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Black Mirror: Hang The DJ é história cativante sobre o amor na era dos apps

Cena de "Hang The DJ", episódio da quarta temporada de "Black Mirror" - Jonathan Prime/Netflix
Cena de "Hang The DJ", episódio da quarta temporada de "Black Mirror"
Imagem: Jonathan Prime/Netflix

Beatriz Amendola

Do UOL, em São Paulo

05/01/2018 07h44

E se um aplicativo te dissesse não só quem é o seu par perfeito, mas quanto tempo vocês vão ficar juntos? Em “Hang The DJ”, quarto episódio da quarta temporada de “Black Mirror”, é essa a ideia que move a história, uma comédia romântica que vai aquecer os corações dos fãs de “San Junipero”, o capítulo mais comentado da temporada anterior.

O texto a seguir contém spoilers, então não prossiga se não quer saber o que acontece.

Cativante, a trama segue Amy (Georgina Campbell) e Frank (Joe Cole), que se conhecem por meio do sistema e, determinados por ele, passam apenas algumas horas juntos, apesar de claramente terem sentido aquele “algo a mais”. Obrigados a seguir com outros “matches”, os dois passam por encontros estranhos, ficadas de uma noite e relacionamentos insatisfatórios até, finalmente, se reencontrarem.

Cena de "Hang the DJ", de "Black Mirror" - Divulgação - Divulgação
Frank e Amy estão ou não destinados a ficar juntos?
Imagem: Divulgação

Frank, no entanto, põe tudo ao perder quando decide descobrir o prazo de validade dos dois sem Amy saber – o que leva o sistema a reduzir o tempo do casal de anos para apenas alguns minutos. O final, porém, é feliz (coisa rara em “Black Mirror”). Os dois se rebelam contra a tecnologia para ficarem juntos e, em uma reviravolta surpreendente, surgem se conhecendo na vida real, com impressionantes 99,8% de “match“. Isso significa que em mil simulações feitas pelo aplicativo, apenas em duas eles não se rebelaram para ficar juntos. 

Claramente uma alusão ao Tinder e outros aplicativos do tipo, “Hang The DJ” faz um retrato honesto, mas delicado, de várias questões amorosas: os primeiros encontros esquisitos, as dúvidas sobre fazer ou não sexo logo de cara e a decisão de prosseguir em um relacionamento mesmo ainda pensando em outra pessoa. Todas pertinentes mesmo a quem não usa apps de namoro, o que ajuda a criar cada vez mais empatia pelos protagonistas.

Mas como a tecnologia é um ponto central da série, o episódio ainda levanta discussões interessantes sobre esse aspecto: até que ponto estamos dispostos a nos manter no nosso conforto enquanto um aplicativo decide o que é o melhor para nós? E até onde vamos deixar esses mesmos aplicativos terem acesso às nossas informações pessoais? Na história, o sistema da simulação assustadoramente acompanha a forma como cada um se relaciona e as falhas e os acertos dos relacionamentos, para então supostamente encontrar o par perfeito – um exagero, mas que não parece tão distante assim da realidade.

Ainda assim, “Hang The DJ” passa longe do tom desesperador de outros capítulos de “Black Mirror”. Como “San Junipero”, ele é otimista e romântico – e a direção de Tim Van Hallen (“The Sopranos”, “Game of Thrones”) e o carisma dos protagonistas  só ajudam a reforçar isso.

Nem tudo, afinal, está perdido – e dá para se rebelar contra o sistema. Não à toa, a música que embala o encontro final de Frank e Amy, é “Panic!”, em que os Smiths pedem uma revolta do público contra as músicas pasteurizadas das rádios cantando o verso “hang the DJ”. Um dos melhores episódios da nova safra da série.