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Documentário acompanha garoto de 13 anos que monta circo no quintal da avó

Felipe Branco Cruz

Do UOL, em São Paulo

09/04/2016 06h00

Na ficção, o diretor italiano Federico Fellini imortalizou o universo do circo como algo mágico, porém melancólico, representado principalmente na figura do palhaço. Transposto para a periferia de Salvador, na Bahia, é um cenário semelhante que vemos no documentário brasileiro “Jonas e o Circo Sem Lona”, da diretora Paula Gomes.

O filme, que será exibido neste sábado (9), no Rio de Janeiro, dentro do festival É Tudo Verdade (programação completa abaixo), conta o amor que um garoto de 13 anos tem pelo circo, a ponto de montar um picadeiro no quintal da casa de sua avó, batizado de Circo Tropical.

Na busca para montar o seu próprio circo, Jonas convence os amigos a participarem como palhaços, acrobatas, equilibristas e malabaristas. O talento do jovem vem de berço. Jonas nasceu dentro do circo da família, que atualmente é tocado pelo tio materno. A mãe abandonou a carreira por conta das dificuldades e Jonas enxerga no tio a figura de pai e mentor.

O circo no quintal é montado com materiais velhos que o tio deu ao garoto, como cadeiras, pedaços de lonas, trapézios e maquiagens. Porém, assim como em uma história de Fellini, a empreitada não dá certo. De maneira melancólica, os amigos abandonam Jonas e o circo chega ao fim, assim como a infância.

Divulgação
Jonas e equipe do documentário Imagem: Divulgação

Para Jonas, o “Circo Tropical” no quintal da avó, acabou porque ele levou a sério algo que para os amigos era só uma brincadeira. “Para mim, era um jeito de lembrar do circo. Mas meus amigos não viveram a magia do circo como eu vivi”, conta o jovem, hoje com 18 anos.

A ideia do documentário partiu do próprio Jonas quando soube que a cineasta Paula Gomes estava realizando uma pesquisa sobre os circos da Bahia. “Liguei para ela e a convidei para assistir o nosso espetáculo”, diz.

“A nossa ideia era mostrar o fim da infância por meio do circo”, diz Paula, que acompanhou durante três anos a vida de Jonas. “Ficamos amigos da família e nossa equipe ficava hospedada na casa deles”.

Além do festival “É Tudo Verdade”, o filme também foi exibido na mostra competitiva de documentários do 28º Festival Cinélatino, Reencontres de Toulouse e teve sua estreia no IDFA – International Documentary Film Festival Amsterdam, na Holanda.

No que Jonas se transformou, no entanto, não é mostrado no filme. O artista seguiu a carreira artística depois das filmagens do documentário e faz parte de um grupo teatral de Salvador, além de ter sido convidado para atuar no novo filme de ficção de Paula, “Filho de Boi”.

O jovem ainda quer trabalhar no circo no futuro, mas a prioridade no momento é o cinema. “Admiro Rodrigo Santoro e o Selton Mello. O filme ‘O Palhaço’ não se afasta da realidade circense", acredita. "O palhaço da vida real não é feliz 100% do tempo".

Serviço:

Festival “É Tudo Verdade”  (Entrada gratuita)
Rio de Janeiro:
Sábado (9), às 21h, no Espaço Itaú Botafogo
Domingo (10), às 13h, no Espaço Itaú Botafogo

São Paulo:
Segunda (11), às 21h, no Cinearte/Conjunto Nacional
Terça (12), às 13h, no Cinearte/Conjunto Nacional