Filmes e séries

Marina Person leva anos 80 para as telas, mas quer falar com jovem de hoje

Mariane Zendron

Do UOL, em São Paulo

O ano era 1984. No Brasil, o povo ia às ruas para exigir o direito de escolher novamente o presidente depois de 20 anos de regime militar e a Aids ainda era uma doença cercada de muito mistério. No meio disso, uma adolescente de 15 anos chamada Marina Person, fã de David Bowie, ainda tinha que lidar com todas as questões que essa idade traz. Mais de 30 anos depois, a cineasta e ex-VJ da MTV volta à juventude em 84 com “Califórnia”, seu primeiro longa de ficção, que estreia o Festival do Rio nesta segunda-feira (5).

Ela pretende reacender a memória de muitos, mas também quer dialogar com o jovem de hoje com questões universais. 

Nem tudo é autobiográfico, mas a protagonista Estela (Clara Gallo), assim como Marina, é uma adolescente de 15 anos, fã de Bowie e que vive em 1984. Durante sua descoberta como mulher, o tio Carlos (Caio Blat), que mora na Califórnia, volta ao Brasil com uma doença estranha. “Obviamente aprendi muito com os jovens ao trabalhar 18 anos na MTV. Tenho fascinação por esse universo. É uma época cheia de coisas, descobertas, que determina o que você vai ser, seu caráter”, contou ela, por telefone, ao UOL.

Divulgação
Cartaz do filme "Califórnia", de Marina Person Imagem: Divulgação


Para falar de juventude, nada mais coerente do que situar o filme em um período em que o país também florescia. “Além de estarmos saindo do regime militar, o rock brasileiro também florescia”. Na trilha, será possível ouvir alguns desses expoentes: Titãs, Metrô, Ira e Kid Abelha. Representando, o rock paulista da época, Paulo Miklos também está no elenco e faz o pai da protagonista.

Marina também comemora a trilha internacional, mais difícil de colocar no filme. “Acho que não tem um filme brasileiro com tantas músicas desse período pós-punk. Temos duas do New Order, Joy Division, The Cure e Bowie. Nosso orçamento foi pequeno e algumas músicas exigiram muita negociação”.

Dos anos 80 para jovens de hoje

Apesar de acreditar que o filme pode reacender a memória de quem hoje tem 30, 40 anos, a diretora diz que gostaria muito de falar com o jovem de 14, 15, 16, 17... “Existem questões que são universais, como o amadurecimento, independentemente da época, do país, classe social”.

O adolescente de hoje ainda pode se identificar com a efervescência política da época. “Há períodos em que as pessoas são mais politizadas e períodos em que são menos. Depois dos caras-pintadas (1992), a gente passou um período muito longo de apatia política, que acabou com as manifestações de 2013. Há um chamado à realidade para os jovens, sobretudo”. Apesar de a política estar muito presente, ela afirma que não quis fazer um filme que levantasse uma bandeira política.

Questões atuais

Ser jovem hoje, para Marina, é ter mais informação, mas isso não significa que seja mais fácil. “Hoje os jovens são muito mais descolados, você dá um Google e encontra a informação que quiser. Hoje também fala-se mais abertamente da sexualidade, de gênero. É mais fácil encontrar pessoas com as mesmas questões que você. Antigamente, se você tinha uma dúvida, tinha que perguntar para alguém de confiança”.

Fazendo uma reflexão sobre as diferenças geracionais, Person espera que as pessoas fiquem curiosas para saber como era a vida nos anos 1980. “Essa década teve uma coisa diferente. Estou curiosa para saber como eles [os adolescentes de hoje] vão reagir”. O filme tem previsão de estreia em circuito para o dia 3 de dezembro deste ano. 

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