Filmes e séries

Superação e empoderamento: Fãs contam o que aprenderam com "Jogos Vorazes"

Mariane Zendron

Do UOL, em São Paulo

25/11/2015 11h00

A saga "Jogos Vorazes", adaptação cinematográfica dos livros de Suzanne Marie Collins, chega ao fim com a estreia "Jogos Vorazes: A Esperança - O Final", em cartaz nos cinemas desde a semana passada. Fãs da série garantem que a história traz muito mais do que uma heroína, vivida por Jennifer Lawrence, disputada por dois boys-magia.

O UOL conversou com mulheres que destrincharam a saga muito antes de os livros serem transformados em filme. Elas contam que, além de romance e cenas de ação, a obra carrega grandes lições de superação, empoderamento feminino, política, empatia e amizade.

Arquivo Pessoal/Divulgação
A professora de inglês Luana Saiane diz que "Jogos Vorazes" a ajudou em momento de perdas Imagem: Arquivo Pessoal/Divulgação


Superação

O ano de 2013 foi traumático na vida da professora de inglês Luana Saiane, 25, de Sorocaba, no interior de São Paulo. Em cerca de três meses, ela perdeu o avô e, ainda, três amigos em acidentes de carro. Na época, ela já era fã de "Jogos Vorazes" e se debruçava sobre o terceiro livro da saga, "A Esperança", a edição que mais descreve mortes de pessoas próximas à protagonista Katniss Everdeen.

Para tentar lidar com a situação, ela conta, entrou numa bolha e levou o livro junto. "Foi uma fuga, eu acho. Na parte final da saga, Katniss está com problemas pessoais sérios [o melhor amigo, Peeta, sofre uma lavagem cerebral promovida pelo ditador do país]. Mesmo assim, ela não coloca isso acima do que precisa ser feito. Vivendo em um país em conflito, Katniss entendeu que não era só ela que estava perdendo. Foi quase uma tapa na minha cara. Não adiantava ficar fugindo das coisas. Eu tinha que tentar lidar com a situação", contou.

Arquivo Pessoal/Divulgação
A estudante Cecília Bonfim se interessou pelo arco e flecha por conta de "Jogos Vorazes" Imagem: Arquivo Pessoal/Divulgação


Espetacularização da violência

Para além das descobertas pessoais, a estudante de jogos digitais Cecília Bonfim, 25, de Brasília, disse que a história "alerta que estamos prestes a fazer parte de uma sociedade que faz da violência um espetáculo". A saga, que se passa em um futuro distante, começa com um reality show perverso no qual crianças e adolescentes lutam até a morte. 

Para Cecília, a ficção é bem próxima da realidade. "A gente já vê muito sangue na TV e acaba achando isso normal e que não é real. Mas aquilo é real, sim, mas não é toda a realidade. A saga também mostra que a TV traz o ponto de vista de uma pessoa, que decidiu como e o que quer mostrar. Se você não buscar a informação, vai recebê-la apenas mastigada e vai se conformar com isso".

Arquivo pessoal/Divulgação
A redator Clarissa Batista diz que "Jogos Vorazes" é um chamado para a consciência Imagem: Arquivo pessoal/Divulgação

Política e empatia

Para a redatora de Nova Iguaçú, no Rio, Clarissa Batista, 23, "Jogos Vorazes" a ensinou a ficar mais atenta ao poder. Depois de participar dos jogos, Katniss se transforma no rosto de uma rebelião contra o tirano presidente Snow. "O livro mostra que o poder está na mão do povo, que é só querer. Nunca tinha visto uma saga com teor político tão forte. Gosto muito de uma frase do Snow, em que ele diz que mais poderoso que o medo, só a esperança".

Cecília ainda atenta para outro ponto importante do livro: o despertar da empatia. "A maioria dos leitores se identifica com Katniss, que tinha que caçar para comer, já que vive na miséria, mas a realidade da maioria que lê a saga é mais parecida com a dos moradores da Capital, que fica observando tudo passivamente. Para eles, o sofrimento é entretenimento. E tem gente que sofre assim na vida real".

Empoderamento feminino

Cecília, Clarissa e Luana concordam entre si quando são questionadas sobre a influência da heroína, que está mais preocupada com o destino do seu país, Panem, e da família, do que com o destino de seu coração. "Comecei a ler justamente porque a autora criou uma personagem que não depende de ninguém. Ela não é a donzela em perigo. Ela é quem resgata", conta Luana.

Para salvar pessoas, Katniss conta muitas vezes apenas com ajuda de seu arco e flecha, que também virou uma das paixões de Cecília. "Fui a um hotel uma vez e eles tinham arco e flecha. Experimentei e achei maravilhoso. Nunca fiz aula, mas pratico aos finais de semana e acho que atiro bem". 

Apesar de ver muitos jovens adultos chorando pelo fim da saga, Luana também comemora a chegada de novos fãs e o fato de a série servir de porta de entrada para o interesse pela leitura. "A experiência mais marcante com a saga foi quando a mãe de uma aluna me agradeceu por eu ter incentivado o hábito da leitura de sua filha. Eu tinha emprestado o livro a ela e descobri que ela estava se interessando por outras coisas, e fazendo mais amizades por isso".

A série Jogos Vorazes

O primeiro livro da saga foi publicado originalmente nos Estados Unidos em 2008 e chegou ao Brasil em maio de 2010. Narrado em primeira pessoa, a história acompanha Katniss, uma garota de 16 anos que vive em um país chamado Panem. O lugar é controlado por uma Capital tecnologicamente avançada, que anualmente realiza os Jogos Vorazes, no qual um menino e uma menina de cada um dos 12 distritos lutam até a morte e apenas um sobrevive.

A trilogia foi transformada em quatro filmes com Jennifer Lawrence, Josh Hutcherson e Liam Hemsworth vivendo um triângulo amoroso. Dirigido por Gary Ross, o primeiro filme chegou aos cinemas em 2012. Os outros três foram adaptados por Francis Lawrence ( de "Eu Sou a Lenda").

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