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Como Keanu Reeves inaugurou uma nova franquia lucrativa com "John Wick"

Getty Images
Imagem: Getty Images

Eduardo Graça

Colaboração para o UOL

16/02/2017 04h00

Há meros três anos o consenso em Hollywood era o de que a carreira de Keanu Reeves, 52, havia acabado. Depois de dois fracassos --"O Dia Em Que A Terra Parou", em 2008, e o desastre "47 Ronins", em 2013-- a natural transformação do ator em action hero maduro, à la Tom Cruise ou Will Smith, parecia definitivamente não ter dado certo. Até o aparecimento, em 2014, de um certo John Wick.

O segundo capítulo da franquia, que estreia no Brasil com o subtítulo "Um Novo Dia Para Matar", é, ao mesmo tempo, a consagração da reencarnação mais recente do ator e uma gigantesca banana dada aos críticos interessados em desdenhar do "estilo Keanu de atuar", marcado pelo que seria um aparente vazio de ideias e sentimentos.

Um certo jeito zen de interpretação foi ideal para a criação de John Wick, o assassino profissional frio, solitário, estoico e motivado por um desejo de vingança atiçado pela morte de seu cão e o roubo de seu carro de estimação. O primeiro filme, idealizado pelo diretor Chad Stahelski, amigo de Keanu desde quando era o responsável pelos dublês em "Matrix" (1999), saiu pela "bagatela" de US$ 20 milhões e arrecadou quase US$ 90 milhões nos cinemas mundo afora.

Se alguém ainda duvidava do poder de fogo do havaiano nascido no Líbano, esse alguém deve ter se escondido rapidinho para não ficar no caminho da barulhenta reinvenção de um dos nomes mais identificáveis da cultura pop desde os anos 1980. "Ah, mas o John é um personagem único mesmo, né? Me apaixonei por ele por conta da maneira como ele luta pela sua vida, de sua força de vontade. E por ele ser, ao mesmo tempo, essencialmente independente, um lobo solitário, mas seguir carregando o luto dele para onde for. Eu o entendo", diz o ator ao UOL.

Três perguntas para Keanu Reeves

Parceria com Laurence Fishburne pós-"Matrix"

Em "John Wick - Um Novo Dia Para Matar" o personagem vai parar na Itália. Velhos conhecidos --o chefia Winston (Ian McShane), o concierge Charon (Lance Reddick) e o parceiro Aurélio (John Leguizamo)-- agora dividem a cena com novidades convocadas com o objetivo de expandir o universo imaginado pelo roteirista Derek Kolstad, que está de volta ao batente neste segundo capítulo da franquia e já trabalhando em uma possível série televisiva, uma prequel já esboçada em parceria com Stahelski.

Divulgação
Keanu Reeves e Laurence Fishburne em "John Wick - Um Novo Dia Para Matar" Imagem: Divulgação

Entre as caras novas se destaca Santino D'Antonio, um mafioso vaidoso e perigoso vivido pelo galã italiano Riccardo Scarmacio, e o misterioso The Bowery King ("o rei do Bowery", uma região do sul da ilha de Manhattan que até os anos 1990 era das mais perigosas de Nova York), papel de Laurence Fishburne, em uma reedição da celebrizada parceria do ator com Reeves, quando foram Morpheus e Neo na trilogia "Matrix".

Equipe técnica e atores voltam à mesma tecla quando pensam no sucesso inesperado do primeiro filme: deu certo, especialmente, porque Keanu "se tornou, de fato, Wick". "Keanu trouxe para John Wick uma inocência de alguém que foi machucado pela vida, que só alguém experiente poderia trazer. É uma maneira de atuar que ajuda a trazer o senso de justiça para o centro da narrativa", diz McShane, conhecido do público por Al Swearengen da série "Deadwood", da HBO.

A produtora do filme, Erica Lee, vai além. Para ela, Keanu se tornou John Wick aos poucos, por conta de seu envolvimento com o projeto desde os passos iniciais, quando as reuniões dominicais em sua casa varavam a madrugada. O diretor e amigo Chad concorda. "Keanu é muito parecido com o John Wick, um homem que valoriza precisão e tenacidade".

Um ator de ação

Durante quase três décadas estas qualidades ajudaram Keanu a se tornar um dos astros mais "bancáveis" do cinema norte-americano. Para Laurence Fishburne, o ator talvez tenha encontrado em John Wick seu personagem-fetiche. "Ele tem um comprometimento com seus papeis de ação que são um sonho para um diretor. Quando vi o primeiro filme, fiquei tão impressionado com a estética mais crua e a capacidade dele de incorporar as visões daquele universo criado pelos roteiristas que pedi, na cara dura: 'Meu irmão, arruma um papel aí para mim, vai!'", conta, rindo.

Keanu arrumou. E deixou no ar uma relação passada entre os dois personagens a ser explorada em filmes futuros. "É impossível não se inspirar em seu próprio passado, então há sim uma presença de 'Matrix' em 'John Wick', comigo, Chad e agora o Laurence. Mas em 'Matrix', Morpheus e Neo tinham uma relação de mestre e pupilo, e aqui John e o Bowery King estão, ao que parece, de igual para igual", diz.

As cenas filmadas com os dois personagens no topo de um edifício à beira do East River, no Brooklyn, com vistas privilegiadas de Manhattan, revelavam uma relação marcada por desentendimentos e conflitos que ainda deve dar o que falar.

Sentimentos bem fortes e caros a John Wick, cuja vingança, garante Keanu, está longe de ter chegado a um fim. "Se você não me botar para subir escadas para cima e para baixo, ainda dou bem para o gasto naquilo que mais adoro fazer no cinema: filmes de ação. Me aguardem".

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Keanu Reeves em cena de "John Wick - Um Novo Dia Para Matar" Imagem: Divulgação

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