Os dois foram especialmente rígidos na minha criação, mas lembro direitinho de meu pai me falando: "Este você tem que ver". E como eu os agradeci! Foi um filme que, naquele dia, naquele cinema, mudou a minha vida. Nunca havia visto algo como aquilo, o uso de C.G.I., e pensei, imediatamente, mesmo depois de ter frequentado sets de filmagem a vida toda: "Ah, mas então isso é que é cinema, é ser transportado deste jeito para um outro lugar?". Para mim foi algo do tamanho do advento do som no cinema. Ou da chegada do homem à Lua. Lembro que, se eu aprontasse, meu castigo era não poder ir mais aos sets. Como você pode imaginar, fui a mais comportada de minha turma, sempre (risos).

Filmando "Jurassic World", não era perigoso você levar um tombo ao correr daqueles dinossauros todos de salto alto?
Parece brincadeira, mas era perigoso, sim. Demorou um pouco para eu pegar o jeito, mas tinha que fazer. Na história de "Jurassic" estamos acostumados a lidar com cientistas, Claire é a primeira protagonista que vem do mundo corporativo, é uma businesswoman. E uma das representações da força daquela mulher, que administra aquele parque inteiro, mas se recusa a deixar de lado seu lado feminino, é o salto alto. O filme vai rolando e ela vai ficando com uma cabeleira bravia, se vê chafurdando na lama, perde parte da roupa, mas a danada mantém os saltos (risos). A Claire poderia correr uma maratona usando salto agulha. E no fim eu juro que não sentia mais falta de tênis.

Você se inspirou em alguma mulher especificamente para criar a Claire?
Perguntei ao Colin se ele tinha alguém especificamente em mente, e não tinha. Eu gosto de ter uma inspiração real sempre que posso. Também adoro fazer imitações, copiar o gestual, tipo uma macaquinha. Quando eu era mais nova, meu choro era igualzinho, por anos a fio, ao da Claire Danes em "Minha Vida de Cão" (risos), com os lábios tremendo. Mas Colin seguia não me dando pista alguma e já vinha perguntando a ele sobre em quem baseou meu personagem por meses a fio. Até que ele começou a repetir: "ué, em você, claro".

Vocês já eram próximos antes das filmagens?
Não! Eu adorei o primeiro filme dele e só. Ele não sabia nada de mim. Como é que criou um personagem baseado em mim? Poucas semanas depois de o roteiro ficar pronto, nossas famílias passaram um dia juntas no meu bairro em Los Angeles, porque eles queriam comprar uma casa nas redondezas. Na primeira placa de 'vende-se' eu me empolguei, entrei na casa antes dele e da mulher, e já fui perguntando para a corretora detalhes do lugar, o motivo de ela estar vendendo depois de seis meses, enfim, comecei a interrogar a mulher. Olhei para trás e lá estava Colin, sorrindo, apontando para mim e dizendo: "Taí a Claire" (risos). Só espero que eu seja mais parecida com ela no fim do filme, quando ela consegue mostrar mais suas emoções, tanto com o Owen [Chris Pratt] quanto com os sobrinhos dela, Gray e Zac, que visitam o parque justamente no dia em que tudo vira de pernas para o ar.

Há um quê de Joan Wilder (personagem de Kathleen Turner em "Tudo Por Uma Esmeralda") nela, não?
Um 'quezão', tamanho família. Falávamos do filme o tempo todo. Eu não havia visto "Tudo Por Uma Esmeralda" até Colin me dizer que queria imprimir um tom parecido com o do filme do Robert Zemeckis. E lembra que ela tem os saltos dela cortados por uma machadinha no filme? Bebi ali, sim. Os personagens são bem diferentes, mas a dinâmica de casal é bem parecida, são duas pessoas bem diferentes que precisam resolver seus problemas para sobreviver.

Você diria que o novo filme, até pelo parque estar pela primeira vez em pleno funcionamento, é mais assustador do que os três anteriores?
Eles são todos assustadores, né? Desta vez eu levei meus filhos para o set e minha filha de 3 anos e meio me perguntava todos os dias depois das filmagens como havia sido meu dia de trabalho. No dia em que trabalhei com o dinossauro criado pelo método animatronic contei toda feliz para ela de meu parceiro de cena. Os olhos dela se arregalaram e, desde então, sem folga, todas as noites ela me pergunta se um dinossauro vai invadir o quarto dela. Eu me senti terrível. Por outro lado, quando era criança eu jamais fechava os olhos na piscina quando estava debaixo d'água, pois tinha certeza de que um tubarão me atcaria.

Cortesia de seu tio postiço Steven Spielberg, com "Tubarão", aposto...
Exatamente (risos). E eu, até hoje, quando vou dormir, não ando para a cama, eu corro. Reflexo do medo de monstros que iriam me pegar de noite, vindos, especialmente, debaixo da cama. Mas minha mãe diz algo que eu carrego comigo: "Não proteja demais seus filhos ou ao invés de aprenderem a lidar com os monstros da fantasia eles criarão seu próprios monstros no futuro".

Lá se vão 22 anos desde a estreia de "Jurassic Park". Qual a relevância de se retornar ao mundo imaginado por Crichton e Spielberg?
Também me fiz esta pergunta quando topei fazer o novo filme. Estava há quatro anos sem atuar, desde "Histórias Cruzadas", dedicada a criar meus filhos e a dirigir produções menores. E há uma fala no filme em que se diz: "Ninguém se impressiona mais com dinossauros".

O que a convenceu então a fazer o filme?
Inicialmente, foi a ideia de que desta vez o parque estaria aberto ao público. E o que poderíamos fazer usando novas tecnologias para combater esta sensação de fadiga visual que hoje todos temos, inclusive em relação a Hollywood. Nosso filme é a história dos dinossauros e de seu parque, mas também um retrato da ganância das grandes corporações do mundo ocidental e das consequências nem sempre benéficas da busca incessante por novos estímulos. Daí a criação, no filme, de um dinossauro com DNA híbrido, uma combinação dos mais terríveis predadores jamais conhecidos, o vilão mais escancarado do filme. E tem a empolgação do Colin também. Ele parece uma criança numa loja de brinquedos com este filme. Steven [Spielberg] estava inspirado quando passou o bastão para Colin.

Você se sentiu tão transportada para outro mundo se vendo na tela quanto com "Jurassic Park"?
Só vai haver um "Jurassic Park" e um momento como aquele. Mas o avanço na tecnologia no cinema e a direção do Colin me fizeram pular da cadeira mais de uma vez, sim, senhor. 

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