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Senta que lá vem história: Qual a relação entre Stephen King e o cinema?

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Stephen King (ao centro) e suas criações: o palhaço Pennywise ("It: A Coisa"); John Coffey ("À Espera de um Milagre"), Vern e Chris ("Conta Comigo) e Jack Torrance ("O Iluminado") Imagem: Divulgação/Montagem

Rodolfo Vicentini

Do UOL, em São Paulo

11/04/2017 04h00

Estima-se que Stephen King já tenha vendido mais de 350 milhões de livros em todo o mundo. E desde 1976 o escritor bate ponto em Hollywood. Só para este 2017, por exemplo, três projetos estão encaminhados: "Torre Negra", o remake de "It: A Coisa" e a série anunciada "Castle Rock".

O estreante "Carrie, A Estranha" colocou King como uma aposta da literatura de horror e suspense. Do rascunho resgatado do lixo pela mulher dele, Tabitha Spruce, à versão para as telonas dirigida por Brian de Palma, o autor viu sua carreira decolar com a trama da tímida menina com poder telecinético.

"O Iluminado", "A Hora da Zona Morta", "Conta Comigo", "Louca Obsessão", "Um Sonho de Liberdade" e "À Espera de um Milagre" são algumas das produções baseadas na bibliografia de King que fizeram fama nas telonas.

Mas, afinal, por que Stephen King é tão visado entre cineastas? O que falam suas histórias e o que levam milhares de pessoas a entrar nesse universo fantástico da pacata cidade de Portland, no Maine, terra natal do autor?

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Cena do filme "Louca Obsessão" Imagem: Reprodução

Personagens

Enquanto uns marcam pela simpatia, outros são lembrados pelos poderes. John Coffey, por exemplo, junta os dois. O condenado por engano pelo estupro de duas garotas que carregava a dor do mundo no corpo ainda é lembrado em "À Espera de um Milagre". Em outro viés estão Jack Torrence, o louco personagem retratado nas telonas por Jack Nicholson em "O Iluminado", e o demônio Pennywise, de "It: A Coisa". 

King não fica restrito apenas a abordagem física de seus protagonistas, mas também entra na mente doentia de cada um. Cada obra escrita é rica em detalhes do que sentem e como se comportam as figuras, o que facilita na hora de deslocar a trama para o cinema. 

Em uma conversa com o próprio Stephen King, o escritor George R. R. Martin - saga "A Guerra dos Tronos" - analisou que diferente de outras obras em que o terror é externalizado, King mostra também que "as pessoas são as verdadeiras vilãs".

Reprodução
Cena do filme "À Espera de um Milagre" Imagem: Reprodução

Histórias

"Ele é um excelente contador de histórias", opinou o cineasta Frank Darabont para a coleção "Creative Screenwriting". "Ele roda a história de uma forma antiga que acaba sendo envolvente, muito detalhada", completou o diretor responsável por "Um Sonho de Liberdade", "À Espera de um Milagre" e "O Nevoeiro", todas obras de King.

A criatividade do autor é um atrativo para os produtores, principalmente por ser versátil. King consegue falar de vampiros, demônios e poderes sobrenaturais, mas também apresenta suas versões do que é o amor, a amizade e a coragem. 

Cada livro carrega uma valiosa cultura do que o público gostaria de ver. Pode ser a fascinação por temas sombrios ou a força do amor, não importa, de algum jeito você se sente fisgado em um ponto do enredo.

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Quem nunca imaginou como seria crescer no estado do Maine? Imagem: Reprodução

Infância

Já parou para pensar como você era com 11 anos, a idade que as crianças de Derry enfrentaram A Coisa pela primeira vez? A infância simples e nada tecnológica retratada por King nas obras é fascinante, principalmente se formos compará-la com o que vemos hoje.

As crianças viviam nas ruas, sempre com suas bicicletas, se aventurando pelas fictícias cidades pacatas --e assustadoras-- do estado preferido do autor. O escritor passeia pelos momentos que mais marcam a infância, como o primeiro amor e a força da amizade, de forma simples e delicada.

King abraça os rejeitados, os que não eram populares na escola e nunca se sentiram valorizados. Frases marcantes sempre se encaixam nas histórias como o diálogo entre Gordie e Chris em "Conta Comigo", em que Gordie questiona o amigo se ele o acha "estranho: "Sim, mas e daí? Todo mundo é estranho".

O cinema adora isso.

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O cenário bucólico de Maine é palco de visões assustadores, como a do palhaço Pennywise Imagem: Reprodução

Maine

Esqueça as grandes metrópoles. Tudo - ou quase tudo - de sobrenatural nos Estados Unidos é culpa desse estado, o Maine.

A nova série "Castle Rock", parceria entre King e o cineasta J.J. Abrams, vai mostrar o universo maligno das obras "A Hora do Vampiro", "Trocas Macabras" e "It: A Coisa".

Algumas localidades, como a prisão de Shawshank, sempre aparecem nas obras, o que traz uma sensação de visitar um velho amigo a cada livro.

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Carrie e seus poderes revolucionaram o cinema de horror na década de 1970 Imagem: Reproduēćo

Sobrenatural

Talvez a característica mais marcante quando se pensa em Stephen King. Histórias assustadoras vendem e a tecnologia fez com que os produtores pudessem incrementar cada vez mais o segmento de horror.

Do cemitério que devolve a vida em "O Cemitério Maldito" ao assustador cachorro "Cujo" passando pelos seres alados em "O Nevoeiro", o autor retrata suas versões daquilo que fascina tanto o público: o medo.

King tem a visão de um cineasta, basta ler suas descrições em cenas perturbadoras, o que é um obstáculo a menos para chegar ao grande público do cinema. 

Poderes, forças ocultas e a batalha entre o consciente e o inconsciente marcam o trabalho do escritor, que completa 70 anos em setembro deste ano. "Ele é um analista da alma humana, se você desejar, assim como os melhores contadores de histórias são", decretou Darabont.

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