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Mulheres intensas e a volta de Lois Lane: Um grande ano para Amy Adams

Superman (Henry Cavill) e Lois Lane (Amy Adams) em cena de "Batman vs Superman" - Divulgação
Superman (Henry Cavill) e Lois Lane (Amy Adams) em cena de "Batman vs Superman"
Imagem: Divulgação

Eduardo Graça

Colaboração para o UOL, em Londres

13/12/2016 07h00

Não tem para mais ninguém. Amy Adams acha graça da expressão e quase concorda, mas a modéstia imposta pelas regras de etiqueta de Hollywood fala mais alto. De fato, não há outra atriz, na corrida para o Oscar de 2017, com dois filmes do quilate de "A Chegada" --que lhe rendeu a indicação ao Globo de Ouro de melhor atriz--, em cartaz nos cinemas brasileiros, e "Animais Noturnos", que estreia em 29 de dezembro. Sim, 2016 foi mesmo um grande ano para Amy Adams.

São duas personagens intensas: Louise, a especialista em linguística de "A Chegada" convocada pelo governo para descobrir como se comunicar com alienígenas; e Susan, a galerista de "Animais Noturnos" às voltas com decisões tomadas no início da vida adulta e suas consequências dramáticas. "O intervalo de filmagens entre 'A Chegada' e 'Animais Noturnos' foi coisa de um mês. E foram experiências mais pessoais do que o normal. Foi assim na última cena de 'Animais' e na primeira de 'A Chegada'. Os primeiros cinco minutos de 'A Chegada' não são fáceis. Foi uma cacetada", se entrega ela em conversa com o UOL.

Os dois filmes foram baseados em livros que investigam, ainda que de forma bem diversa, as perdas e o luto de pessoas próximas às protagonistas. A atriz de 42 anos nasceu e passou a infância na Itália, onde seus pais, norte-americanos, viviam, e tem seis irmãos, uma família grande. Ela enxerga o paralelo. "'Animais Noturnos', especialmente, trata de emoções e de arrependimentos. Vai parecer que é algo menor, mas o filme me fez pensar muito em como me arrependo de ter trabalhado a todo vapor quando minha filha [Aviana, de 6 anos, com o marido, o ator Darren Le Gallo] era pequena. Se eu pudesse voltar no tempo...".

"Animais Noturnos"

Em seu segundo longa-metragem, depois de "O Direito de Amar" (2009), o diretor Tom Ford transforma a protagonista de "Animais Noturnos" em ponte entre a realidade e o livro escrito pelo ex-marido da personagem. Há várias cenas de Amy sozinha no quarto, com óculos de lentes gigantescas e aros grossos, lendo o livro antes de os personagens ganharem em sua imaginação as peles de Jake Gyllenhaal (que também vive seu ex-marido), Michael Shannon e Aaron Taylor-Johnson.

"Ela está deprimida, avaliando suas escolhas", adianta Amy. "Meu companheiro de cena é, quase todo o tempo, o próprio Tom Ford. As tomadas eram longas e ele conseguiu fazer toda a equipe técnica permanecer em silêncio. Algumas vezes, com a câmera ali comigo por tanto tempo, eu ficava desconfortável, mas ele usou isso também. Algumas coisas que a gente não tinha ensaiado acabaram virando minhas melhores cenas do filme".

Das cenas ensaiadas, a que mais impressiona é um encontro fugidio, muito rápido, porém intenso, com a forte personagem de Laura Linney, a texana Anne, que interpreta a mãe de Amy no filme, em um restaurante chique de Nova York. "O que é a Laura Linney, gente? Ela é uma coisa! A cena é curta, mas fundamental, porque mostra como Susan passou a vida fugindo dela mesmo, e é fácil culpar outras pessoas, a mãe, a criação. Susan me fez pensar que você pode continuar tentando escapar de si mesma, mas uma hora vai ter de se encarar", ela acredita.

"Liga da Justiça"

Mas Amy Adams não para por aí: em 2017, ela volta com a serelepe jornalista Lois Lane em "Liga da Justiça". "Me dei de presente voltar a ser Lois Lane", comemora. Após aparecer em "O Homem de Aço" (2013) e em "Batman Vs. Superman: A Origem da Justiça" (2016), ela encarna mais uma vez a repórter do jornal fictício "Daily Planet" em "Liga da Justiça", uma espécie de resposta da D.C. Comics à franquia "Vingadores", da Marvel.

"Eu não vi nada de 'Vingadores'. Só vejo exibições dos filmes que fiz e um monte de desenhos animados de crianças, por causa da minha filha. Se quiser posso te contar tudo sobre 'Divertida Mente', de 'Cegonhas - A História que Não te Contaram' e daquela maravilha que é 'Kubo e as Cordas Mágicas'", diverte-se. "Agora, eu percebo que os filmes de super-heróis estão ficando menos masculinos, o que é um alento. A Gal Gadot faz uma Mulher Maravilha genial".

Para 2017, além de "Liga da Justiça", Amy também será a protagonista Camille Preaker na série "Sharp Objects", que já está em pré-produção pela HBO e é baseada no livro homônimo de Gillian Flynn. 

Oscar 2017

Amy não é uma neófita quando se trata de Oscar. Ela já foi indicada cinco vezes para o prêmio. E por títulos tão diversos quanto o indie de estúdio "Retratos de Família" (2005); o dramão "Dúvida" (2008); as parcerias com o amigo David O. Russell em "O Vencedor" (2010) e "Trapaça" (2013); e o denso "O Mestre" (2012), com seus paralelos com a cientologia.

Na casa da atriz estão os dois Globos de Ouro que ganhou (foram seis indicações), por "Trapaça" e "Grandes Olhos" (2014). E esta poderá ser a primeira vez em que a atriz compete pelo prêmio da Academia de Hollywood contra ela mesma. Ou não.

Fala-se em indicá-la para melhor atriz por "A Chegada" e coadjuvante por "Animais Noturnos", já que ela está ausente de parte da narrativa neste último. "Acho tudo ótimo. Faço parte da Academia e voto também, é uma celebração. Se for indicada mais uma vez, ficarei felicíssima. Se não for, tudo bem. O ano foi intenso. E incrível".