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Atores de "Narcos" defendem legalização: "As drogas não vão desaparecer"

Divulgação/Netflix
Damian Alcazár é Gilberto Rodriguez Orejuela, líder do Cartel de Cali, na terceira temporada de "Narcos" Imagem: Divulgação/Netflix

Giselle Almeida e Natalia Engler

Do UOL, na Cidade do México e em Bogotá (Colômbia)*

10/09/2017 04h00

A terceira temporada de "Narcos" comprova o que todo mundo já sabia: o inimigo, à primeira vista, é outro, mas a guerra continua a mesma e sem hora para acabar. Findo o reinado de Pablo Escobar (Wagner Moura) e do cartel de Medellín no comando da distribuição da cocaína, Javier Peña (Pedro Pascal) concentra sua atenção no cartel de Cali --apenas até que outro rei assuma seu lugar.

Não à toa um quarto ano da série da Netflix já está confirmado, provavelmente ambientado no México --material de inspiração a própria realidade se dá conta de produzir. Um círculo vicioso que, para parte do elenco da série, só a legalização das drogas pode interromper.

"Não sei até quando vão permitir que esse negócio esteja fora da lei. Porque deveria ser legalizado, essa é minha opinião. Não vai acabar jamais. Passarão mil anos, e as drogas vão continuar existindo, não se pode erradicar", argumenta o mexicano Damián Alcazár, que interpreta Gilberto Rodríguez, o principal líder do cartel de Cali.

“As drogas não vão desaparecer. Não há um só momento da história humana em que não consumimos drogas. Sempre vamos fazer isso”, concorda o também mexicano José Maria Yazpik, que deve ter um papel maior na quarta temporada como Amado Carrillo, chefe do cartel de Juárez, no México.

Juan Pablo Gutierrez/Netflix
José Maria Yazpik interpreta o traficante mexicano Amado Carrillo: "As drogas não vão desaparecer" Imagem: Juan Pablo Gutierrez/Netflix

“Acho que legalizar é provavelmente a melhor opção”, diz ele. “É um assunto muito complexo, se eu tivesse a resposta, estaria na ONU. Mas atirar em pessoas não é a maneira certa de fazer isso. E proibir também não. Você pode legalizar, daí pode ter uma ideia de quantas pessoas estão consumindo o que, pode controlar a qualidade da mercadoria que está sendo vendida, pode taxar os vendedores de drogas e pode usar o dinheiro para investir em saúde, educação”, acredita.

A colombiana Taliana Vargas aponta a semelhança entre o que se passou na Colômbia nos anos 1990 e o que o México vive hoje. “Há países que estão passando agora pelo que passamos nos anos 1990, como o México, e não há uma resposta única”, acredita ela, que na terceira temporada de “Narcos” interpreta Paola Salcedo, mulher de um delator do cartel de Cali. “A legalização poderia ajudar a nos livrarmos desses cartéis e do crime. Como aconteceu com o álcool em sua época”, compara.

Consumo

O espanhol Matías Varela, que interpreta Jorge Salcedo, acredita que o consumo é um dos pontos que geralmente não é levado em consideração no combate às drogas. “No fim das contas, não haveria drogas se ninguém usasse. O problema que arrasou a Colômbia nos anos 1980 e 1990 e agora se mudou para o México é baseado em um mercado europeu e norte-americano”, afirma.

Juan Pablo Gutierrez/Netflix
Matías Varela e Taliana Vargas formam o casal Jorge e Paola Salcedo na terceira temporada Imagem: Juan Pablo Gutierrez/Netflix

“A realidade é que, enquanto jovens em Londres quiserem cheirar cocaína, haverá cocaína. Para mim, como uma pessoa comum, parece que deveria haver uma guerra em diferentes fronts. Uma contra quem está produzindo e processando essas drogas, e também contra o vício”, diz ele, que, no entanto, concorda que a proibição está associada ao crime. “Não tem como não pensar que talvez estejamos abordando isso da maneira errada”.

Alcazár tem uma opinião diferente em relação ao consumo. "Nós, adultos, temos que ser livres para consumir o que quisermos. Eu gosto de chocolate. Quem vai ser o juiz divino que vai dizer: 'Isso sim e isso não'? Faz tempo que acredito que somente a legalização vai terminar com esse monstro infame que come a nossa gente pobre", continua o ator, afirmando que os efeitos da guerra contra as drogas são ainda piores no México que na Colômbia.

“Quando [o ex-presidente mexicano Felipe] Calderón disse que precisávamos fazer uma guerra frontal [contra o narcotráfico], ferrou tudo”, completa Yazpik. “Não é assim que se combate isso. Você não pode vencer atirando balas, tem que achar meio-termos, dialogar, procurar opções diferentes. Porque agora sabemos que não funciona assim. Nenhum governo conseguiu fazer isso”.

Bandidos ou heróis?

Assim como outras obras de ficção que abordam o universo do crime, "Narcos" sofreu críticas por supostamente glorificar o tráfico --inclusive de Juan Pablo Escobar, filho de Pablo. Alcazár, no entanto, rebate essa visão.

Divulgação/Netflix
Cena da terceira temporada de "Narcos" Imagem: Divulgação/Netflix

"Acredito que a série capta a realidade da América Latina. Quem fala que glorifica quer que glorifiquemos quem? Os políticos? Os grandes homens de negócios que privatizaram tudo? Os temas não têm que ser evitados. Essa é a nossa realidade. É terrível, mas ela existe para muita gente", afirma.

Yazpik concorda. “Não há nenhuma glorificação desses personagens. Eles todos terminam mortos, traídos ou na cadeia. Nenhum deles é herói”, acredita. “É como ir à terapia. É bom falar de tudo isso, mesmo que seja doloroso”.

* As jornalistas viajaram a convite da Netflix

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