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Prédio onde foi filmado "Aquarius" pode ser tombado como patrimônio de PE

Mateus Araújo

Colaboração para o UOL

20/10/2016 20h41

O Edifício Oceania, onde foi gravado o filme "Aquarius", poderá ser tombado como patrimônio de Pernambuco. O conselho estadual de preservação cultural decidiu, por unanimidade, reavaliar um pedido de tombamento do prédio, que há dez anos foi aberto mas não finalizado. 

O Oceania foi construído em 1952 e é o último representante de um estilo arquitetônico antigo, destoante dos espigões que compõem a orla da praia de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife. A decisão do conselho foi confirmada pela Secretaria de Cultura de Pernambuco na tarde desta quarta-feira (20). No entanto, não existe prazo para finalização.

"Eu lembro de uma coisa no final da première de 'Aquarius', no (Cinema) São Luiz, no Recife, em 20 de agosto: (o secretário de Cultura de Pernambuco) Marcelino Granja se virou para mim, ainda com os créditos passando, e disse: esse filme acaba de tombar o Oceania", contou o diretor Kleber Mendonça Filho.

Para ele, que está nos Estados Unidos apresentando o filme, “é muito bom ver que o cinema primeiro tombou o prédio e agora os instrumentos legais de fato o tombam e garantem a permanência”. “O Oceania é o último desse estilo antigo de arquitetura na praia de Boa Viagem. Porque, como todo mundo sabe, os outros foram demolidos, ao longo das últimas décadas”, completou.

Conquista

Assim como no longa-metragem protagonizado por Sônia Braga, os moradores do Oceania já tiveram de lidar com a pressão das imobiliárias da capital pernambucana. Há 13 anos, a construtora Queiroz Galvão tentou erguer no local uma torre de 33 andares. A discordância de alguns proprietários fez o projeto ser suspenso.

A professora Aronita Rosenblatt, que mora no Oceania há 42 anos, comemorou a decisão do conselho. “Em 2006, o processo de tombamento foi votado e rejeitado por unanimidade. Mas formalmente aquela decisão não foi concluída, nem publicada no Diário Oficial. Engavetaram”, lembra. “Foi uma questão política. Havia muita intimidade dos governantes com as construtoras. Então o poder público não tinha interesse em tombar o Oceania.”

Para Aronita, que passou a ser comparada à personagem Clara – no filme, a protagonista resiste à derrubada de Aquarius – o longa-metragem de Kleber Mendonça Filho foi fundamental para a preservação do Oceania. “Se autoridades não olhassem, ao menos a sociedade não esqueceria”, garante.

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