Cinema

Crise afeta Mostra de SP, mas público terá mesma qualidade, diz diretora

Aline Arruda/Agência Foto/Divulgação
Renata de Almeida, diretora da Mostra de Cinema de São Paulo imagem: Aline Arruda/Agência Foto/Divulgação

Mariane Zendron

Do UOL, em São Paulo

“Tenso” é o adjetivo escolhido pela diretora da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, Renata de Almeida, para definir o ano de 2015. A maratona paulistana, que este ano se realiza de 22 de outubro a 4 de novembro, sofreu uma redução de 40% no orçamento devido à crise econômica do país. “A palavra que você mais escuta é crise. Foi mais difícil, mas conseguimos manter vários parceiros”, contou ela ao UOL. Apesar disso, ela garante, o público não vai sentir diferença em relação a outras edições.

Várias coisas tiveram que ser cortadas, como a quantidade de convidados do evento, mas nada disso, garante ela, será sentido pelo público, nem em quantidade de filmes e nem na qualidade deles. Este ano foram pouco mais de 300 filmes selecionados, contra 330 em 2014. O formato também continua o mesmo, com sessão de filme clássico com orquestra no Parque do Ibirapuera e exibições gratuitas no vão livre do Masp, além da programação normal. “O nível também está ótimo. Filmes que venceram importantes festivais ou foram indicados por seus países ao Oscar já estavam na escalação antes desses anúncios. Continuamos com um bom faro e fazendo um bom trabalho”.

O problema, explica Renata, é que o tamanho do corte só é definido pouco antes do evento começar. Isso causou um atraso na produção e, consequentemente, boatos de que a maratona cinéfila poderia até ser cancelada. “A gente ficou sem equipe durante muito tempo. Daí veio um boato de que não haveria Mostra. Foi mais cansativo, foi um ano tenso, mas a possibilidade de não rolar não existiu”, esclarece ela. “É um evento elástico, que você pode fazer de acordo com o recurso que tem. Mas é claro que é melhor saber quais recursos você terá”.

Divulgação
Cartaz da 39ª Mostra de São Paulo é assinado por Martin Scorsese imagem: Divulgação


O orçamento se altera, mas o que não muda, segundo ela, é a paixão da equipe pelo festival, que chega a sua 39ª edição. “A gente faz as coisas de uma maneira muito apaixonada e isso dá medo, porque você pode ficar no vermelho”. Foi um ano difícil? Sim, mas Renata faz questão de lembrar que o festival já passou por muita coisa, como o plano Collor, por exemplo. “Fora que a Mostra começou quando nem existia leis de incentivo”.

Parceria com Martin Scorsese

Martin Scorsese assina o cartaz do festival este ano, mas a parceria da Mostra com o americano este ano vai muito além disso. Só não espere exibições dos filmes dele. O cineasta também é responsável pela The Film Foundation, instituição que restaura e preserva filmes de várias partes do mundo e 26 deles serão exibidos na Mostra deste ano.

Renata quis jogar luz sobre a The Film Foundation pensando na crise de outra instituição, a da Cinemateca de São Paulo, que também restaura e preserva filmes, mas que vem enfrentando cortes de verbas e funcionários desde 2013. “Quando montamos a programação também analisamos a situação atual do Brasil. Queria trazer as obras da The Film Foundation ano passado por conta do impasse na Cinemateca. Deixamos para esse ano porque é quando a instituição completa 25 anos e, ainda bem, a Cinemateca está numa situação melhor”.

Para a diretora da Mostra, o trabalho de Scorsese como restaurador é tão admirável como o de diretor. “É bonito esse lado de usar seu sucesso profissional para dar força para um cineasta filipino ou brasileiro, por exemplo”. Renata ressalta que não tem a intenção de dar a solução para nada ao levantar esses assuntos. “O que se vê atualmente é muita informação e pouca reflexão. Queremos que a Mostra seja um espaço para reflexão”.

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