Cinema

"Ponte dos Espiões" retoma obsessão de Spielberg pela guerra; relembre

Leonardo Rodrigues

Do UOL, em São Paulo

Rei das bilheterias --afinal, é o diretor que mais faturou com bilheteria--, Steven Spielberg também pode ser descrito como o "senhor das guerras". Filmes sobre o tema ou ambientados em um contexto de conflito armado são uma constante em sua extensa filmografia.

Uma obsessão de fundo biográfico e que quase sempre passa pela Segunda Guerra Mundial. De família judia, o cineasta descobriu o Holocausto por meio das histórias contadas do pai, o famoso engenheiro elétrico Arnold Spielberg, que perdeu dezenas de parentes em campos de concentração.

A inclinação às guerras renderam ao diretor seu maior reconhecimento: foram três Oscars, um de melhor filme por “A Lista de Schindler” (1993), e dois de melhor diretor, respectivamente, pelo mesmo longa e por "O Resgate do Soldado Ryan" (1998).

Essa coleção de estatuetas tem boa chance de aumentar em 2016 com o novo "Ponte dos Espiões", que estreia na próxima quinta-feira (22) e tem como pano de fundo a Guerra Fria.

Relembre abaixo os principais longas sobre guerra dirigidos pelo cineasta.

Reprodução
John Belushi em "1941 - Uma Guerra Muito Louca", primeiro longa de guerra de Spielberg imagem: Reprodução

“1941 - Uma Guerra Muito Louca” (1979)

Poucos se lembram do primeiro filme de guerra dirigido por Steven Spielberg, que preferiu uma estratégia mais light ao tocar no assunto pela primeira vez. A comédia, estrelada por John Belushi e Dan Aykroyd, traz desdobramentos fictícios do ataque japonês à base naval de Pearl Harbor, em 1941. Apesar de a história do submarino japonês que decide atacar Hollywood não ter lá muita graça, o filme não chegou a ser um fracasso de bilheteria. Ainda assim, desapontou os produtores, que esperavam repetir o sucesso de “Tubarão” (1975) e “Contatos Imediatos de Terceiro Grau” (1977).

Divulgação/Warner Bros
"Império do Sol", estreia de Christian Bale no cinema, dirigida por Spielberg imagem: Divulgação/Warner Bros

“Império do Sol” (1987)

Baseado no romance homônimo do escritor J.G. Ballard, acompanha um garoto inglês de 11 anos que vive com a família em Xangai. Após a invasão japonesa na China durante a Segunda Guerra Mundial, ele acaba sozinho em um campo de concentração, onde precisa se virar para sobreviver. Para rodar na Ásia, Spielberg precisou negociar por meses com o governo chinês. E valeu o sacrifício. A história se tornou sucesso de crítica --mais do que de público. Hoje, também é lembrada por ser o primeiro filme do ator Christian Bale.

Reprodução
"A Lista de Schindler", que rendeu ao cineasta seu primeiro Oscar de melhor diretor imagem: Reprodução

"A Lista de Schindler" (1993)

Mais uma vez a Segunda Guerra Mundial. Mais um drama. Mostra a tocante história real de Oskar Schindler, um industrial alemão de origem tcheca que ajuda a salvar a vida de 1.200 judeus confinados em campos de concentração, ao contratá-los em suas fábricas. Foi premiado no Oscar, Globo de Ouro e Bafta. É frequentemente citado pela crítica como um dos melhores filmes já produzidos. Em 2007, o American Film Institute o elegeu o oitavo melhor filme americano da história.

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Tom Hanks no drama "O Resgate do Soldado Ryan" (1998), vencedor de cinco Oscars imagem: Divulgação

"O Resgate do Soldado Ryan" (1998)

Faltava um grande sucesso de bilheteria para os filmes de guerra de Steven Spielberg, algo que já havia sido acenado em “Indiana Jones e Os Caçadores da Arca Perdida” (1981), cuja trama envolve Hitler e os nazistas, mas antes do início do conflito. O acerto de contas veio em grande estilo. Além de render o segundo Oscar de melhor diretor ao cineasta, trouxe uma das cenas de mais impactantes do cinema, a do ataque às tropas americanas na praia francesa de Omaha, em 6 de junho de 1944, o chamado “Dia D”.

Divulgação
Versão dirigida por Steven Spielberg do clássico de H. G. Wells foi lançada em 2005 imagem: Divulgação

"Guerra dos Mundos" (2005)

Um conflito um pouco diferente aqui. Livremente inspirado no clássico do escritor H.G. Wells, retrata uma invasão alienígena liderada por uma gigantesca máquina. Tom Cruise é um pai de família divorciado que faz de tudo para salvar a pele dos filhos. Apesar de nem de longe ser considerado um dos grandes trabalhos de Spielberg, o filme bombou nos cinemas, faturando quase US$ 600 milhões no mundo todo, a maior bilheteria de Cruise até então. OK, não é um filme de guerra histórico como os outros, mas é um dos poucos que consegue unir três temas bastante caros ao diretor: conflito, ficção científica e questões familiares.

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Jeremy Irvine em cena do épico de guerra "Cavalo de Guerra" (2011) imagem: Reprodução

"Cavalo de Guerra" (2011)

Steve Spielberg volta ao tema bélico em “Cavalo de Guerra”, agora explorando a pouco revisitada Primeira Guerra Mundial. É baseado no livro infantil homônimo, do autor inglês Michael Morpurgo, sobre a comovente amizade entre o jovem Albert e o cavalo Joey, que são forçados a se separar. Não fez tanto sucesso quanto o esperado. Reedita a antiga parceria do diretor com o compositor John Williams, que dá ares ainda mais épicos à história com sua trilha sonora. Curiosidade: é o primeiro filme de Spielberg a ser editado digitalmente.

Twentieth Century Fox/Divulgação
Hanks em cena de "Ponte dos Espiões", do diretor Steven Spielberg imagem: Twentieth Century Fox/Divulgação

"Ponte dos Espiões" (2015)

Depois de abordar a Guerra Civil americana em "Lincoln", Spielberg fala de Guerra Fria em "Ponte dos Espiões". Na trama, que se passa nos anos 1950 e 1960, Tom Hanks é um advogado especializado em seguros que aceita uma tarefa diferente: defender Rudolf Abel, um espião soviético capturado pelos americanos que, posteriormente, é trocado por um piloto americano preso pelos soviéticos. Explicita conflitos internos e sociais, lidando com o típico orgulho ianque e noções universais de justiça. Por causa disso, já vem sendo cotado como possível ganhador de Oscar. Vale ficar de olho.

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