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Comediante Louis C.K. admite assédio sexual e diz que está arrependido

Getty Images
Imagem: Getty Images

Do UOL, em São Paulo

10/11/2017 16h49

Um dia após virem à tona acusações de assédio sexual, o comediante Louis C.K. publicou um comunicado nesta sexta-feira (10) admitindo que são verdadeiras as histórias, contadas por cinco mulheres ao jornal "The New York Times". "Eu estou arrependido das minhas ações", escreveu ele em carta aberta, reproduzida por sites estrangeiros.

Comediante, roteirista, diretor, ator e produtor, Louis C.K. é um dos mais proeminentes nomes da comédia americana da atualidade, adepto do humor negro e do chamado politicamente incorreto. Oriundo da cena do stand-up, ele ganhou vários prêmios de destaque, incluindo um Emmy ("The Chris Rock Show), um Grammy (pelo álbum de humor "Hilarious") e cinco "American Comedy Awards", considerado o Oscar da comédia.

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Leia o comunicado:

Eu quero falar sobre as histórias publicadas pelo "New York Times", por cinco mulheres de nomes Abby, Rebecca, Dana, Julia, que se sentiram capazes de revelarem seus nomes, e uma que não quis se identificar.

Essas histórias são verdadeiras. Na época, eu disse para mim mesmo que o que eu fiz era 'ok' porque eu nunca havia mostrado meu pênis para uma mulher sem perguntar antes, o que também é verdade. Mas o que eu aprendi depois com a vida, tarde demais, é que quando você tem poder sobre outra pessoa, pedir para que elas olhem seu pênis não é uma pergunta a se fazer. É uma situação difícil para elas. O poder que eu tinha sobre essas mulheres é o que elas admiravam em mim. E eu exerci o poder irresponsavelmente.

Eu estou arrependido das minhas ações. E eu tentei aprender com elas. Mas [também] fugir delas. Agora, eu estou ciente da dimensão do impacto das minhas ações. Eu aprendi ontem a dimensão do que eu causei a essas mulheres que me admiravam, se sentindo mal com elas mesmas e em alerta com outros homens que nunca as colocariam nessa posição.

Eu também me aproveitei do fato de que eu era muito admirado na minha e na área delas, o que as impediu de dividirem suas histórias e que trouxe dificuldades para elas quando elas tentaram fazer isso, porque as pessoas não queriam ouvi-las. Eu não pensei que eu estivesse causando isso, porque minha posição me permitiu não pensar sobre isso. Não há nada sobre isso tudo que eu possa me perdoar. E eu tenho que reconciliar com quem eu sou. O que não é nada em comparação com a tarefa que eu deixei para elas.

Gostaria de ter reagido à admiração que elas tinham por mim sendo um bom exemplo para elas como homem e lhes dando alguma orientação como comediante, inclusive porque eu admirava o trabalho delas.

O mais difícil do arrependimento é viver com o fato de que você machucou alguém. E eu dificilmente vou compreender toda a dor que eu causei a elas. Eu seria negligente em ignorar a dor que eu trouxe às pessoas com quem eu trabalho e com quem trabalhei, que tiveram suas vidas profissionais e pessoais afetadas por isso, incluindo projetos que estão em produção neste momento: o elenco e a equipe de "Better Things", "Baskets", "The Cops", "One Mississippi", e "I Love You Daddy". Lamento profundamente que isso tenha chamado atenção negativamente para meu empresário, Dave Becky, que tentou mediar a situação que eu causei. Eu trouxe angústia e dificuldade para as pessoas da emissora FX que me ajudaram tanto em meu filme "The Orchard". E a todo mundo que apostou em mim ao longo dos anos.

Eu trouxe dor para minha família, meus amigos, meus filhos e minha mãe.

Passei minha longa e sortuda carreira falando sobre o que eu queria. E agora vou dar um passo para trás e tirar um bom tempo para ouvir.

Obrigada por ler.

As acusações

Horas depois de anunciar o cancelamento da festa de pré-estreia de seu novo filme, o comediante Louis C.K foi acusado de assédio sexual por cinco mulheres em uma reportagem publicada pelo jornal "The New York Times".

Entre elas estão as comediantes Dana Min Goodman e Julia Wolov, que relatam terem sido convidadas a ir ao quarto do comediante durante um evento em 2002. Ao chegar lá, ele teria ficado nu e começado a se masturbar na frente delas.

Segundo Rebecca Corry, em 2015, na gravação de um programa, ele perguntou se podia se masturbar na frente dela. A comediante disse ter recusado a oferta argumentando que a mulher dele tinha uma filha. "Ele ficou envergonhado e disse que tinha problemas."

Outra comediante, Abby Schachner, afirmou que, em 2003, durante uma conversa telefônica, Louis C.K. começou a falar de fantasias sexuais e, em certo momento, passou a respirar de forma ofegante, como se estivesse se masturbando. 

Dave Becky, empresário de C.K., também é acusado de ter pressionado as mulheres a manterem o caso em segredo. Ele não se manifestou sobre o comunicado de C.K. nem sobre a reportagem do maior jornal americano, responsável também por estourar o escândalo sexual envolvendo o produtor Harvey Weinstein.

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