Filmes e séries

Alias Grace prova que a vida das mulheres não mudou tanto desde o século 19

Jan Thijs/Netflix
Cena de "Alias Grace" Imagem: Jan Thijs/Netflix

Beatriz Amendola

Do UOL, em São Paulo

08/11/2017 04h00

A série “The Handmaid’s Tale”, baseada no livro “O Conto da Aia”, impressionou o público e arrebatou prêmios com seu retrato de um futuro distópico em que mulheres estão condenadas à total falta de autonomia sobre suas vidas. E o tema retorna agora em outra adaptação de uma obra da escritora Margaret Atwood: “Alias Grace”, minissérie canadense que estreou na Netflix na última sexta-feira (3). Dessa vez, no entanto, o cenário não é um futuro sombrio, e sim um passado cruel – que permanece vivo como nunca.

“Alias Grace” conta a história, baseada em fatos reais, de Grace Marks (Sarah Gadon), uma imigrante irlandesa de apenas 16 anos que foi presa pelo assassinato de seu patrão, o Sr. Kinnear (Paul Gross), e da governanta da residência, Nancy (Anna Paquin) – assim como o outro empregado da casa, James McDermott (Kerr Logan), que acabou condenado à morte.

Sabrina Lantos/Netflix
O espectador não sabe o que é verdade e o que é mentira em "Alias Grace" Imagem: Sabrina Lantos/Netflix

Ela já está atrás das grades há 15 anos quando conta sua história a Simon Jordan (Edward Holcroft), um psiquiatra contratado por um grupo de benfeitores que acredita na inocência de Grace e quer reverter sua condenação. Cabe a Jordan determinar não só se Grace é inocente ou culpada, mas também se ela é sã.

A dúvida permeia cada um dos seis capítulos da minissérie, costurados entre o presente e a história contada por Grace, em um hábil exercício de metalinguagem. Afinal, ela fala a verdade, o que o médico quer ouvir ou está mentindo descaradamente? A estrutura, desafiadora, funciona tão bem, em grande parte, por conta da atuação fascinante da protagonista Sarah Gadon. Ao mesmo tempo delicada e forte, ela consegue transmitir todas as nuances de Grace, que transita entre a ingenuidade e a honestidade brutal que só é permitida em pensamento.

O roteiro escrito por Atwood em parceria com Sarah Polley (“Entre o Amor e a Paixão”) e a direção de Mary Harron (“Psicopata Americano”) também conseguem usar a complexidade da trama a seu favor, para dar o tom da tragédia inevitável da protagonista. E, nesse ponto, “Alias Grace” tem muito em comum com “The Handmaid’s Tale”: os dramas vividos por Grace são movidos, acima de tudo, pela dificuldade de ser mulher em um mundo em que os homens têm todo o poder e toda a credibilidade.

Desde o início, a história dela é inseparável dos abusos que ela sofre nas mãos dos homens que cruzam seu caminho. Em certo momento, ela, assustada, olha a porta enquanto um homem tenta invadir seu quarto – um acontecimento determinante para o resto de sua trajetória. “Quando você é encontrada com um homem em seu quarto, você é culpada, não importa como ele entrou”, reflete ela.

A frase, lamentavelmente, permanece atual – vide algumas reações às denúncias contra o magnata Harvey Weinstein, acusado de assédio e abuso sexual –, assim como outros temas espinhosos tratados na minissérie. “Alias Grace” prova que, no fim das contas, o mundo não mudou tanto assim para as mulheres, e o futuro de “Handmaid’s” pode estar mais perto do que imaginamos. 

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