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Metade dos filmes nacionais não ultrapassa marca de 4.000 ingressos

A comédia "Minha Mãe é uma Peça 2" (2016), com Paulo Gusttavo, é um dos poucos títulos nacionais que passou da marca de um milhão de espectadores - Reprodução
A comédia "Minha Mãe é uma Peça 2" (2016), com Paulo Gusttavo, é um dos poucos títulos nacionais que passou da marca de um milhão de espectadores Imagem: Reprodução

Jotabê Medeiros

Colaboração para o UOL

26/10/2017 18h31

O ministro da Cultura Sérgio Sá Leitão apresentou nesta quinta-feira (26) em São Paulo o que chamou de “números inéditos” sobre o cinema nacional, um balanço produzido a seu pedido pela Agência Nacional de Cinema (Ancine) que mostra que, dos 881 filmes produzidos desde 2012, 438 tiveram a média de 3.650 ingressos vendidos.

Durante o evento, promovido pela 41ª Mostra Internacional de Cinema, Sá Leitão ironizou, dizendo que tem mais amigos no Facebook do que isso. “Não são todos amigos. Mas pelo menos não há haters”, disse.

Cerca de 20% dos filmes do período ficaram entre 3.650 e 14 mil espectadores (178 produções), enquanto 14% chegaram a 100 mil espectadores. Somente 8% atingiram meio milhão de espectadores (73 filmes) e 3% ficaram entre 500 mil e um milhão (23 filmes), e 48 ultrapassaram um milhão de espectadores.

O Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), um dos mecanismos de apoio ao cinema nacional, arrecadou R$ 7,7 bilhões desde 2012 (em 2017, R$ 1 bilhão oriundo das teles). Desse total, R$ 3,8 bilhões foram destinados ao cinema.

O diagnóstico também mostra que os recursos do FSA ficaram concentrados no Rio de Janeiro (47%) e São Paulo (33%). “Não funcionaram as cotas regionais”, afirmou o ministro, dizendo que essa concentração desrespeita a lei. “À margem da legalidade, para usar aqui um eufemismo”, disse. Dos filmes financiados, 79% são de ficção, enquanto 15% são documentários e 6% filmes de animação.

Segundo o levantamento, subiu de 9%, em 2013, para 22% (2017) o número de coproduções internacionais. A destinação principal dos recursos fica com o cinema (59%) e a TV (30%). Somente 7% foram destinados ao desenvolvimento e 4% à distribuição, o que levou o ministro a afirmar o seguinte: “Meus amigos, eu posso afirmar, pela experiência que tenho na área, que dessa maneira não se desenvolve uma indústria do audiovisual”, afirmou.

Segundo Sá Leitão, o fundo do audiovisual tem à disposição, nesse momento, R$ 800 milhões para investimento no cinema. “Muitos desses dados não eram sabidos. Eu e a Debora Ivanov (presidente da Ancine) pedimos o levantamento”, disse Sá Leitão.

Na TV paga, em 2016, foram mostrados em 92 canais monitorados 4.443 títulos brasileiros, dos quais 3.494 filmes independentes.