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Por que a Netflix quer que você veja "Bright", seu primeiro blockbuster?

Will Smith e Joel Edgerton vivem Daryl Ward e Nick Jackoby no filme "Bright", da Netflix - Matt Kennedy/Netflix
Will Smith e Joel Edgerton vivem Daryl Ward e Nick Jackoby no filme "Bright", da Netflix
Imagem: Matt Kennedy/Netflix

Beatriz Amendola

Do UOL, em São Paulo

22/12/2017 04h00

Junte um astro do porte Will Smith, uma trama policial cheia de ação e criaturas fantásticas como orcs e elfos. Somado a um orçamento de US$ 90 milhões, o resultado é um só: um blockbuster. Mas esse não irá para as telas do cinema. “Bright”, que estreia no mundo todo nesta sexta-feira (22), é o primeiro blockbuster produzido pela Netflix.

Descrito por Will Smith como uma mistura de “Dia de Treinamento” e “Senhor dos Anéis”, “Bright” acompanha dois policiais de Los Angeles, um humano (Smith) e um orc (Joel Edgerton, sob camadas pesadas de maquiagem), que acabam incumbidos da missão de proteger a elfa Tikka (Lucy Fry) e evitar que uma varinha mágica caia nas mãos erradas – o que teria consequências nefastas em um mundo no qual criaturas de diversas espécies convivem em relativa harmonia.

A produção tem como diretor David Ayer, de “Esquadrão Suicida”, e, mesclando cenas de ação incessantes e uma mensagem contra o preconceito, vem para provar de vez que a Netflix pode sentar na mesma mesa que os players mais tradicionais de cinema em Hollywood – para o bem ou para o mal, como indicam as críticas duras que o filme vem recebendo de veículos especializados na imprensa internacional.

Netflix e cinema: um caso de amor

O serviço de streaming, já bem estabelecido no mercado das séries com produções originais como “House of Cards” e “Stranger Things”, vem aos poucos avançando no território do cinema, e 2017 foi um ano importante nesse sentido.

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Versátil: Netflix concorreu em Cannes com "Okja" (foto) e agora quer emplacar blockbuster
Imagem: Divulgação

A empresa conquistou sua primeira vitória no Oscar com “The White Helmets”, vencedor da categoria de melhor documentário em curta-metragem, e marcou presença no mais importante festival de cinema do mundo, o Festival de Cannes. Lá, os filmes “Okja” e “Os Meyerowitz: Família Não Se Escolhe” concorreram à cobiçada Palma de Ouro e provocaram um debate acalorado sobre a necessidade (ou não) de produções cinematográficas serem exibidas primeiramente nas telas grandes.

Fechando o ano, “Bright” vem para abrir um novo caminho para a Netflix, que, além do prestígio das premiações, busca também seu primeiro grande hit de público no formato – como fazem desde sempre todos os grandes estúdios do ramo.  A jogada é estratégica para a empresa, que pretende aumentar significativamente o número de filmes originais: segundo Ted Sarandos, presidente de conteúdo da Netflix, serão 80 longas em 2018, contra 50 de 2017. E, para o começo de 2019, mais um projeto de grande orçamento está previsto: o drama “The Irishman”, de Martin Scorsese.

Não é à toa que a Netflix vem apostando alto em “Bright”. O marketing pesado começou na própria plataforma: desde março, clipes do filme vêm sendo exibidos a usuários específicos com base no perfil deles, contou ao site The Verge o presidente de inovação em interface de usuário da empresa, Chris Jaffe. Recentemente, nas semanas que antecederam o lançamento do filme, a Netflix recorreu aos anúncios tradicionais que aparecem no topo da página ou do aplicativo e aos trailers exibidos após outros filmes e séries, mas personalizando-os conforme o gosto do usuário. Quem gosta de fantasia, por exemplo, vê a elfa Tikka nos materiais promocionais, enquanto os fãs de David Ayer veem mais cenas de ação com Smith e Edgerton.

Do lado de fora, o investimento em divulgação também foi vultoso. Foi com “Bright” que a Netflix fez sua estreia no Hall H da San Diego Comic Con, a principal vitrine de lançamentos do cinemão americano, que todo ano arrasta uma multidão de fãs ávidos para saber as novidades de blockbusters como “Vingadores”, “Liga da Justiça” e “Star Wars”.

A empresa ainda aproveitou o fato de o Brasil ser seu quarto maior mercado e recrutou Smith, Edgerton e Ayer para a Comic Con Experience, que aconteceu em São Paulo no início de dezembro. As mais de três mil pessoas que tiveram a chance de conferir o painel de “Bright” puderam ver o filme em primeira mão, e a Netflix ainda aproveitou bastante os talentos de showman de Smith, que circulou mascarado pela feira, falou português, cantou o tema de “Um Maluco no Pedaço” e posou com uma bandeira do Brasil.

A capital paulista, aliás, está respirando “Bright”: os anúncios do filme tomaram conta dos relógios eletrônicos espalhados pelas ruas e da movimentada baldeação entre as estações Paulista e Consolação do metrô, espaço que a Netflix já vinha utilizando para divulgar produções como “O Justiceiro”.

O serviço de streaming parece estar confiante no retorno de tanto investimento: segundo a agência de notícias Bloomberg, “Bright” já tem uma sequência engatilhada, com Will Smith garantido no elenco.