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Netflix do cinema brasileiro estreia nesta quinta com 10 filmes para alugar

A animação "O Menino e o Mundo", do diretor Alê Abreu, está na Spcine Play - Reprodução
A animação "O Menino e o Mundo", do diretor Alê Abreu, está na Spcine Play Imagem: Reprodução

Beatriz Amendola

Do UOL, em São Paulo

21/11/2017 14h42

O cinema brasileiro vai ganhar um Netflix pra chamar de seu a partir desta quinta-feira (23), às 10h, quando entra no ar a Spcine Play, uma plataforma de vídeo sob demanda (VOD, na sigla em inglês) dedicada exclusivamente a títulos nacionais – ainda em versão teste.

A Spcine Play foi desenvolvida pela Spcine, órgão da prefeitura de São Paulo para fomento ao cinema, em parceria com a O2 Play, da produtora O2 Filmes, e o Hacklab, um laboratório de produções digitais. Ela estreará com 10 filmes, que podem ser alugados a R$ 3,90 por sete dias. Entre eles, estão "Mãe Só Há Uma", de Anna Muylaert, "Califórnia", de Marina Person, e a animação "O Menino e o Mundo", indicada ao Oscar.

O projeto, que já vinha sendo desenvolvido há dois anos, quer ser “uma janela privilegiada para o cinema brasileiro no mercado de VOD”, nas palavras do secretário da Cultura de São Paulo, André Sturm.

Ele ainda ressaltou o papel de um serviço de streaming nacional frente a grandes concorrentes como a Netflix, que há anos é alvo de pedidos de regulamentação do setor.  “A gente não pode permitir que algo que tenha o potencial de ser algo relevante pra indústria do audiovisual se torne mais um monopólio ou oligopólio, como já aconteceu no mercado de cinema e no de TV paga. A perspectiva de que isso aconteça é grande, mas a gente vai trabalhar para que não aconteça.”

O investimento para tirar a Spcine Play do papel foi “moderado”, segundo o diretor-presidente da Spcine, Mauricio Andrade Ramos, que não revelou valores. “Foi compatível com o de uma start-up”, explicou. O lucro advindo dos aluguéis dos filmes será divido igualmente: metade para o consórcio liderado pela Spcine, e metade para os produtores da obra.

Catálogo limitado

A opção por ter apenas 10 títulos durante a primeira fase da plataforma, que deve durar seis meses, foi motivada principalmente por questões técnicas, a fim de garantir o bom funcionamento do serviço. E ainda que não haja previsões concretas para a adição de novos filmes nesse tempo, ela também não é descartada.

“A gente quer entender quanto vamos conseguir abrigar nesse orçamento”, explicou Igor Kupstas, diretor da O2 Play. “A gente tem um interesse enorme de fazer isso, adoraria que conseguíssemos acrescentar novos filmes, mas a princípio seriam esses dez.”

No futuro, com a ampliação das ofertas, a Spcine Play ainda pretende oferecer lançamentos ao preço de R$ 6,90 – e pode inclusive ser usada para levar novas produções nacionais onde elas normalmente não chegariam, segundo o secretário municipal. “O filme estreia em São Paulo, mas não vai passar em Joao Pessoa, em Campina Grande. Então por que não pensar em soluções em que a gente estreia no cinema em São Paulo, Rio, Porto Alegre, e no VOD em praças em que não há cinema? Acho que a SPcine vai possibilitar, no segundo momento, que a gente trabalhe lançamentos de filmes de maneira mais criativa e eficiente.”

Dados abertos ao público

Como a Netflix, a Spcine Play irá investir em tags diferentes para agrupar seus conteúdos, indo além de classificações como “drama” ou “comédia”. “Mãe Só Há Uma”, por exemplo, ganhou a tag “Em Família”, e o documentário “Paratodos”, sobre atletas paraolímpicos brasileiros, ficou com “para assistir com um lencinho”.

A brasileira, no entanto, vai fazer algo bem diferente da americana: vai divulgar os dados de audiência. “A parte pública do nosso tripé exige isso e estamos felizes em fazer isso. A ideia é que a gente faça um relatório colocando para o mercado dados como quais munícipios mais acessaram a plataforma”, afirmou Kupstas.

A Spcine Play não terá aplicativo próprio, mas poderá ser acessada em dispositivos mobile pelos navegadores Google Chrome e Mozilla Firefox.

Confira a lista completa de filmes que estarão na Spcine Play:

"A Batalha do Passinho", de Emílio Domingos. Documentário, 2013
"As Fabulas Negras", de Rodrigo Aragão, Petter Baiestorf, Joel Caetano e José Mojica Martins. Terror, 2014
"Ausência", de Chico Teixeira. Drama, 2015
"Califórnia", de Marina Person. Drama, 2015
"De Menor", de Caru Alves de Souza. Drama, 2014
"Lira Paulistana e a Vanguarda Paulista", de Riba de Castro. Documentário, 2013
"Mãe Só Há Uma", de Anna Muylaert. Drama, 2016
"O Menino e o Mundo", de Alê Abreu. Animação, 2013
"Paratodos", de Marcelo Mesquita. Documentário, 2016
"Uma Noite em Sampa", de Ugo Giorgetti. Comédia, 2016