Filmes e séries

Adam Driver: Da conceituada escola Juilliard a vilão do novo "Star Wars"

Mariane Zendron

Do UOL, em São Paulo

19/06/2015 11h02

Ben Stiller e Naomi Watts vivem um casal dividido entre a vida louca e a vontade de ter filhos no filme "Enquanto Somos Jovens", que estreou nesta quinta-feira (18) nos cinemas brasileiros. Mas ali, no novo filme de Noah Baumbach (o mesmo de "Frances Ha"), há um ator secundário que tomará sua atenção: Adam Driver, que em apenas três anos passou de um estudante da concorrida escola de artes Juilliard a vilão do novo "Star Wars".

Aos 31 anos, o ator de orelhas avantajadas e um tanto desengonçado no alto de seus seu 1,91 metros de altura, tem um rosto pouco comum para galã. Mas o talento falou mais alto e Driver já caiu nas graças dos irmãos Coen ("Inside Llewin Davis"), Steven Spielberg ("Lincoln"), Martin Scorsese ("Silence", previsto para 2016) e agora de J.J. Abrams. Em "Star Wars: Episódio VII - O Despertar da Força", previsto para estrear em dezembro, ele será o vilão Kylo Ren, que comandará soldados de neve leais à malévola Primeira Ordem nas planícies congeladas de sua base secreta.

O destaque dele cresce no cinema, mas foi na série de TV "Girls", uma espécie de "Sex and The City" para garotas de 20 e poucos anos, que Driver foi apresentado ao mundo. Diferente dos outros atores do elenco, ele não conhecia pessoalmente a diretora e protagonista Lena Dunhan. Então novato, o ator chegou para a audição com um capacete de motoqueiro nas mãos ("O que foi bem intrigante", disse Lena à revista "Rolling Stone") e surpreendeu uma bancada inteira pela maneira descontraída como tinha tratado o personagem.

Divulgação
Lena Dunhan e Adam Driver em "Girls" Imagem: Divulgação
Seu personagem na série, que leva o mesmo nome do ator, já fez coisas como urinar em Hanna (Dunhan) e obrigar outra namorada a rastejar até ele, mas também já se mostrou o mais maduro e o mais companheiro em diversas ocasiões. É aquele que amamos odiar ou odiamos amar e podemos passar horas discutindo suas motivações, tamanha é sua complexidade. 

Seu papel em "Girls" não deveria durar mais do que um episódio, mas em quatro temporadas ele se tornou um dos pilares da série, e sem assistir a nada do que faz. E ele está bem assim, obrigado. Driver já revelou que evita se ver em ação porque tende a ficar obsessivo pelo próprio trabalho --a única vez que fez isso foi quando Dunhan o convidou para assistir ao piloto da série no apartamento dela. "E eu só vi todas as coisas que eu queria mudar ou melhorar", disse à revista "GQ", da qual foi capa em setembro do ano passado.

Pequenas e memoráveis atuações

Sua participação em "Inside Llewin Davis" é curta, mas memorável. Ao lado de Oscar Isaac e Justin Timberlake, ele participa do coro de "Please Mr. Kennedy", com sua voz grave e produzindo barulhos engraçados. Em entrevista ao site HitFix, Driver ficou em dúvida quando o repórter perguntou se ele é músico também. "Se músico for no sentido de ter instrumentos em casa, sim, sou músico. E acho que isso foi o suficiente para o teste do filme", disse ele. 

Baumbach, que já havia escalado Driver para "Frances Ha", disse que o ator encanta por parecer uma pessoa normal."Adam faz tudo de uma maneira totalmente inesperada, mas uma vez que ele faz, você pensa: 'Oh, claro, a cena deveria ser desse jeito'", disse o diretor à "Newsweek". 

Veja atuação de Adam Driver em "Inside Llewin Davis"

Juventude na marinha

A tendência obsessiva --ou o excesso de disciplina de Driver-- pode ser explicada com seu passado na vida militar. Nascido em San Diego, na Califórnia, Driver mudou-se para Mishawaka, no estado de Indiana, aos sete anos de idade. A mãe dele, então divorciada, se casou com um pastor da igreja batista da cidade. Apesar de cantar no coral, Driver era mais considerado um menino rebelde por escalar torres de rádio e marcar lutas com os amigos.

Foi na escola que começou a atuar, e quando fez 17 anos resolveu fazer um teste na conceituada Juilliard. Recusado na primeira audição, Driver realizava uns bicos aqui e ali quando decidiu se alistar para as forças armadas seguindo sentimentos patrióticos aflorados depois do 11 de setembro. No entanto, ele nem chegou a ir para a guerra. Um acidente em uma trilha de mountain bike o tirou da Marinha, frustrando os sonhos de servir o país.

A partir daí, Driver colocou a atuação como um novo desafio para a vida. Ele passou na Juilliard e aplicou para si uma rotina militar, correndo muitos quilômetros todos os dias e lendo peças de teatro e assistindo a filmes clássicos nas horas vagas. Richard Feldman, professor da escola localizada em Nova York, disse à "GQ" que Adam não tinha muita paciência com os colegas. Achavam que eles não era tão focados nas tarefas. 

Driver, que continua despreparado para se assistir na tela, vai ter que se preparar para, depois de "Star Wars", provavelmente se ver em todos os lugares, de outdoors e camisetas a copos de refrigerante e nas prateleiras de lojas de brinquedos.

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