Filmes e séries

"Quis falar de problemas e esperança", diz Sérgio Machado sobre novo filme

Mariane Zendron

Do UOL, em São Paulo

11/10/2015 07h00

“Não quero me mudar para Miami”. A frase que pode ser usada como resposta a recentes manifestações pelo país foi dita pelo diretor Sérgio Machado (“Cidade Baixa”) para explicar o que o levou ao seu terceiro filme “Tudo que Aprendemos Juntos”, estrelado por Lázaro Ramos e que estreia no Festival do Rio neste domingo (11). A estreia no circuito comercial está marcada para o dia 3 de dezembro.

Lázaro vive um talentoso violinista que, ao falhar no teste para entrar na Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp), passa a dar aulas de música na favela de Heliópolis. Como sugere o título, professor e alunos trocam experiências e estabelecem uma relação de amizade. “Queria fazer um filme que falasse dos problemas brasileiros de maneira muito honesta, mas com uma ponta de esperança porque eu tenho esperança. Não quero me mudar para Miami de jeito nenhum. Quero ficar aqui e ajudar a resolver os problemas”, disse ele, em entrevista por telefone ao UOL.

Cinema nacional e a esperança

Por trazer a esperança ao Brasil, o longa foi associado pela crítica nacional e internacional a “Que Horas Ela Volta”, de Anna Muylaert, escolhido para representar o Brasil no Oscar de 2016. "Acho que os dois filmes dialogam com certeza, no sentido de não ver o Brasil como um país completamente inviável”, disse Sérgio. Coincidentemente, Anna e Sérgio editaram duas produções em salas coladas na produtora Gullane e se esbarraram muitas vezes na saída para o almoço ou café.

Para Sérgio, essa nova perspectiva de um "Brasil que tem jeito" foi o que chamou a atenção da crítica. “Os últimos filmes que tinham tido uma boa repercussão lá fora fazem uma radiografia dura da realidade brasileira, mas sem muita esperança. ‘Cidade de Deus’ trazia a frase ‘se ficar o bicho pega, se correr, o bicho morde’. É uma mensagem de que as coisas deram errado”, disse. Com “The Violin Teacher” como título internacional, a produção já foi vendida para Canadá, Itália, Espanha, Grécia, França, Suíça, Alemanha, Holanda, Bélgica e Japão. 

Imersão em Heliópolis

Depois de aceitar o convite de Caio e Fabiano Gullane para dirigir o filme, Sergio fez entrevistas e até aulas para conhecer a realidade dos músicos de Heliópolis. “Senti uma coisa forte com a história porque meus pais eram músicos. Eles eram duros de grana, eu não tinha babá e era praticamente o mascote da Orquestra da Universidade Federal da Bahia. Ouvi música clássica durante toda a infância”.

Não é só Sérgio que tem uma relação pessoal com a produção, ele conta que essa foi uma característica de todo o elenco. Lázaro, por exemplo, tinha sido convidado para interpretar o amigo do protagonista. “Mas ele me ligou e disse: ‘você não está entendendo. Esse filme é a história da minha vida. Eu só posso fazer o professor’. Lázaro também vem de uma comunidade humilde de Salvador e também teve um professor que o ajudou. Hoje vejo que ele é a escolha óbvia”.

A maioria dos atores que interpreta os alunos é de Heliópolis, alguns são também músicos da orquestra. Muitas histórias pessoais, algumas pesadas, foram incorporadas ao roteiro durante os ensaios. A história mais emocionante, no entanto, ficou nos bastidores. Os jovens atores, entre eles Kaique Jesus e Elzio Vieira, participaram das primeiras semanas de filmagens. As últimas ficariam apenas com Lázaro Ramos. No último dia de filmagens, Lázaro recebeu uma missão. “Eu ouvi os meninos dizendo que esse era o filme da vida deles e que Lázaro precisaria dar tudo o que podia. Lázaro poderia ter sido condescendente ou ter achado graça, mas ele se comprometeu a dar o melhor porque aquele também era o filme da vida dele”. 

 

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