Topo

Filmes e séries

Elenco, roteiro, direção: tudo o que já sabemos sobre "Mussum, o Filmis"

Reprodução/Divulgação/Montagem
O ator Ailton Graça (à direita), que interpretará o humorista Mussum no cinema Imagem: Reprodução/Divulgação/Montagem

Leonardo Rodrigues

Do UOL, em São Paulo

12/05/2017 04h00

Como um garoto que nasceu pobre no morro, filho de uma empregada doméstica analfabeta, terminou a vida sendo um dos maiores e mais importantes humoristas do país? É essa a pergunta-chave que o longa "Mussum, o Filmis" tentará responder em 2019. A cinebiografia do trapalhão está engatilhada, com protagonista escolhido e uma história de época que promete ser grandiosa, tomada de referências pop, humor e emoção. Um filme "para a família".

“O que eu tinha nas mãos é a trajetória de alguém que amava o samba, que fez sucesso como sambista, mas que acabou amarrado pelo seu talento natural de fazer rir, Não é que ele não gostasse de ser comediante, mas o samba era a sua verdadeira paixão, e ele desviou-se dela por questões financeiras e pessoais”, diz ao UOL, com exclusividade, o roteirista Paulo Cursino.

Com censura livre, o longa terá trama romanceada. Ou seja, os fatos narrados serão reais, mas não essencialmente literais. O "lado sombrio" de Mussum ficará em segundo plano. “Não é questão de mentir ou omitir, mas de ser fiel a um princípio dramático e a um objetivo claro. Estamos falando de como Antônio Carlos Bernardes virou Mussum. Não de como ele era mulherengo ou se bebia demais.”

Veja abaixo tudo o que já sabemos sobre o filme.

Divulgação/Páprica Fotografia
O diretor carioca Roberto Santucci Imagem: Divulgação/Páprica Fotografia

Direção

A direção está nas mãos do “rei” das bilheterias Roberto Santucci, de “Até que a Sorte nos Separe”, “Loucas pra Casar” e “De Pernas pro Ar”. O carioca pretende reconstituir a história de Mussum de maneira grandiosa e divertida, da infância aos últimos dias, com enfoque no período clássico do programa "Os Trapalhões". Segundo os produtores, o formato não é o de comédia clássica, mas nem por isso será um filme triste. A Ancine autorizou o projeto, tocado pela produtora Camisa Listrada, a captar R$ 10 milhões, valor considerado alto para o padrão do cinema nacional.

Arquivo pessoal
Mussum se apresenta com os Originais do Samba no México, nos anos 1960 Imagem: Arquivo pessoal

Roteiro

Atualmente em fase de tratamento, o roteiro foi escrito por Paulo Cursino, das séries “Sai de Baixo” e “Sob Nova Direção” e de filmes como os da franquia “Até que a Sorte nos Separe”. É baseado no livro “Mussum Forévis : Samba, Mé e Trapalhões” (2014), do jornalista Juliano Barreto, que colabora no projeto. De acordo com Cursino, a ideia é aprofundar o Mussum que se escondia por trás do personagem midiático. Um sujeito que nasceu na favela, serviu o Exército, formou o grupo Os Originais do Samba e, ainda que tenha virado símbolo da boemia e malandragem, nunca deixou de ser um pai dedicado e rígido. O roteiro terá o samba como fio condutor.

Reprodução
Os Trapalhões em seu quarteto clássico Imagem: Reprodução

Elenco

Um nome está definido: Ailton Graça, que dará vida a Mussum na fase adulta, quando ele passa a atender pelo apelido famoso dado por Grande Otelo. Antes, como “Carlinhos”, será vivido na infância e juventude por outros dois atores, ainda a ser escolhidos, assim como os intérpretes de Didi, Dedé e Zacarias. Os remanescentes dos Trapalhões e a família de Zacarias serão posteriormente acionados para participar da escolha dos atores. Otelo, Chico Anysio, Garrincha, Elza Soares, Rogéria, Milton Gonçalves e Boni também figurarão no filme. Jorge Ben Jor, que compôs para os primeiros álbuns dos Originais do Samba, e Jair Rodrigues podem aparecer. Os testes de elenco devem acontecer no segundo semestre deste ano.

Arquivo pessoal
Mussum em seu casamento com Neila, no dia 3 de Novembro de 1972 Imagem: Arquivo pessoal

Família envolvida

Assim como no livro “Mussum Forévis : Samba, Mé e Trapalhões”, "Mussum, o Filmis" também contará com colaboração da família do humorista. Existe desde o início uma preocupação com o teor do roteiro, cujo desenvolvimento acabou atrasando a produção. De acordo com o cronograma inicial, as filmagens deveriam ter começado no ano passado. "Já mostrei a história para o Augusto e o Sandro, filhos do Mussum, e eles me passaram algumas observações importantes, mas pontuais. Graças a Deus, eles disseram que adoraram o que leram", diz ao UOL o roteirista Paulo Cursino.

Reprodução
O humorista Antônio Carlos Bernardes Gomes, o Mussum Imagem: Reprodução

Captação, e filmagens e lançamento

Ainda em pré-produção, o filme está na fase de captação de recursos, que podem ou não alcançar o valor de R$ 10 milhões. As filmagens acontecerão majoritariamente no Rio, no ano que vem. A previsão é que o filme seja lançado em 2019, próximo dos 25 anos da morte do humorista, que morreu aos 53 anos, em 29 de julho de 1994. Os produtores querem replicar o Rio de Janeiro dos anos 1950 e 1960, marcando com a música a infância e juventude de Mussum. Haverá filmagens em favela, e uma das referências estéticas será o clássico “Orfeu Negro", do cineasta francês Marcel Camus. O set também será montado em São Paulo, para retratar a época em que os Trapalhões viraram sensação na TV Tupi, nos anos 1970, quando Mussum já morava na capital paulista.

Facebook Messenger

Receba as principais notícias do dia. É de graça!