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Amy de "Big Bang" lembra início na série e comenta assédio em Hollywood

Divulgação
Amy e Sheldon em cena de "The Big Bang Theory" Imagem: Divulgação

Beatriz Amendola

Do UOL, em São Paulo

06/12/2017 12h37

Quando Mayim Bialik foi fazer o teste para o papel de Amy Farrah Fowler em “The Big Bang Theory”, em 2010, ela tinha dois filhos pequenos e não sabia quase nada sobre a série – ou sobre o ator Jim Parsons, que mais tarde viria a se tornar o seu par romântico na sitcom. “Achava que era um game show. Tive que procurar no Google”, lembra a atriz durante conversa com jornalistas.

Na hora, um detalhe em seu currículo chamou a atenção dos produtores: Mayim, assim como sua personagem, é doutora em neurociências. “Me esforcei tanto para conseguir o doutorado, então resolvi deixar [no currículo]. Bill Prady, nosso criador e produtor executivo, viu e disse ‘é sério?’ e eu respondi ‘é’, conta.

A formação da atriz é inclusive motivo de brincadeiras dos colegas. “Jim Parsons gosta de brincar que eu sou a única que entende não só as próprias falas, mas as falas de todo mundo, mas acho que isso não é de todo verdade”, diz, antes de admitir que a experiência acadêmica dá uma ajudinha nas cenas. “Mesmo se eu não entendo cada coisa que a minha personagem está dizendo ou o que os outros personagens estão dizendo, eu definitivamente tenho uma base para trabalhar. Mesmo que eu não consiga me lembrar de um termo de física, por exemplo, geralmente ele é familiar o bastante para eu procurar no Google e lembrar dele.”

As semelhanças entre Amy e Mayim só aumentaram depois que a atriz foi escalada para a produção. “Acho que os roteiristas, quando passam a nos conhecer mais, começam a colocar partes da nossa personalidade nos personagens, e eu diria que há muito de mim na Amy. Eu tenho muitas manias, assim como a Amy, mas eu sei como não misturar listras e xadrez – uma coisa que não dá para evitar com o guarda-roupa dela”.

Podia ter sido bem diferente. A princípio, os criadores queriam que a personagem fosse uma versão feminina do Sheldon, o físico de manias bem peculiares vivido por Parsons. Por conta disso, a primeira cena de Amy na série, no final da terceira temporada, teve duas versões gravadas. “Uma foi a que acabou indo ao ar, e gravamos outra em que Amy não faz contato visual e é muito mais desajustada socialmente. Por fim, resolveram usar a cena em que ela olhava nos olhos”, conta. O que se manteve foi a opção de mostrar Amy como uma pessoa “não-sexual”: “Várias vezes usei figurinos de tamanhos maiores que o meu, porque eles não queria que isso [o físico] fosse um aspecto na atração do Sheldon pela Amy. Eles queriam realmente desenvolver um romance intelectual, e fiquei muito feliz que eles fizeram isso”.

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Assim como Amy, a atriz Mayim Bialik também é neurocientista Imagem: Divulgação

Mulheres em Hollywood

A entrada de Amy e Bernadette (Melissa Rauch) foi uma mudança importante para “The Big Bang Theory”, que até então tinha Penny (Kaley Cuoco) como a única protagonista feminina. “Acho que é muito importante que as séries estejam abertas a se expandir e ampliar os horizontes de todos os personagens. Em particular, acho muito legal que a adição das nossas personagens mostre não só duas mulheres cientistas, mas duas cientistas bem diferentes entre si. Não são só duas cientistas que são mulheres, são mulheres completamente diferentes e isso é muito importante, é algo que estava faltando na série”.

Sete anos depois, na 11a temporada da série, as duas são uma importante parte do grupo – tanto que, segundo veículos especializados, os protagonistas da trama aceitaram um corte no salário, que já estava em US$ 1 milhão por episódio, para que Mayim e Melissa pudessem receber um aumento.

A atriz, no entanto, não acha que a indústria do cinema e da TV melhorou muito o retrato das personagens femininas desde que ela protagonizou “Blossom”, nos anos 1990. “Em termos de papéis para as mulheres, sinto que a situação não mudou muito, o que é lamentável, mas temos muitas mulheres na TV, temos muitas mulheres jovens na TV, o que não acontecia naquela época.”

Mayim, que é feminista, também está acompanhando a discussão sobre as denúncias de assédio sexual em Hollywood. Para a atriz, que teve de pedir desculpas ao ser acusada de culpar as vítimas do poderoso produtor Harvey Weinstein em um texto para o “New York Times”, disse que é bom ver que a forma como a sociedade lida com esses problemas está mudando.

“O que estamos vendo é uma grande mudança de consciência, e acho que essa é uma coisa boa”, reflete. “Há muitas mulheres que têm sido afetadas por esse tipo de comportamentos há muito tempo. Já era inaceitável, mas não tínhamos como falar sobre isso. Eu sempre enfrentei coisas que todas as mulheres enfrentam: problemas com autoimagem, insegurança, sentir como se eu sempre tivesse pedir desculpas. Há muitos aspectos da cultura ocidental que produziram muitas coisas que consideramos como normais, mas há muitas mudanças positivas acontecendo e vemos isso no mundo todo.”

E assim como Hollywood, o campo das ciências, ao qual Mayim dedicou 12 anos de sua vida, também tem seus problemas – e a própria atriz chegou a se sentir uma “minoria” durante sua carreira acadêmica. “Como uma das poucas mulheres das minhas aulas de ciências, tive muitas experiências em ser a minoria e sentir que as expectativas para as mulheres eram diferentes. Acho que as mulheres sentem isso em vários campos”, diz ela, que espera que a discussão em Hollywood possa incentivar o mesmo em outras áreas.

Futuro de “Big Bang”

Atenção: o texto abaixo contém spoilers. Não leia se não estiver em dia com a série

Com “The Big Bang Theory” já confirmada para sua 12ª temporada, que chegará ao fim só em 2019, Mayim sabe bem o que boa parte do público quer ver nos próximos episódios: os preparativos para o casamento de Amy e Sheldon, que não têm aparecido tanto na atual temporada.

“Nós não seguimos cada relacionamento toda semana, há tantos bons personagens e tantas boas histórias que nossos roteiristas querem mostrar, e isso permite a eles deliberadamente dar um espaçamento entre as coisas. E não é só para deixar as pessoas esperando, apesar de ser assim que o público se sente. Nós acabamos de fazer um episódio de planejamento, que, obviamente, envolvia um algoritmo de computador.”

E, segundo Mayim, os fãs podem esperar um Sheldon bem animado para o casório: “É bonitinho, o Sheldon tem se interessado mais do que a Amy esperava, então, isso vai ser uma coisa com a qual nossos roteiristas vão poder se divertir. Às vezes ele consegue ser até mais interessado do que a Amy.”

Para o futuro, a atriz gostaria de ver Amy passar uma transformação: “Eu estou esperando um episódio de ‘patinho feio’ desde que entrei. Quero um episódio em que Penny produza Amy e as duas saiam para a balada”.

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