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Por que a Netflix demora para exibir as novas temporadas das séries?

"The Walking Dead" demora para ser atualizada na Netflix, mas "Better Call Saul", não. Explicamos o porquê - Divulgação e Montagem/UOL
"The Walking Dead" demora para ser atualizada na Netflix, mas "Better Call Saul", não. Explicamos o porquê
Imagem: Divulgação e Montagem/UOL

Beatriz Amendola

Do UOL, em São Paulo

27/11/2017 04h00

Se você visita qualquer rede social da Netflix brasileira, uma coisa é certa: vai ter muito assinante cobrando a empresa pela "demora" em atualizar seu catálogo de séries. "E a nova temporada de [insira aqui sua favorita]?" é provavelmente a frase mais enviada pelos fãs para o serviço de streaming,

Mas não é para deixar os espectadores ansiosos nem por má vontade que a Netflix não atualiza imediatamente suas séries e temporadas. A razão, aqui, está nos negócios.

À exceção das séries originais como “House of Cards” ou "Demolidor", todo o conteúdo da plataforma é licenciado – ou seja, a Netflix faz um contrato que lhe dá o direito de exibir uma série ou um filme, por um tempo limitado. O que ocorre é que essas produções estão sujeitas às regras dos estúdios e/ou das distribuidoras que detêm os direitos sobre elas – o que significa que, geralmente, elas têm um caminho a percorrer antes de chegar ao streaming.

Em muitos casos, as produções seguem uma ordem específica do que se chama de “janelas de exibição”, e têm de ir primeiro para a TV paga e, em seguida, serem disponibilizadas em DVD e Blu-Ray, para só depois chegarem ao streaming. Por isso, é normal que algumas séries só tenham as novas temporadas liberadas na Netflix quase um ano depois de ir ao ar.

É o que acontece, por exemplo, com “The Walking Dead”. Na plataforma, ela só está disponível até a sexta temporada, que entrou por lá em abril deste ano. A sétima, que estreou em 2016 no canal pago Fox, teve seu DVD lançado na última sexta-feira (24), e provavelmente só deve chegar ao streaming no primeiro semestre de 2018.

“A maioria dos estúdios possui um canal próprio ou já tem acordado com um player há anos. A Warner Channel, por exemplo, tem a vantagem de negociar em primeira mão com os estúdios da CW (pois somos o canal do estúdio) e definir se iremos ser ou não a primeira janela”, explica Silvia Elias, diretora sênior de conteúdo dos canais de Entretenimento Geral da Turner no Brasil. Aqui no Brasil, é o Warner Channel que transmite primeiro séries como “Flash”, “Arrow”, “Supergirl” e “Riverdale”, feitas pela CW.

Quando o streaming passa na frente

Esse esquema, porém, vem ficando menos rígido. “Se no modelo tradicional anterior havia uma ordem de aquisição e exibição pré-estabelecida e que consistia em ‘Cinema – SVOD (Avião, Pay per View) – Home Entertainment (DVDs, BluRays) – PayTV Premium – PayTV Básico – e por fim, TV Aberta’, atualmente, a ordem destas janelas passou a ser algo mais flexível diante das novas tecnologias e variedade de players no mercado”, nota a executiva da Turner.

A Netflix, por exemplo, há uns anos já tem o que chama de “séries de estreia” – produções que não foram produzidas pela plataforma, mas que ela disponibiliza logo após a exibição original, como acontece com “Better Call Saul”, o spin-off de “Breaking Bad”. Nesse caso, o serviço de streaming é a primeira janela de exibição da série.

O Amazon Prime Video também deu um passo nesse caminho quando se tornou o distribuidor internacional série “American Gods”, baseada no livro homônimo de Neil Gaiman e produzida pelo canal americano Starz.

Nesses casos, as plataformas têm de seguir o calendário de exibição original. Isso significa que os episódios serão, geralmente, disponibilizados semana a semana.

Vale lembrar que nem sempre a Netflix ou outros serviços conseguem os direitos globais de exibição dessas séries – ou das outras que licenciam. Dessa forma, um título disponível na Europa não necessariamente vai aparecer no catálogo brasileiro. 

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