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Filmes e séries

Destaque em Cannes, "Aquarius" é reverenciado pela crítica internacional

Do UOL, em São Paulo

17/05/2016 17h01

Representante brasileiro no Festival de Cannes, “Aquarius”, do diretor Kleber Mendonça Filho (de “O Som ao Redor”), vem ganhando inúmeros elogios da crítica internacional. O filme, que ainda não tem previsão de estreia no país, é descrito nos principais veículos que cobrem cinema como rico e instigante, com destaque para seu complexo “estudo de personagens” e, principalmente, para a atuação da atriz Sonia Braga, protagonista da trama.

Na história, ela interpreta Clara, uma jornalista e crítica de música aposentada que vive sozinha em um edifício antigo de frente para a praia de Boa Viagem, no Recife. Alvo constante da especulação imobiliária, ela se recusa a vender seu apartamento, sofrendo pressões da construtora e dos próprios vizinhos.

“’Aquarius’ é uma meditação perspicaz sobre a transitoriedade desnecessária de um local e como o espaço físico suprime nossa identidade. Festivais aclamarão, embora distribuidores, infelizmente, possam se sentir cautelosos sobre o tempo de execução do longa [tem duas horas e 25 minutos]”, escreve Jay Weissberg, da revista “Variety".

O jornalista afirma ainda que Sonia Braga é "incomparável" e que o Mendonça Filho é uma "nova e importante" voz do cinema brasileiro, um "mestre" no domínio dos sons. "A câmera dificilmente sai dela, e nós, como público, valorizamos cada momento de sua presença."

O jornal inglês “The Guardian” ressalta que, de certa forma, o filme pode ser visto como uma metáfora do Brasil, “com nepotismo, corrupção e cinismo em seus mais altos escalões”. “O filme não termina da maneira esperada e talvez nem termine de fato”, escreveu o crítico Peter Bradshaw. “É um retrato de densa observação e o retrato soberbamente interpretado de uma mulher de uma certa idade.”

Veja cena de "Aquarius"

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A crítica do site da revista “The Hollywood Reporter” frisa que o diretor já havia estreado de forma memorável e ambiciosa com “O Som ao Redor” (2012) e que agora ele vai além, em muito pelo brilho da estrela Sonia Braga.

“Braga foi uma escolha perfeita para interpretar alguém presa ao passado (especialmente a uma coleção de LP de hits da músicas brasileiras e internacionais) e a um desejo de se manter corporalmente ativa”, afirma o crítico Jordan Mintzer, do “THR”.

Ainda segundo o "Hollywood Reporter", o longa pode decepcionar quem espera por uma estética experimental, talvez mais próxima da de "O Som ao Redor", mas a estratégia "cativa" e "funciona melhor" na composição da personagem.

Na opinião de Geoff Andrew, da revista inglesa “Time Out”, o filme prima pelo equilíbrio. “A virtude de ‘Aquarius’ é que ele nunca sente a necessidade fazer sermões: suas ideias éticas, políticas e psicológicas são cuidadosamente contidas dentro de uma narrativa consistente e convincente que é fluida, relevante e verdadeira”, escreve.

Já o americano "The Wrap", que descreve o filme como revigorante, faz sua aposta para o prêmio de melhor atriz do festival. "Uma estrela que parece pronta para o prêmio de Cannes".

O crítico Philippe Rouyer vai na mesma linha. “Magnífica a interpretação de Sonia Braga no brasileiro ‘Aquarius’. Prêmio de melhor atriz à vista?”, escreve em sua conta no Twitter.

Equipe de "Aquarius" protesta contra o impeachment

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Aplausos e prostesto

"Aquarius" teve sua primeira exibição no Festival de Cannes na manhã desta terça (17), na sala Bazin, sendo bastante aplaudido por jornalistas que lotaram o local.

À tarde, o filme foi exibido em sua sessão de gala, com a presença do elenco e do diretor Kleber Mendonça Filho. A première foi marcada pelo protesto da equipe do filme contra o impeachment da agora presidente afastada Dilma Rousseff.

O longa compete com outros 20 filmes pela Palma de Ouro, prêmio máximo do Festival de Cannes, na França. Entre os favoritos estão "Paterson", do diretor americano Jim Jarmusch, e a comédia "Toni Erdmann", da alemã Maren Ade.

"Aquarius" é aplaudido em Cannes

UOL Entretenimento

Veja lista de filmes selecionados no Festival de Cannes:

Competição

"Aquarius" (Kleber Mendonça Filho)
"American Honey" (Andrea Arnold)
"Bacalaureat," (Cristian Mungiu)
"Elle" (Paul Verhoeven)
"From the Land of the Moon" (Nicole Garcia)
"The Handmaiden" (Park Chan-wook)
"I, Daniel Blake" (Ken Loach)
"It's Only the End of the World" (Xavier Dolan)
"Julieta" (Pedro Almodovar)
"The Last Face" (Sean Penn)
"Loving" (Jeff Nichols)
"Ma' Rosa" (Brillante Mendoza)
"The Neon Demon" (Nicolas Winding Refn)
"Paterson" (Jim Jarmusch)
"Personal Shopper" (Olivier Assayas)
"Slack Bay" (Bruno Dumont)
"Staying Vertical" (Alain Guiraudie)
"Toni Erdmann" (Maren Ade)
"The Unknown Girl" (Jean-Pierre and Luc Dardenne)
"A Salesman" (Asghar Farhad)

Um Certo Olhar

After the Storm" (Hirokazu Kore-eda)
"Apprentice" (Boo Junfeng)
"Beyond the Mountains and Hills" (Eran Kolirin)
"Captain Fantastic" (Matt Ross)
"Clash" (Mohmaed Diab)
"The Dancer" (Stephanie Di Giusto)
"The Disciple" (Kirill Serebrennikov)
"Dogs" (Bogdan Mirica)
"The Happiest Day in the Life of Olli Maki" (Juho Kuosmanen)
"Harmonium" (Fukada Koji)
"Inversion" (Behnam Behzadi)
"The Long Night of Francisco Sanctis" (Andrea Testa)
"Pericle Il Nero" (Stefano Mordini)
"Personal Affairs" (Maha Haj)
"The Red Turtle" (Michael Dudok de Wit)
"The Transfiguration" (Michael O'Shea)
"Voir du Pays" (Delphine Coulin, Muriel Coulin)

Sessões da meia-noite

"Gimme Danger" (Jim Jarmusch)
"Train to Busan" (Bu-San-Haeng)

Sessões especiais

"Le Cancre" (Paul Vecchiali)
"Exil" (Rithy Panh)
"Hissein Habre" (Mahamat-Saleh Haroun)
"The Last Beach" (Thanos Anastopoulos, Davide Del Degan)
"Last Days of Louis XIV" (Albert Serra)

Fora de competição

"O Bom Gigante Amigo" (Steven Spielberg)
"Goksung" (Hong-jin Na)
"Jogo do Dinheiro" (Jodie Foster)
"Dois Caras Legais" (Shane Black)