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Mais séries: Netflix deve gastar US$ 7 bilhões em conteúdo próprio em 2018

"Os Defensores" é a próxima série da Netflix a estrear, nesta sexta-feira  - Divulgação/Netflix
"Os Defensores" é a próxima série da Netflix a estrear, nesta sexta-feira Imagem: Divulgação/Netflix

Do UOL, em São Paulo

15/08/2017 11h37

A Netflix vem fazendo investimentos bilionários em séries e filmes originais, e esse valor deve aumentar ainda mais: em entrevista à revista “Variety”, o chefe de conteúdo Ted Sarandos entregou que a gigante do streaming deve investir US$ 7 bilhões em conteúdo próprio em 2018, mais dos que os US$ 6 bilhões orçados para este ano e os US$ 5 bi de 2016.

O aumento do valor investido é estratégico, já que a Netflix começa a enfrentar a concorrência de estúdios que estão optando por criar seus próprios serviços para exibir suas produções. Na última semana, a Disney anunciou que irá lançar um serviço de streaming próprio e, por isso, retirará suas produções do catálogo da Netflix.

“Diria que a relação entre estúdios e emissoras sempre foi como a relação com um falso amigo. Todo mundo está fazendo alguma versão disso já. Eles têm que tomar uma decisão sobre como otimizar o conteúdo para suas empresas, suas marcas e seus acionistas. Nós começamos a produzir conteúdo original cinco anos atrás, apostando que isso aconteceria”, afirmou.

Apesar de já prever esse movimento, Sarandos se preocupa com o futuro, uma vez que a maior parte do conteúdo exibido pela Netflix ainda é licenciado e deve levar, segundo eles, alguns anos para que eles sejam equivalentes: “Quanto mais bem-sucedidos somos, mais fico ansioso em relação à boa vontade dos estúdios em licenciar as coisas deles para nós”.

No que pareceu uma reação ao anúncio da Disney, a Netflix anunciou no último domingo (13) a contratação de Shonda Rhimes, que estava até então com a ABC, emissora da Disney. Uma das mais poderosas produtoras da TV americana, ela é o nome por trás de séries como “Grey’s Anatomy”, “Scandal” e “How to Get Away With Murder”. “Shonda e eu pudemos nos conhecer ao longo dos anos e sempre tive um tremendo respeito por ela. Procurei o feedback dela e até levei DVDs dos nossos futuros projetos à casa dela”, lembrou Sarandos.

Dívidas e novos formatos

Na indústria do entretenimento, há que duvide que o modelo de negócios da Netflix seja sustentável no longo prazo, o que foi negado pelo executivo. “Não estamos gastando dinheiro que não temos. Estamos gastando da nossa receita. Temos um dos níveis de divididas mais baixos da indústria”, declarou. Recentemente, a Netflix divulgou ter uma dívida de US$ 4,8 bilhões, com mais US$ 15, 7 bilhões em contratos de licenciamento com estúdios.

Na investida em conteúdos originais, a Netflix pretende ampliar o número de produções locais, que hoje somam 17, como a brasileira “3%”. “Isso vai crescer para 70 a 100 séries nos próximos anos”, disse Sarandos. 

O que também vai crescer é o número de realities e talk-shows no serviço. A empresa, que recentemente tirou da aposentadoria o apresentador David Letterman, está lançando um departamento só para cuidar de programas do tipo. Sarandos estimou que 50 novas produções na área vão chegar à Netflix a partir do próximo ano.

Cancelamentos

No último ano, a Netflix começou a cancelar várias de suas séries originais: “Marco Polo”, “Sense8”, “The Get Down”, “Girlboss” e “Gypsy” foram limados da grade, mas não gratuitamente. “Não é como se tivéssemos saído deliberadamente para cancelar mais séries”, disse Sarandos. “A ideia é dizer ‘você está se arriscando o suficiente?’ O ruim de renovar uma série que não está sendo vista o suficiente é que isso cria um custo de oportunidade. E muitas oportunidades perdidas para os fãs encontrarem algo que vão amar”.

No caso de “Sense8”, cujo cancelamento após a segunda temporada causou revolta entre os fãs, a Netflix chegou a oferecer às irmãs Wachowski a possibilidade de fazer um final de duas horas, o que foi recusado na época. Lana reconsiderou a ideia, porém, após os incontáveis pedidos nas redes sociais. “A influência dos fãs sobre ela ajudou muito. O desejo de dar um final cresceu bastante”.
 

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