Cinema

Salvo por campanha, último cinema drive-in do país é cenário de filme

Mariane Zendron

Do UOL, em Gramado (RS)

Há um lugar no Brasil em que é possível ver, ao mesmo tempo, filmes e estrelas.  O último cinema drive-in do país está localizado em Brasília, sofre ameaça constante de fechamento e virou cenário do filme "O Último Cine Drive-In", de Iberê Carvalho. Na competição de longas do 43º Festival de Gramado, o filme chega ao circuito comercial no dia 20 de agosto.

Na ficção, Marlombrando (Breno Nina) e seu pai Almeida (Othon Bastos) correm contra o tempo para realizar uma última sessão especial no local antes de seu fechamento, anunciado pelo poder público. A ficção bebeu bastante na realidade. Localizado em um dos lugares mais privilegiados de Brasília, ao lado do estádio Mané Garrincha, o drive-in é um anexo do autódromo da cidade e um projeto de reforma para receber melhor grandes competições automobilísticas coloca em risco a existência do lugar.

"Quando rodamos o filme em 2013, disseram que teríamos apenas seis meses para rodar até a demolição. Chegamos a planejar colocar essas imagens no filme, mas felizmente isso não aconteceu", contou ao UOL o diretor Iberê Carvalho. Isso porque, na mesma época, um grupo chamado Urbanistas por Brasília criou um abaixo-assinado online contrário à demolição. Matérias no global "Fantástico" e na revista "Piauí" expandiram o movimento. Em cinco semanas, foram angariadas mais de 18 mil assinaturas. A expectativa era de 3 mil adesões.

A comoção popular barrou por ora o fim do lugar, mas ainda é necessário regularizar o contrato  para que a proteção seja definitiva, mas isso depende do governo da cidade.

Reprodução/Facebook/O Último Cine Drive-In
Imagem antiga do Cine Drive-In, inaugurado em Brasília em 1973 imagem: Reprodução/Facebook/O Último Cine Drive-In

Tempos áureos, decadência e retomada

Inaugurado em 1973, o cinema ficou lotado por quase dez anos em uma cidade projetada para os carros. A primeira crise veio nos anos 1980, com a popularização do vídeo-cassete. A segunda, nos anos 1990, com o DVD e a TV a cabo.

A administradora do local, Marta Facundes, começou a trabalhar na bilheteria do cinema em 1975, ajudando seu pai, que era o gerente. Em 1989, ela assumiu a gerência, que conta com oito funcionários que cuidam da bilheteria, lanchonete e limpeza.

O abaixo-assinado, a mídia e o filme foram responsáveis, segundo Marta, por levar o público de volta ao drive-in. Há cinco anos, ela chegou a exibir filmes sem um único carro no asfalto, só para não ser despejada. "Hoje, nosso público é de 5 mil pessoas por mês".

O drive-in é capaz de acomodar 500 veículos em seu estacionamento e tem uma tela de concreto de 312 metros quadrados. A atriz Fernanda Rocha, que no longa vive a projecionista Paulinha, fez um laboratório de muitas semanas que incluiu trabalho na lanchonete e na bilheteria. "O drive-in é um lugar muito interessante. Depois de um tempo vivendo lá, você tem a impressão de que o tempo parou". Por sua atuação, Fernanda ganhou o prêmio de melhor atriz no Festival do Rio de 2014.

Para manter a clientela, Marta aposta em blockbusters. Atualmente são exibidos "Divertida Mente", "O Exterminador do Futuro: Gênesis" e "Meu Passado Me Condena 2". Quando falou com a reportagem, ela estava contente. "Estão instalando nesse momento o projetor digital", comemorou ela.

Os técnicos têm que correr para deixar tudo pronto para o dia 19 de agosto, quando o cinema recebe a pré-estreia do "Último Cine Drive-In". Fernanda Rocha e Chico Sant'Anna, que vive o bilheteiro Zé na ficção, estarão na exibição caracterizados como seus personagens. "Estaremos com o uniforme usado no filme e serviremos as pessoas", contou a atriz. Tudo para não deixar a magia do cinema morrer.

Reprodução/Facebook/O Último Cine Drive-In
Imagem antiga do Cine Drive-In, inaugurado em Brasília em 1973 imagem: Reprodução/Facebook/O Último Cine Drive-In

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