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Como bom millennial, Kylo Ren é um vilão que ainda tenta se encontrar

Adam Driver em cena de "Star Wars: Os Últimos Jedi" - Lucasfilm/Divulgação
Adam Driver em cena de "Star Wars: Os Últimos Jedi"
Imagem: Lucasfilm/Divulgação

Natalia Engler

Do UOL, em Los Angeles (EUA)*

13/12/2017 04h00

Eram tempos mais simples quando Darth Vader, o grande vilão da saga “Star Wars”, caminhava pela Estrela da Morte com suas botas pesadas e máscara assustadora. Tanto numa galáxia muito distante quanto bem aqui na Terra, era União Soviética versus Estados Unidos, comunismo contra capitalismo, Império contra Aliança Rebelde, luz versus sombra --e os tons de cinza no meio do caminho ainda não estavam na moda.

Assim como para os nossos pais e avôs a vida parecia ter menos opções e ser menos confusa em 1977 (estudar, casar, trabalhar, ter filhos, ter netos, se aposentar), para aquele que um dia fora chamado de Anakin Skywalker, o destino de grande vilão também não lhe colocava grandes dilemas além de que planeta explodir primeiro (OK, na adolescência ele teve suas dúvidas, mas só o normal da idade, e no fim da vida ele teve seu grande dilema, mas foi só para poder se redimir).

Adam Driver em cena de "Star Wars: Os Últimos Jedi" - Lucasfilm/Divulgação - Lucasfilm/Divulgação
Kylo Ren ainda precisa "se encontrar"
Imagem: Lucasfilm/Divulgação

Talvez seja por saudosismo desses tempos mais simples que o neto de Vader, Kylon Ren (também conhecido como Ben Solo), introduzido na retomada da saga em 2015 com “O Despertar da Força”, guarda a máscara do avô como relíquia.

Mas a verdade é que, como um bom millenial, ele ainda não tem muita certeza do que realmente quer fazer da vida --nada muito diferente de qualquer jovem da vida real (30 e poucos ainda é jovem, certo?), que sem um império (ou empresa, ou casa própria, ou qualquer bem de valor) para chamar de seu, ainda questiona se seguiu o melhor caminho e muitas vezes tem vontade de largar tudo e mudar de vida. Ou, seguindo outra tendência dessa geração, talvez ele apenas ainda não tenha amadurecido.

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“Eu acho que faz parte do que está acontecendo com o personagem”, afirma Adam Driver, 34, o rosto por trás da máscara de Ren, em entrevista ao UOL. “Com Darth Vader você encontra uma pessoa que já é mais velha, que, ao menos no começo, é muito decidido, e tem mais bagagem que o meu personagem. Acho que eles partem de pontos totalmente diferentes, então, inevitavelmente, a maneira como respondem às coisas será totalmente diferente”.

Darth Vader, em cena de filme da saga "Star Wars" - Reprodução/Comic Book - Reprodução/Comic Book
Será que vovô Vader entenderia o neto millenial?
Imagem: Reprodução/Comic Book

E com certeza são. Se Vader ficou marcado pela frieza (além da voz rouca de James Earl Jones, claro) e não hesitava em matar um subordinado que fracassasse em uma missão sem dizer muita coisa, Ren é mais afeito a ataques de raiva em que destrói tudo a sua volta com seu sabre de luz vermelho, mas em geral poupa a vida dos mensageiros de más notícias.

É claro que as questões de Ren (que ele certamente estaria tratando com a boa e velha psicanálise se fosse um millenial na Terra, e não em algum sistema intergaláctico que não conseguimos pronunciar o nome) não se resumem apenas a ataques de raiva. Pelo que Driver indica, ele pode estar passando pela tal crise dos 25 (aquele período em que as pessoas entre 20 e 30 anos questionam todas sua vida e querem “se encontrar”).

“É alguém tridimensional. É mais divertido para mim interpretar alguém que está meio que passando por uma crise de fé. Eu posso me identificar com isso”, conta.

Adam Driver em cena de "Star Wars: Os Últimos Jedi" - Lucasfilm/Divulgação - Lucasfilm/Divulgação
Nada resiste aos ataques de raiva de Kylo Ren
Imagem: Lucasfilm/Divulgação

A explicação que o ator tem para o comportamento do filho de Han Solo e Leia Organa também não passa longe do que está nas cabeças dos jovens-adultos da nossa geração. “Nada é tão simples quanto apenas você decidir ser ator vários anos atrás e tudo na sua vida está resolvido porque você tomou esta decisão”, acredita.

“Você envelhece, tem outras experiências, e as coisas que acontecem desafiam sua decisão. E você tem que reavaliar suas escolhas. E às vezes isso faz você redobrar seus esforços, e reforça por que você queria fazer isso, para começo de conversa. E às vezes abala o que você achava acreditar. Acho que é onde esse personagem está”, argumenta Driver, dando pistas de que a ideia de jogar tudo para o alto e abandonar o lado sombrio da Força ainda está viva na cabeça de Ren em “Os Últimos Jedi”, oitavo episódio da saga “Star Wars”, que estreia nesta quinta (14).

Assista ao trailer de "Star Wars: Os Últimos Jedi"

UOL Entretenimento

* A jornalista viajou a convite da Walt Disney Company